Um dos penduras no Orçamento Geral do Estado, instalado num órgão de comunicação social oficial, ao serviço do MPLA, está muito chateado porque criticaram os pontapés na gramática, os erros ortográficos e a construção das notícias.

Por Domingos Kambunji

Todas as pessoas cometem erros de diferentes tipos na elaboração de uma mensagem, mas o que acontece na realidade é que esse órgão de comunicação, parasitando o dinheiro de todos os angolanos, exagera na manipulação da mensagem, fanaticamente subserviente ao partido no poder há 45 anos.

O subdirector, com lágrimas de jacaré, chora, chora para que todos sejam condescendentes com a falta de imparcialidade deste órgão de comunicação servente de um partido angolano, dos mais sanguinários e corruptos em África, o que prometeu “Angola a crescer mais e a distribuir melhor” pelos dirigentes do MPLA. O partido político que, em qualidade de vida em geral, colocou o nosso país no lugar 156 a nível mundial, com um governo que tenta mostrar muita banga mas está no grupo dos mais matumbos e incompetentes.

Nesse, como nos outros órgãos de comunicação social do Estado, é muito importante um espirro ou um arroto do presidente do partido com uma triste história sanguinária e cleptocrática, da vice-presidente do partido, da secretária-geral da OMA ou do secretário nacional da JMPLA, muito mais do que a ambição de independência e a evolução para um comportamento jornalístico adulto e inteligente.

São muitas as anedotas jornalísticas noticiadas por este órgão de comunicação parasitário do dinheiro do Estado. Recentemente distorceu um texto crítico e sarcástico sobre o assassino Agostinho Neto, talvez por incapacidade de demonstrar um raciocínio inteligente, e resolveu ir entrevistar os aduladores das “vacas sagradas” para tentar destruir um jornalista que, desde há muito tempo luta pela Liberdade de Expressão, Democracia, maior justiça social e contra a corrupção do partido maioritário, e que não foi o autor desse texto.

Num acto de contrição, não sabemos se sincero ou hipócrita, o sub-soba desse órgão de comunicação, colonizado pelo MPLA, veio a terreiro lamentar a fraca formação dos moços de recados em que são subdelegados os serviços que deveriam ser efectuados por jornalistas a sério, competentes, imparciais. Juramos que não estamos a confundir o todo com as partes porque, de facto, as partes fazem o todo.

Tal como faz o governo, a desculpa rasca do sub-soba para a falta de qualidade jornalística é culpa do Covid-19. A pandemia “interrompeu acções de formação no local de trabalho” para um desempenho mais competente e profissional…

Nos países onde se pratica um jornalismo a sério, independente e adulto, a formação dos jornalistas é efectuada antes de estes se candidatarem aos postos de trabalho. As acções de formação contínua não são para ensinar a ler, a escrever, a falar e a pensar, consistem na especialização nas áreas para as quais os profissionais estão mais vocacionados. Os mais bem formados, com uma inteligência mais acutilante, auferem salários de muitos milhões de dólares ou euros e não são tapetes do poder instalado.

No nosso país temos vários exemplos de jornalistas deste tipo, que não nasceram para fazer o frete ao paternalismo matumbo governamental e que, muito recentemente, foram acusados pelo órgão de comunicação social do sub-soba de serem traidores à pátria e pertencerem a uma organização de malfeitores por desmascararem a ditadura e a corrupção do partido que se governa em Angola há cerca de 45 anos.

O subalterno do director, numa confissão demasiado dramática, revela que o Sistema de Ensino da Angola do MPLA é uma trafulhice. Atribui diplomas universitários a jovens adultos angolanos demasiadamente impreparados e mal formados. Esta é uma maneira de enganar a juventude, para minorar os números estatísticos do desemprego, mantendo-os em universidades de qualidade muito duvidosa?

“O nosso corpo redactorial é composto, sobretudo, por jovens, rapazes e raparigas, formados em universidades angolanas, estas mesmas, frequentemente acusadas de debilidades no processo de ensino e aprendizagem”…

De quem é a culpa para o fraco desempenho profissional? Dos jovens ou de quem os contrata no mercado de trabalho? É normal, um hábito e uma rotina demasiado primitivas, na cultura imposta pelo MPLA, empurrar o fracasso com a barriga e culpar outros, num processo que os psicólogos classificam como projecção ou agressão deslocada.

Esta confissão só vem demonstrar que esse órgão parasitário dos dinheiros públicos é medíocre, quer pela falta de qualidade dos jovens que emprega para a actividade jornalística, quer pelo departamento de recursos humanos, que admite para o elenco profissional pessoas preparadas e mal formadas.

Continuamos a não confundir o todo pelas partes porque as partes reunidas são o todo…

“Chorar baba e ranho de todo o tamanho” não vai modificar a percepção geral sobre este órgão da comunicação social colonizado pelo MPLA. Está demasiado dependente das ordens superiores baixadas pela oligarquia dominante para poder ser independente, honesto competente.

Esta não é uma perspectiva “enviesada, distorcida, à luz de juízos preconcebidos, pelos críticos de sempre”. Não somos fiéis de um partido político ou militantes de uma religião. Não dependemos de uma oligarquia despótica para poder viver. Também estudámos, não num sistema escolar que oferece diplomas a analfabetos sistémicos. Estamos conscientes de que não somos donos de toda a razão e a nossa vida tem sido e continuará a ser uma aprendizagem contínua, nunca subserviente.

Este “contratado” não passa de um Rei Midas, versão MPLA, que em vez de ouro, produz demasiada escatologia.