ATAQUE PÕE MILHÕES DE CLIENTES DA UNITEL SEM REDE

A maior operadora de telecomunicações de Angola, a Unitel, está sem rede em todo o país desde esta madrugada devido a um ataque informático, na véspera da estreia em bolsa, comunicou a empresa.

Em comunicado, a Unitel indicou que o ataque cibernético à sua infra-estrutura tecnológica foi registado cerca das 02:20 desta terça-feira e teve impacto nos serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional.

A operadora adiantou que activou de imediato os mecanismos de resposta e contenção e que as equipas técnicas e de cibersegurança “continuam a trabalhar para mitigar os efeitos do incidente e assegurar a reposição integral dos serviços”, que se mantêm condicionados.

Clientes particulares e empresariais contactados pela Lusa queixaram-se de constrangimentos no acesso aos serviços que dependem da rede móvel, desde a impossibilidade de fazer telefonemas à utilização de táxis por aplicação ou usar a Internet em casa.

No sector empresarial, a indisponibilidade dos sistemas informáticos está a dificultar a facturação e os contactos com clientes e fornecedores.

“Dificuldades nas marcações, falta de comunicação com clientes e fornecedores, agendamentos e atrasos, tempo de espera, falta de comunicação com o ‘call center’, emissão de facturas, recibos e validação de processos com seguradoras — uma dor de cabeça”, lamentou a responsável de uma clínica, sublinhando que, embora a empresa seja alheia à falha, o mau serviço tem um impacto negativo na experiência do utente e faz aumentar as reclamações.

Algumas empresas estão a recorrer a outros operadores e a mobilizar recursos adicionais “para assegurar a continuidade dos serviços essenciais e a recuperação da informação após o restabelecimento da rede”, adiantou a mesma fonte.

Outros clientes ouvidos pela Lusa queixaram-se da falta de qualidade do serviço da Unitel nos últimos tempos e da ausência de resposta da empresa.

A falha ocorre a um dia da estreia da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), prevista para quarta-feira, que marca a entrada em negociação das acções da operadora na sequência da privatização de 15% do capital.

No âmbito dessa operação, o Estado angolano vendeu, através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), 7,5 milhões de acções — 13% destinados ao público em geral e 2% reservados aos trabalhadores —, num processo de oferta pública que decorreu entre 6 e 24 de Julho, gerando um encaixe de quase 300 milhões de euros para o Estado angolano.

Segundo o Relatório & Contas de 2025, a Unitel conta com 20,8 milhões de clientes e detém uma quota de mercado de 76%. A empresa opera também em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde.

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