Como povo poliglota, sobretudo porque graças a um sistema escolar implantado pelo MPLA ao longo de 45 anos, falamos todas as línguas até mesmo quase o português, consta que Angola tem 4,5 milhões de falantes de francês, sendo por isso o país lusófono mais francófono de África.

E assim sendo, Angola pode recolher benefícios económicos da sua adesão à Francofonia, afirmou hoje a presidente do grupo dos embaixadores francófonos em Angola, marroquina Saadia El Alaoui.

Falando no âmbito do cinquentenário da Organização Internacional da Francofonia (OIF), criada a 20 de Março de 1970 em Niamey (Níger), a diplomata marroquina Saadia El Alaoui lembrou que Angola já fez o seu pedido de adesão como membro observador da OIF e espera que esta se concretize “o mais brevemente possível”.

A embaixadora apontou razões históricas e geográficas que explicam que Angola seja “entre os países lusófonos o mais francófono,” com 15% da população, ou seja 4,5 milhões de pessoas, que falam, compreendem ou têm uma vaga ideia do francês, salientando que a francofonia é uma realidade já presente em Angola.

“Encontramos o francês em cada canto, em cada rua”, sublinhou Saadia El Alaoui, indicando que é já “enorme” o intercâmbio de Angola com o mundo francófono, seja a nível de migrações, tradições culturais ou aspectos económicos. Aliás, em qualquer canto, se “haver” necessidade vemos o “compromíssio” de o pessoal mostrar o seu poliglotismo dizendo: “I like bananas, because na pas de caroço”.

“Além da dimensão política e cultural, a francofonia inscreve-se igualmente numa agenda económica com aspectos que beneficiam os países do espaço francófono”, realçou a diplomata, acrescentando que as “redes de cooperação sul-sul” são “pertinentes para todos os países africanos”.

Angola faz fronteira com quatro países, a Namíbia, a Zâmbia, a República Democrática do Congo e a República do Congo, sendo estes dois últimos, de língua francesa, os que partilham maior área fronteiriça com o território angolano.

O executivo angolano oficializou no dia 17 de Maio de 2019, em Paris, França, a candidatura do país a membro observador da OIF.

Na altura, o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, explicou que a intenção se baseia no facto de Angola ter relações privilegiadas com países francófonos e pretender reforçar a integração com a comunidade francófona.

Em Julho do ano passado, o embaixador de França acreditado em Luanda, Sylvain Itté, anunciou que Angola poderá ser admitida na OIF em breve, durante a 19.ª cimeira de chefes de Estado e de Governo deste bloco, a realizar-se no final do ano na capital tunisina, Tunes. A OIF conta actualmente com 56 estados membros e 14 observadores.

O francês é falado actualmente por cerca de 300 milhões de pessoas, prevendo-se que em 2050 esse número aumente para 715 milhões de francófonos, dos quais 500 milhões serão africanos.

O Grupo dos Embaixadores Francófonos foi criado em Luanda, no ano passado, com o objectivo de organizar intercâmbios, acompanhar as autoridades angolanas na implementação dos compromissos francófonos de Angola e promover a francofonia nos planos político, económico, ético, cultural, linguístico e educativo.

O ideal seria a… “Fiadofonia”

A candidatura foi entregue pelo ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, à directora-geral da OIF, Louise Mushikiwabo, num acto que o chefe da diplomacia de Angola afirmou marcar “a materialização de um desejo expresso publicamente” pelo Presidente João Lourenço. E, como todos sabemos, um desejo do Presidente é uma ordem. E quem não cumprir as suas (des)ordens já sabe o que lhe toca.

A decisão, prosseguiu o ministro, baseia-se no facto de Angola possuir relações “privilegiadas” com países francófonos, além de permitir reforçar a integração com os vizinhos, em particular, e com a comunidade francófona, em geral.

Tem, mais uma vez, toda a razão. Mas, como sabemos, a Angola do MPLA tem também relações “privilegiadas” com países que vivem do fiado, o que seria razão bastante para fundar a Organização Internacional dos Fiado-Dependentes.

A adesão tem o “objectivo estratégico da inserção de Angola no concerto das Nações”, sublinhou Manuel Augusto, que, na notícia da Angop, não refere as razões para o país não ter apresentado o pedido para se tornar membro de pleno direito.

A intenção de Angola aderir, com o estatuto de observador, à OIF foi apresentada em fins de Maio de 2018, num encontro que João Lourenço teve com o homólogo francês, Emmanuel Macron, no âmbito da visita oficial a França, em que o chefe de Estado gaulês manifestou o seu apoio.

“Quero reafirmar aqui a vontade de Angola em estreitar cada vez mais as nossas relações. Daí o facto de termos manifestado também o interesse em sermos membros, de alguma forma, como observadores ou membros de pleno direito, da OIF, pelo importante papel que esta organização joga no mundo, mas muito em particular no nosso continente, em África”, afirmou então João Lourenço.

“Quero agradecer por ter decidido ter um papel acrescido na francofonia – você percebe perfeitamente francês – e espero que, no âmbito das ambições para a francofonia que temos todos, o seu país possa ter o seu lugar pleno”, afirmou Macron.

No caso da Francofonia ou da Commonwealth ou da futura Fiadofonia é compreensível a tese de João Lourenço. O MPLA quer que Angola pertença a organizações que não chateiem, que façam o que o regime mais gosta: bajulem, aceitem a corrupção (soft, no caso) e estejam nas tintas para os 20 milhões de angolanos pobres. Simples.

“A exemplo do que se passa com Moçambique, que está ali encravado entre países anglófonos (…) e acabou por aderir à Commonwealth, também Angola está cercada, não por países lusófonos, mas por países francófonos e anglófonos. Portanto, não se admirem que estejamos a pedir agora a adesão à francofonia e que daqui a uns dias estejamos a pedir também a adesão à Commonwealth”, apontou João Lourenço.

Não. Não nos admiramos. Aliás só nos poderíamos admirar se a Angola do MPLA fosse um Estado de Direito. Como não é, tudo é possível. Num estado esclavagista é mesmo assim. Meia dúzia de senhores feudais mandam nos escravos e estes obedecem, limitando-se a ter panos ruins, peixe podre, fuba podre e a levar porrada quando refilam.

Folha 8 com Lusa