O jornal de Angola do MPLA, uma filial da ERCA do Adelino Almeida, num rasgo que só pode ser de comédia pateta, agora vem a público dar lições do que é democracia e liberdade de expressão? O jornal de Angola do MPLA que propagandeou a decisão do assassino Agostinho Neto para o MPLA iniciar uma guerra civil e mandar o MPLA fuzilar dezenas de milhar de angolanos, sem julgamento prévio, para impor uma ditadura marxista-leninista fracassada, quer dar aulas do que é democracia e liberdade de expressão?

Por Domingos Kambunji

O jornal de Angola do MPLA, que disse que o MPLA construiu uma economia sólida e diversificada e agora diz que o país está num “emaranhado de problemas financeiros, económicos e sociais” (uma entropia gerada pelo MPLA)?

O jornal de Angola que afirmava que o Rafael Marques e o William Tonet eram traidores à Pátria, agentes do imperialismo capitalista internacional, inimigos do povo angolano por defenderem a democracia, a liberdade de expressão e manifestarem-se contra a corrupção do MPLA? O jornal da Angola do MPLA que afirmava que os Revus pertenciam a uma organização de malfeitores porque se manifestavam em defesa da democracia e dos direitos humanos e contra a corrupção e nepotismo do MPLA?

É este jornal de Angola que quer convencer os matumbos de que defende um Estado de Direito Democrático? Só se for um Estado de Direito Democrático Moribundo ou em Estado de Calamidade! Os jacarés agora quer que acreditemos que mutaram para pombas brancas?

Há 45 anos que este jornal de Angola do MPLA anda a dizer que o MPLA está a construir as bases sólidas para uma economia e sociedade em geral de prosperidade. Porque será que os trolhas encarregados dessa obra colocaram o nosso país no lugar 156 a nível mundial, entre os mais atrasados em desenvolvimento inteligente e sustentado? A culpa é dos trolhas do MPLA, que andam a construir esses alicerces há 45 anos, ou é do cimento fabricado no Bureau Político do Comité Central do MPLA, ou na Fundação Agostinho Neto?

O jornal de Angola do MPLA quer dar lições sobre liberdade de pensamento e de expressão? No país que está no lugar 146 a nível mundial em liberdade de pensamento e expressão e no lugar 157 a nível mundial em educação?

Não faltam por aí analfabetos sistémicos a armarem-se em grandes génios das ciências e das artes… “Cabeças de pedra rolando na lama”. Não nos esqueçamos de que este é o país do qual “até o satélite Ango-Rússia 1 fugiu dos governantes, pediu asilo político no espaço, em lugar incerto, impossível de ser notificado pela Procuradoria Geral da Reipública do MPLA para responder à acusação de traição”.

É este o jornal de Angola do MPLA que diz que em Angola há cidadãos, sem certidão de nascimento passada pelo governo do MPLA, com cartão de eleitor, a morrerem “devido à seca”, um sofisma muito usado pelo MPLA para disfarçar a fome. São vários os países e as regiões onde a pluviosidade é muito reduzida, onde quase nunca chove, e não há pessoas a morrerem devido à fome e à mortalidade infantil provocadas pela negligência e incompetência, porque não são governados pelo MPLA.

A mais recente falácia que o jornal de Angola do MPLA tem propagandeado é o programa Kwenda. O governo do MPLA, patrão do jornal de Angola do MPLA, vai passar a dar um subsídio de 8 333 kwanzas por mês, cerca de 14 dólares, o salário por hora de um cidadão de uma classe média baixa num país desenvolvido, para retirar da pobreza milhões de angolanos e transformar os pobres em empresários de sucesso na agricultura e nos negócios. Os cleptómanos do MPLA, que tanto roubaram dos cofres do Estado, gozam de imunidade cleptocrática e aparecem em fotografias publicadas no jornal de Angola do MPLA a brincar à caridadezinha…

O que pretende o jornal de Angola do MPLA, mascarado de mestre em democracia e liberdade de pensamento e opinião? Quer que os familiares das vítimas fuziladas por ordem de Agostinho Neto peçam desculpa ao MPLA por os seus familiares terem sido traidores e terem morrido devido às balas disparadas pelo MPLA?

Ou querem que os familiares dos angolanos mortos durante a guerra civil, iniciada pelo MPLA, peçam desculpa por terem morrido devido à falácia do MPLA de tentar impor uma ditadura marxista-leninista que fracassou?

Ou ainda exigir um pedido de desculpa, apresentado na Fundação Agostinho Neto, aos familiares dos angolanos que morreram devido à fome e à mortalidade infantil, provocada pela incompetência e negligência dos 45 anos de governo do MPLA, sempre muito elogiada pelo jornal de Angola do MPLA?

Ou quer que o assassino Agostinho Neto, pai dos fuzilamentos do 27 de Maio e fundador da guerra civil no nosso país, seja considerado um herói, o Patrono da Comissão de Paz e Reconciliação Nacional?

Alguém disse: O MPLA anda a construir muitíssimos cemitérios para enterrar o sonho e a esperança dos angolanos…. São os cabeças de pedra rolando na lama e os cabeças de lama rolando nas pedras, demasiado assimilados pelas rotinas na escatologia que até são capazes de dizer que as estrumeiras são as mais belas e perfeitas paisagens ecológicas!

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