BANCA EM ALTA, ECONOMIA A OSCILAR E CIDADÃOS EM SOFRIMENTO

A banca angolana registou em 2025 resultados líquidos de 1 bilião de kwanzas (947 milhões de euros), um aumento de 23% face ao período homólogo, liderados pelo Banco Angolano de Investimentos (BAI), segundo um estudo da Deloitte Angola.

O crescimento foi impulsionado pelo crescimento da margem financeira, pela margem complementar e pelos resultados cambiais, que totalizaram 429.265 milhões de kwanzas (402 milhões de euros), reflexo do aumento das operações de “trade finance” (financiamento ao comércio externo), transações cambiais e venda de divisas.

O estudo Banca em Análise 2026, hoje apresentado em Luanda, abrange os 21 bancos em actividade em Angola em 2025, menos um face a 2024, na sequência da dissolução voluntária do Banco VTB África e não incorporou informação financeira do Access Bank Angola e do Banco de Negócios Internacional (BNI), que não publicaram as respectivas contas dentro do prazo legal.

No “ranking” dos resultados líquidos, o BAI assumiu a liderança do sector com 295.682 milhões de kwanzas (277 milhões de euros), ultrapassando o Banco de Fomento Angola (BFA), que registou 230.622 milhões de kwanzas (216 milhões de euros) e havia liderado nos dois anos anteriores.

O Standard Bank de Angola (SBA) ficou na terceira posição seguido do Banco KEVE e do Banco de Comércio e Indústria, sendo que os cinco maiores bancos concentraram cerca de 78% dos resultados líquidos do sector, mostrando a forte concentração do sector.

O Banco Sol foi o único banco a registar resultado líquido negativo, com prejuízo de 5.405 milhões de kwanzas (5,1 milhões de euros), em linha com o Plano de Recapitalização e Reestruturação em curso.

O Banco Económico (BE) regressou ao lucro pela primeira vez desde 2021, enquanto o Banco de Poupança e Crédito (BPC) caiu da quarta para a 20.ª posição, resultado justificado com “reversões de imparidades não recorrentes”.

O crédito líquido concedido a clientes cresceu 23,3% para 7,08 biliões de kwanzas (6,64 mil milhões de euros), acima da média anual dos últimos cinco anos (18,7%), com o rácio de transformação a subir 4,3 pontos percentuais para 36,3%.

Apesar da melhoria, Angola mantém um rácio crédito/produto interno bruto (PIB) de apenas 7,83%, face a cerca de 56% em Portugal e 67% na África do Sul, evidenciando, segundo a Deloitte, um défice estrutural na função de intermediação financeira.

O rácio de crédito vencido melhorou de 20,2% para 18,0%, embora o estudo alerte que o forte crescimento da carteira pode produzir um efeito de diluição estatística deste indicador.

O rácio de fundos próprios regulamentares situou-se em 23,2%, mais 2,3 pontos percentuais face a 2024 e acima do mínimo regulamentar de 8%.

Os activos totais do setor cresceram 11,5% para 26,32 biliões de kwanzas (24,66 mil milhões de euros), com o crédito a representar 27% do total — mais 3 pontos percentuais do que em 2024 — e os títulos e valores mobiliários a corresponderem a 35%.

No entanto, como destacou o presidente da Deloitte Angola durante a apresentação, há ainda “um longo trabalho a fazer”, já que o peso dos activos bancários continua “diminuto” e é inferior a outros países da região como Nigéria e África do Sul.

O estudo realça também a expansão do mercado de capitais, com a capitalização bolsista da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva) a ultrapassar pela primeira vez os quatro biliões de kwanzas (3,91 mil milhões de euros) em 2025, um crescimento homólogo de 202%, actualmente com cinco empresas cotadas — BAI, Banco Caixa Geral Angola, S.A. (BCGA), Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA), Bodiva e BFA.

A Oferta Pública Inicial (OPI) do BFA foi a maior operação já realizada no mercado angolano, captando cerca de 220.900 milhões de kwanzas (207 milhões de euros) e, para 2026, estão previstas as OPI da Unitel e do SBA no âmbito do Programa de Privatizações do Estado (Propriv).

Outro dos destaques do estudo é o avanço da digitalização no sector bancário: o Multicaixa Express concentrou 60% das operações da rede Multicaixa em 2025, e o KWiK — Kwanza Instantâneo processou aproximadamente 35 milhões de transferências instantâneas.

O número de transações nos meios electrónicos de pagamento cresceu cerca de 50% em 2025, com os valores movimentados a subir 31,5%, segundo dados da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS).

A rede de agentes de pagamento cresceu 63,4% para 11.830 pontos, e o número de agentes bancários aumentou 43% para 7.043, segundo dados do BNA, em contraste com a diminuição do número de agências.

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