A consultora Oxford Economics anunciou que vai rever “drasticamente em baixa” as previsões económicas para Angola, antecipando para este ano uma recessão maior que 2% e um desequilíbrio negativo na balança orçamental e corrente. A culpa é dos inimigos do MPLA, a saber (por ordem mais ou menos cronológica): colonialismo, UNITA, Savimbi, José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, petróleo e Covid-19.

“V amos rever drasticamente em baixa a previsão de crescimento económico e as métricas da dívida, já que esperamos que o crescimento económico registe uma contracção de mais de 2% em 2020 e que o saldo orçamental e corrente registe défices, ao invés dos excedentes que prevíamos”, lê-se na análise enviada aos clientes.

No documento, a Oxford Economics sugere que Angola está a enfrentar uma espécie de ‘tempestade perfeita’, com a quebra dos preços do petróleo exacerbada pela guerra de preços entre a Rússia e a Arábia Saudita, a redução drástica do comércio internacional e da procura de petróleo, a que se junta o corte decretado na actividade económica local por via das restrições à mobilidade para conter a propagação do novo coronavírus.

“Enquanto estiver em efeito, o fecho de fronteiras vai ter um efeito adverso significativo, embora talvez temporário no comércio e na actividade económica e vai empurrar os preços para cima devido à escassez”, apontaram os analistas.

No texto, os analistas lembraram que “a guerra de preços no petróleo é um golpe devastador para a economia, já que os hidrocarbonetos valem 96% das exportações, cerca de 33% do Produto Interno Bruto e 60% da receita governamental”, concluindo que o apoio contemplado no programa de assistência do Fundo Monetário Internacional não vai ser suficiente para “salvar a economia das consequências da guerra de preços”.

Na sexta-feira, a ministra das Finanças de Angola, Vera Daves, reconheceu a dimensão do problema que o país enfrenta, tendo anunciado que ia lançar um orçamento rectificativo que contempla o preço do petróleo abaixo dos 35 dólares, face aos 55 previstos para este ano, e que a economia dificilmente escapará a mais um ano de crescimento negativo, anunciando igualmente um conjunto de medidas para enfrentar a crise económica.

Com este enquadramento e como resultado de os peritos do MPLA não terem encontrado, ao longo dos últimos 45 anos, o caminho (marítimo ou terrestre) para a diversificação económica, a Oxford Economics considera que Angola vai ser obrigada a recorrer a investimentos externos, mais financiamento do FMI, emissões de dívida soberana e ajuda externa para financiar as contas públicas durante a crise económica, financeira e social concebida, parida e mantida pelo MPLA.

“Infelizmente, as autoridades encontram-se numa situação com pouca margem para estimular a economia seja através da política orçamental, seja através da política monetária”, escreveram os analistas numa nota sobre o país.

Na análise, a Oxford Economics afirma que “o Governo vai ter de rever em baixa a despesa orçamental no orçamento rectificado e terá de depender dos fluxos de investimento directo estrangeiro, mais desembolsos do FMI, emissões de Eurobonds e ajuda externa para financiar o défice externo”.

De acordo com o texto, enviado aos clientes, na semana seguinte à Standard & Poor’s (S&P) ter descido o rating do país, a Oxford Economics diz que “para tornar as coisas ainda piores, a pandemia global da Covid-19 e o início das infecções forçou o governo a impor uma quarentena de 15 dias”.

Para a Oxford Economics, depois da Fitch, no princípio do mês, e a da S&P, mais para o fim de Março, também a Moody’s deverá baixar o rating nos próximos tempos.

“É razoável antecipar que a habitualmente mais lenta Moody’s também corte o rating em um nível nos próximos meses”, concluíram os analistas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil. Dos casos de infecção, pelo menos 148.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 413 mil infectados e mais de 26.500 mortos, é aquele onde se regista actualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 11.591 mortos em 101.739 casos confirmados até hoje.

O número de mortes em África subiu para pelo menos 152, com 4.871 infectados acumulados em 46 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia divulgadas pelo Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) da União Africana.

Folha 8 com Lusa