A UNITA (o maior partido da oposição que, a muito custo, o MPLA ainda permite) desafiou hoje o Presidente do MPLA (que por inerência é também Presidente da República) general João Lourenço, a não abandonar o país, após as eleições gerais de 2027, manifestando-se confiante na vitória eleitoral e na constituição de um governo inclusivo e participativo.
O secretário-geral da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Liberty Chiyaka, disse, em conferência de imprensa alusiva às comemorações dos 60 anos de fundação da UNITA, que se assinalam em 13 de Março, que o seu partido vai vencer as eleições gerais previstas para 2027 e, na sequência, vai formar um governo inclusivo.
Chiyaka exortou os angolanos a não temerem o futuro, após o próximo acto eleitoral, e desafiou o Presidente de Angola e do MPLA (partido no poder desde 1975), general João Lourenço, a não deixar o país, após a “derrota” nas urnas.
“Ninguém pode temer o futuro, nós cremos que, em 2027, obviamente o MPLA vai perder as eleições. Perdidas as eleições, o senhor Presidente [da República] João Lourenço fica aqui em Angola, ele não precisa fugir de Angola, seria mau para Angola”, respondeu o político aos jornalistas.
Liberty Chiyaka assegurou que a UNITA “não vai aceitar” que João Lourenço deixe Angola depois das eleições gerais, “independentemente de ter governado mal” o país.
“Nós não vamos aceitar isso e esta é uma garantia que a UNITA dá aos angolanos. Independentemente de ter governado mal, isso vai ser parte do passado, o nosso foco é o futuro, aproveitar as potencialidades de Angola”, frisou, assegurando que o seu partido vai “governar” com a energia, competência e forças de todos os angolanos.
O político lamentou que muitos angolanos estejam actualmente “obrigados” a deixar o país, passados 24 anos de paz, considerando que a actual situação socioeconómica do país “é vergonhosa” e resulta da “má governação”.
Liberty Chiyaka insistiu na necessidade de o país estabelecer um pacto de estabilidade democrática para a “transição política pacífica” em Angola, reiterando que, com a “vitória” eleitoral, vai formar um governo participativo e inclusivo, do qual farão parte, inclusive, “patriotas do MPLA”.
“Aqueles patriotas que estão comprometidos com o bem-estar dos angolanos, comprometidos com a boa governação, comprometidos verdadeiramente no combate contra a corrupção, vão ser convidados para o governo inclusivo e participativo”, apontou.
Para o partido, fundado por Jonas Savimbi em 13 de Março de 1966, um novo pacto social para Angola traduz-se num “pacto de estabilidade democrática”, que conduza o país “a transições políticas pacíficas, com segurança e confiança no futuro”.
Sobre os festejos dos 60 anos de fundação do partido, o também deputado à Assembleia Nacional referiu que a UNITA “é um projecto político que nasceu e cresceu sob o signo da unidade territorial, do Estado e de propósitos”.
As actividades celebrativas do 13 de Março decorrem sob o lema “UNITA – 60 Anos ao Serviço de Angola e dos Angolanos”. Têm início na sexta-feira na província da Lunda Sul e encerram em 29 de Março na cidade do Sumbe. O acto central acontece na província do Moxico.
ALGUNS FACTOS DA TRAJECTÓRIA DE JONAS MALHEIRO SAVIMBI
Jonas Malheiro Savimbi, inconformado com a realidade colonial no seu País, ingressa na UPA (União dos Povos de Angola) em Fevereiro de 1961. A sua influência fez-se sentir imediatamente, tendo sido nomeado Secretário-geral desse Movimento. A acção política de Jonas Savimbi encorajou muitos jovens intelectuais a aderirem àquela organização nacionalista, facto que veio dar um novo ímpeto à UPA.
• Em 1962 conseguiu convencer os Dirigentes do PDA (Partido Democrático Angolano) e da UPA a uma fusão de que resultou a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola). Ainda neste ano, com o seu contributo directo, constituiu-se o GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio), primeiro instrumento politico – jurídico nacional opositor do regime colonial e Jonas Malheiro Savimbi desempenhou funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros desse Governo. A sua habilidade diplomática permitiu, tão cedo, o reconhecimento do GRAE pelas instituições regionais e internacionais.
• Jonas Malheiro Savimbi, aos 25 de Maio de 1963 participou na criação da OUA (Organização da Unidade Africana) como Presidente da Comissão de todos os Movimentos de Libertação de África, que endereçou um Memorando aos Chefes de Estado Africanos, lido diante da Assembleia Magna da OUA pelo veterano do Kénia Onginga Ondinga. Esta Comissão era dinamizada por Jonas Savimbi – Presidente, Mário Pinto de Andrade – Secretário e Dr Julius Kianu – Relator.
• As divergências de pensamento e método politico com a Direcção da UPA quanto à condução da luta levaram Jonas Malheiro Savimbi a abandonar a organização e fundar a União Nacional Para a Independência Total de Angola – UNITA, criando assim mais um espaço politico de luta de libertação para dar novo impulso à luta anti-colonial, baseando-se em três princípios fundamentais:
a) Direcção no interior do País; b) Contar essencialmente com as nossas próprias forças; c) Consciencializar o Povo e uni-lo na luta pelos seus direitos inalienáveis.
Assim a UNITA, sob Presidência de Jonas Malheiro Savimbi é criada aos 13 de Março de 1966 no Muangai, província do Moxico, apresentando aos presentes o seu Projecto Politico baptizado de Projecto do Muangai ou Projecto dos Conjurados do 13 de Março.
• A 4 de Dezembro de 1966, Jonas Malheiro Savimbi recebe o “baptismo de fogo” no ataque ao posto colonial de Kassamba, comandado directamente por ele. Mas foi a 25 de Dezembro de 1966 no ataque à Teixeira de Sousa que oficialmente a UNITA sob liderança do seu Presidente, inicia a Luta Armada de Libertação Nacional. Este ataque deu a UNITA a sua personalidade política e o seu reconhecimento nacional e internacional.
• De 01 a 06 de Julho de 1967, Jonas Malheiro Savimbi é detido na Zâmbia, quando fazia uma digressão no exterior do País para angariar meios para a continuação da luta, devido aos ataques que a UNITA levava a cabo ao longo do Caminho de Ferro de Benguela (CFB). Aprisionado durante 06 dias, Jonas Savimbi, graças a intervenção do Presidente Nasser do Egipto junto do Presidente Kaunda, é exilado no país de Nasser durante nove meses, de onde regressa clandestinamente à Angola, em Julho de 1968.
• Jonas Malheiro Savimbi foi o único Dirigente dos Movimentos de Libertação Nacional que se encontrava no interior do País por ocasião do 25 de Abril de 1974. Por isso, Jonas Savimbi viu-se obrigado a deslocar-se para o exterior do País com vista a procurar uma aproximação com os outros Presidentes dos Movimentos de Libertação para estabelecerem uma plataforma de cooperação em face da presente realidade politico-militar. Assim aos 25 de Novembro de 1974 em Kinshasa – Zaire, Jonas Savimbi assinou a plataforma de cooperação com Holden Roberto da FNLA.
• Aos 18 de Dezembro de 1974 assinou a plataforma de cooperação com António Agostinho Neto do MPLA, no Luso – Moxico. De recordar que as conversações com o Presidente Neto iniciaram em Dar es Salaam/Tanzania em Novembro do mesmo ano e no Luso assinou-se a plataforma.
• Jonas Malheiro Savimbi promoveu a Conferencia de Mombaça no Quénia em que participaram os Lideres dos três Movimentos de Libertação, onde concordaram estabelecer uma plataforma de entendimento e cooperação criando condições conducentes à negociação com a entidade colonizadora, para a Independência de Angola. Esta Conferência ocorreu de 03 a 05 de Janeiro de 1975.
• Por ocasião das discussões dos acordos de Alvor Jonas Savimbi apresentou o texto onde defendia a multiracialidade de Angola e enriqueceu, também, os princípios referentes as eleições gerais. Jonas Malheiro Savimbi foi signatário dos Acordos de Alvor a 15 de Janeiro de 1975 juntamente com Holden Roberto e Agostinho Neto e os seus Movimentos (FNLA, MPLA e UNITA) reconhecidos como os únicos representantes do Povo Angolano.
• Os Acordos de Alvor eram o único instrumento politico-juridico de transição do poder do regime colonial português para os Angolanos, representados pelos três Movimentos de Libertação. Esta transição passaria por eleições livres em Outubro de 1975 e o Governo saído das eleições proclamaria a 11 de Novembro de 1975, em nome de todo Povo Angolano, a Independência do País.
• Muito cedo o MPLA iniciou a inviabilização da aplicação dos Acordos de Alvor, excluindo do processo a FNLA e a UNITA. Em face desse clima de violação dos Acordos, Jonas Savimbi, numa tentativa de salvá-los, aos 16 de Junho de 1975, promoveu a cimeira de Nakuru (Quénia) entre os dirigentes dos três Movimentos para se restabelecer a Paz no País antes da data acordada para a Independência.
• Infelizmente, o MPLA violou totalmente os Acordos de Alvor e autoproclamou-se como o único representante do Povo Angolano e adjectivou os outros Movimentos de inimigos e por isso nenhum palmo de terra para esses inimigos em Angola.
• Assim, a 11 de Novembro de 1975 Agostinho Neto proclama a Independência de Angola em nome do Comité Central do MPLA e não do Povo Angolano.
• Perante esta exclusão, acrescida a máxima de que para o inimigo (UNITA) nem um palmo de terra, Jonas Malheiro Savimbi à frente da UNITA apela a uma Resistência Popular Generalizada contra o regime mono-partidário e ditatorial do MPLA, apoiado pelo imperialismo russo-cubano.
• Assim, durante 16 anos, Jonas Malheiro Savimbi dirige a Resistência contra o expansionismo russo-cubano e o monopartidarismo, tendo angariado apoios e simpatias interna e externamente. Classificado como estratega político-militar de craveira internacional; combatente pela liberdade; esperança de Angola pelos países amantes da liberdade e democracia, Jonas Savimbi, obrigou à saída dos cubanos de Angola e ao fim do monopartidarismo.
• Aos 31 de Maio de 1991, Jonas Savimbi assinou os Acordos de Bicesse/Portugal com Eduardo dos Santos, acordos que puseram fim à República Popular de Angola, levando o país às primeiras eleições gerais em Setembro de 1992.
• As eleições de 1992 foram classificadas pela oposição de fraudulentas e não credíveis, reabrindo assim o clima de instabilidade.
• Aos 16 de Outubro de 1992, Jonas Savimbi, em nome da UNITA aceita os resultados das eleições para evitar o impasse e o regresso à guerra. Mas como as maquinações no sentido de voltar a impor o cenário de 1975/76 tinham amadurecido, o MPLA pôs em marcha a sua estratégia de genocídio politico-tribal, massacrando dirigentes e quadros, assaltando e espoliando todo o património da UNITA
• Mesmo diante deste clima, Jonas Savimbi procurou sempre vias do diálogo para solucionar o conflito pós-eleitoral, protagonizando variadíssimas iniciativas diplomáticas em prol da Paz.
• A carreira de Jonas Savimbi foi fundamentalmente de um cidadão sensível aos problemas do seu Povo; de um empenho total pelas causas profundas e legítimas do seu Povo; de um condutor de homens cujo pensamento e acção determinaram a evolução do processo de Libertação do Povo de Angola e da África Austral, tornando-o num dos Patriotas mais vibrantes e empreendedores do fim do Século XX.
• Jonas Malheiro Savimbi tinha uma visão clara e convicta da dinâmica da sociedade e da necessidade de se ajustar a prática política à evolução inevitável da história. Foi ele o único dirigente nacionalista angolano que circunscreveu nos ideais do seu Movimento, aquando da sua fundação em 1966, a democracia assegurada pelo voto do Povo através de vários partidos políticos. Impregnado deste valor, Jonas Savimbi, lutou com ele contra o colonialismo e o exclusivismo do sistema monopartidário.


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