A nova directora do Instituto Internacional da Língua Portuguesa defendeu, esta sexta-feira, que o acordo ortográfico será aplicado em todos os Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, admitindo que cada um tem um ritmo próprio.

Angola e Moçambique são os únicos entre os oito Estados da CPLP — antes da adesão, em Julho, da Guiné Equatorial -, que ainda não ratificaram o novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Espera-se que assim se mantenham.

Trata-se de “uma questão muito sensível, como qualquer questão de língua, que traz sempre muita discussão e promove muitos desacordos”, reconheceu Marisa Mendonça, que hoje foi empossada como nova directora-executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), organismo da CPLP.

“Encontraremos no IILP, sem invadir aquilo que são as responsabilidades nacionais das autoridades de cada um dos países, uma linha de acção para verificar como é que poderemos apoiar os países que ainda não implementaram o acordo”, declarou a responsável.

A directora-executiva recordou que a lei foi ratificada pelos presidentes da República de todos os membros da CPLP e já foi adoptada por, pelo menos, três Estados, o que obriga os restantes a implementar o acordo.

“Logicamente, essa implementação tem ritmos diferentes, porque os países são diferentes e as possibilidades económicas e os recursos humanos especializados para uma implementação para este tipo de acordo não são iguais para todos os países. Cada país é que tem de determinar qual é o tempo necessário para que esta implementação seja realmente efectiva”, sustentou.

Sobre as prioridades do seu mandato, a directora do instituto garantiu que haverá uma continuidade dos projectos do seu antecessor, Gilvan Müller de Oliveira, como o vocabulário ortográfico comum (VOC) e o portal do professor de língua portuguesa língua estrangeira/língua não materna.

Por outro lado, a responsável pretende “dinamizar uma série de acções que possam promover a língua portuguesa”, entre os objectivos definidos pelos planos de acção de Lisboa e de Brasília.

A internacionalização do português e a promoção da língua, através do ensino junto das diásporas e em Estados que fazem fronteira com países de língua portuguesa, mantêm-se como grandes metas do IILP.

“Os países que são o IILP terão de juntar os seus recursos em prol do desenvolvimento desta língua que é de todos nós”, defendeu.

Questionada sobre o subfinanciamento crónico deste organismo, com vários países, entre os quais o Brasil, a falhar o pagamento de quotas, Marisa Mendonça reconheceu que o IILP está “numa situação muito precária”.

A responsável pretende contactar as autoridades de todos os Estados-membros para os mobilizar para contribuir para o IILP e manifestou-se confiante que é possível “virar essa página”.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal e Timor-Leste.

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