Porra! Porra! É demais, é mesmo canibalesco, o silêncio cúmplice. Por isso hoje, aqui e agora, manifesto a minha indignação ante a aselhice da elite assimilada, complexada e inculta, que nos (des)governa, ante os insultos diários passados na comunicação social, por uma seita religiosa estrangeira, accionista do maior supermercado da fé a operar, com requintes de malvadez diabólica, no território nacional.

Por William Tonet

Dá nojo, revolta, vontade de partir para a retaliação… verbal, ao assistir, dia após dia, aos ataques dos comerciantes brasileiros da fé, nas emissões na TV Record-Brasil e TV Zimbo, onde toneladas de ofensas anti-religiosas são vertidas, tais como: Rebeldes; agressores; invasores; bandidos; gatunos; protegidos da Polícia; incompetência do Ministério Público; cumplicidade do ministro do Interior e da Justiça e outros epítetos, que se não envergonham o Presidente da República, os ministros e os deputados do MPLA, envergonham até ao tutano a maioria dos angolanos, que se revolta com o topete deste supermercado da fé, que actua e acusa com a maior desfaçatez, quase parecendo ter uma procuração plenipotenciária de um “deus” superior.

Uma congregação de África, liderada por bispos e pastores africanos, a insultar, na comunicação social, tudo e todos, seguramente, o Titular do Poder Executivo, já os tinha (com justa causa) expulso de Angola, nem que fosse de piroga. Se fossem angolanos, do Sul, Cabindas ou Bakongos estariam atrás das grades, depois de uma boa sessão de porrada policial, que o digam Raul Tati, Casimiro Congo, Kalupeteka, entre outros.

Agora, com que direito uma seita religiosa e criminosa brasileira, que não representa o Estado, nem a totalidade dos cidadãos do Brasil, criada por um homem considerado pelos seus compatriotas como de muito baixa índole, tem o desplante de transformar uma briga interna, num assunto de Estado ao ponto do embaixador do Brasil, Paulino Franco de Carvalho, numa das emissões que vêm sendo transmitidas pela TV Zimbo, de 9 a 18.07, ter extrapolado o papel de um diplomata num país estrangeiro, ao acusar os pastores angolanos de “ex-pastores e esses invasores das propriedades da Igreja Universal, devem abandoná-las”.

Como é que, impunemente, um embaixador (servo submisso de interesses pecaminosos mas certamente bem pagos) chama invasores, aos pastores angolanos? Invadiram a Baía ou o Rio de Janeiro?

Ele é juiz ou já existe decisão judicial colocando-os neste patamar? Ouviu, enquanto diplomata, a parte angolana? Estes, justa ou injustamente, acusam alguns bispos e pastores brasileiros (não todos) de práticas atentatórias ao bom exercício eclesiástico, tais como discriminação, racismo e evasão de capitais?

No Brasil, um pastor angolano, preto, mesmo que mancomunado com brasileiros do Zumbi dos Palmares, não ousaria (sob pena de carimbo de expulsão imediata), atacar as autoridades brasileiras desta forma…

O embaixador do Brasil, país amigo (primeiro a reconhecer a independência de Angola), deve ser mais comedido, na fala, não misturar alho com bugalhos, como se alinhado na abjecta lógica da superioridade do religioso branco, que vem evangelizar o africano preto, burgesso, pré-histórico, sem direitos de reivindicar. E se este o fizer, mesmo com legitimidade, recebe uma praga de ataques de baixo coturno, no caso, até de parlamentares e políticos brasileiros, desinformados sobre a realidade dos factos.

O emotivo e controverso deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro, tratou as autoridades angolanas, como uma espécie de seres menores, matumbos, ao exigir, “uma resolução civilizada dos conflitos”; enquanto o senador Nelsinho disse: “Repudiar veementemente as agressões dos rebeldes. É preciso restituir as propriedades ”, uma expressão utilizada por Edir Macedo. O deputado Major Olímpio foi mais longe: “Vamos seguir para Angola exigindo reciprocidade”, para Marcos Val ousar: “vamos pressionar o governo angolano a tomar uma atitude face aos rebeldes e esse país precisa de rever a Constituição”.

E, no fecho, por ser a IURD uma aliada eleitoral de Jair Messias Bolsonaro, num gesto de retribuição de favores, o actual presidente da República Federativa do Brasil endereça uma carta ao seu homólogo angolano, onde apela a apoio face à atitude de agressão aos brasileiros (esquecendo-se que a IURD não representa a totalidade da comunidade brasileira em Angola).

Tudo isso face à agitação, do embaixador Paulino Franco que incentivou os bispos, pastores e mulheres a escreverem cartas dirigidas ao Itamaraty (MIREX/Brasil) e ao Presidente Jair Bolsonaro, numa declarada atitude inamistosa e incendiária, atentatória da honra e pujança, que a diplomacia brasileira já chegou a granjear no período dos governos de Lula da Silva e do PT, por isso, o Ministério das Relações Exteriores não pode deixar passar em branco.

A atitude e linguagem torpe do diplomata, confunde se estamos diante de um embaixador da IURD ou da República Federativa do Brasil, responsável pela preservação das relações entre os Estados e segurança da totalidade dos cidadãos brasileiros residentes em Angola.

Quando Paulino fala de propriedades da ala brasileira da IURD importa questionar se este supermercado da fé brasileiro, ao chegar a Angola agiu de acordo com a Lei de Investimento Estrangeiro, registando-se, à época, na ANIP, declarando os milhões de dólares trazidos e o consequente depósito, no Banco Nacional de Angola, como alavanca justificativa para reclamação e expatriação de lucros e capitais…

E colocando mais gasolina, na fogueira, o alegado bispo responsável deste supermercado da fé, em Angola, Honorilton Gonçalves (num país sério teria sido considerado persona non grata e expulso) demonstrando estranha imunidade acusa, mais uma vez, “o comportamento da Polícia e do ministro do Interior, porque os rebeldes continuam a invadiram as nossas igrejas, porque quem está detrás deles é alguém muito forte”, denunciou.

Não há nada de mais perigoso que um lobo vestido na pele de cordeiro. Melhor. Mais perigoso é as autoridades saberem que ele é um lobo faminto mas teimarem em vê-lo como cordeiro.

Diante deste quadro, é possível que a seita IURD e o seu conflituoso líder, Edir Macedo tenha untado (corrompido) a mão de dirigentes partidocratas, ao ponto de condicionar as suas acções, mesmo quando agredidos, na sua dignidade e honra como dirigentes, na própria terra. É triste, mas todos os indícios apontam nesse sentido. Quando um governante perde a dignidade, deixando-se amesquinhar, o melhor mesmo é abdicar de todos os cargos, certo que pode estar de os seus cidadãos o considerarem um traidor, um mercenário, um corrupto.

Existindo algumas provas, seguramente, há milhares de fortes indícios de contrapartidas monetárias e outras tantas acções políticas da seita, desde logo, com emissões “manteiga” na TV Record, a favor, exclusivamente, do partido no poder.

Com a fé muita coisa é imprevisível, na política não há coincidências nem almoços grátis, o império é a previsibilidade da manha para a manutenção do poder, de um e a impunidade religiosa de outro.

Isso ficou demonstrado, quando com premeditação e dolo, a Igreja Universal, saiu ilibada, depois de numa enganosa acção de marketing, no dia 1 de Janeiro de 2014, ter atraído para o pavilhão da Cidadela, em Luanda, 152 mil fiéis, quando a lotação estimada é de 30 mil pessoas, originando, a morte de 16 angolanos.

A seita apenas esteve suspensa por 60 dias, os pastores e bispos brasileiros foram absolvidos e o caso judicial deu em nada, um ano depois.

Mas, para espanto geral e, aqui, emerge a denúncia do tráfico de influência e corrupção, outras seitas que nada tiveram a ver com o caso, fruto de acusação caluniosa, por parte de Edir Macedo, estranhamente, acolhida pela Procuradoria-Geral da República, viram as suas portas encerradas, por mais de dois anos, nomeadamente; Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Mundial Renovada e Igreja Evangélica Pentecostal Nova Jerusalém.

Ao que tudo indica, a PGR e os tribunais teriam recebido ordens partidocratas, para ilibar a responsabilidade deste supermercado da fé, face à cumplicidade com grupos governamentais, que corrompidos se calam, mesmo em prejuízo do país…

Ninguém pode ser molestado, discriminado ou despido de direitos por estar a viver distante do seu solo pátrio, mas tem, nessa condição, de respeitar as leis e Constituição do país de acolhimento o que não acontece com esta seita, em Angola.

Daí a pergunta. Num caso flagrante como este, em que a ofensa ao bom nome, sofre, diariamente, agressões verbais abjectas de cariz colonialista religioso e racista, por parte desta seita religiosa estrangeira, porque se demite de agir o Titular do Poder Executivo e, se tornam cúmplices, o bureau político do MPLA, a Fundação Agostinho Neto, a ERCA, os bocas de aluguer, Luís Neto Kiambata, Paulo de Carvalho, João Pinto, Cornélio Caley, Jorge Valentim, Adelino de Almeida, ao não solicitarem o encerramento de programas televisivos e radiofónicos ofensivos a honra e dignidade dos angolanos?

Definitivamente, não quero acreditar que a elite dirigente de Angola prefira ser vista como uma casta sem vergonha, incapaz de defender, verdadeiramente, os direitos e garantias fundamentais dos povos angolanos, face à força do dinheiro de “sangue”, dado por seita estrangeira, para defender o seu projecto de poder, mesmo quando vilipendiados.

Eu condeno o executivo em muitos aspectos, no quadro dos limites e longitude conferida pelas minhas secundinas, enterradas por debaixo de uma árvore secular angolana, mas não lembra ao diabo ter ousado tanto, nem se teria a coragem de o fazer em terra alheia, com tamanha desfaçatez, verborreia sacana e sarcástica, como estes gerentes de supermercado da fé, fazem todos os dias, na TV Zimbo.

Tudo tem limites e se as autoridades angolanas continuarem a demonstrar só serem gigantes contra os fracos, os religiosos do Sul de Angola, como Kalupeteka, por defenderem congregações de cariz angolano e africano, mas autênticos bananas quando se trata de comerciantes estrangeiros da fé, os patriotas de bem, têm de dar um basta, principalmente, no tocante às ofensas, intentando uma providência cautelar, para suspensão das emissões televisivas e radiofónicas, por destilarem ódio, racismo, discriminação, calúnia e ofensa, até às autoridades públicas, enquanto decorrer o processo principal.

Chega! Basta! Vamos todos, não só os da Igreja Universal, que devem abdicar do sotaque brasileiro, para acautelar eventuais conflitos e agressões físicas, dada a subida do tom provocador, subscrever, enquanto angolanos livres, tolerantes, democratas e cristãos, que não se revêem na linguagem odiosa, racista, de viés colonialista e de superioridade rácica, da IURD-Brasil/Edir Macedo, vertida diariamente na TV ZIMBO, TV Record, uma PETIÇÃO de resgate do orgulho de ser angolano.