A partir do dia 17 de Janeiro de 2019 (5ª Feira) pelas 18H30, o Auditório Pepetela do Camões/Centro Cultural Português, em Luanda, vai acolher, mensalmente, o Recital de Poesia “Poeira de Marte”. Nesta 1ª Edição, o Recital terá como Poetas Residentes, José Luís Mendonça, Amélia Dalomba, Lopito Feijóo, António Gonçalves, Cristóvão Neto e Conceição Cristóvão. Como convidados, participarão os jovens Bona Saka, músico compositor e poeta e Elizângela Rita, artista de spoken word.

Segundo o promotor, escritor e poeta José Luís Mendonça, o Recital é um “projecto literário humanista e interplanetário, que visa alertar para os perigos do aquecimento global, numa viagem interplanetária de salvaguarda da espécie”. Em cada edição, “cada um dos Poetas, para além de outra poesia, declamará um poema dedicado ao ambiente e ao lugar que ocupamos no Universo (ou Multiverso)”.

O Recital presta homenagem a grandes figuras da história contemporânea que serviram a causa do ambiente. Entre elas, a queniana, Wangari Maathai, conhecida por “a mãe das árvores” e “Mama Miti”, que recebeu o Prémio Nobel da Paz, em 2004, pela defesa do meio ambiente e da democracia. Sob a égide da defesa do ambiente, foi responsável pelo reflorestamento do Quénia e de mais 13 países africanos, no quadro do qual foram plantados cerca de 35 milhões de árvores. Falecida em 2011.

Homenagem também a Stephen Hawking, um dos mais prestigiados astrofísicos britânicos, falecido em 2018, cujo foco central de investigação foi a preocupação com o futuro da Humanidade face às alterações climáticas. “Uma subida da temperatura do oceano derreteria as calotas polares e libertaria grandes quantidades de dióxido de carbono, cujos efeitos poderiam deixar o nosso clima idêntico ao de Vénus, mas com temperatura de 250ºC”. Cem anos é o prazo dado por Stephen Hawking para o ser humano encontrar outro lugar para morar…

Segundo um relatório publicado em 2018 pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, as mudanças são urgentes e devem operar-se pelos responsáveis políticos de todo o mundo, em múltiplos sectores, designadamente, energia, indústria, habitação e transportes. O derretimento do Árctico e a subida do nível do mar são impactos negativos, já visíveis, das alterações climáticas.

“Os próximos anos são os mais importantes da história da Humanidade. Cabe a cada um de nós proteger o meio ambiente”.

O promotor

José Luís Mendonça nasceu em Angola, em Novembro de 1955, na Comuna da Mussuemba, Município do Golungo Alto.

Licenciado em Direito, jornalista e poeta. Director e Editor-Chefe do Jornal CULTURA, quinzenário angolano de Artes & Letras.

Tem uma vasta obra de poesia e prosa publicada e já conquistou vários prémios, designadamente, Prémio Sagrada Esperança, em 1981; Prémio Angola Trinta Anos, em 2005; Prémio Notícias Gerais da Lusofonia – Concurso CNN Multichoice Jornalista Africano, em 2005; Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Literatura, pela singularidade do seu estilo e valor cultural das temáticas tratadas, em 2015.

Poetas residentes

Amélia Dalomba. Nasceu em Cabinda, Angola em Novembro de 1961. Ambientalista, poetisa, escritora, artista plástica, compositora, intérprete e declamadora.

Tem formação em Economia Política, Jornalismo, Psicologia, Gestão de Empresas, Ambiente e Desenvolvimento.

Foi locutora, redactora, repórter do então Emissor Regional de Cabinda, bem como, do Jornal “A Célula”, Boletim de Informação Interna, em Luanda. Colaboradora da Rádio Romântica-Angola.

É membro de várias Associações, designadamente, Liga Africana-Angola, Associação de Amizade Angola-Cabo Verde, União dos Escritores Angolanos, União dos Artistas e Compositores, Assistente de Direcção da UECA – União de Estudos Espirituais Cristão de Angola, Membro do Jopad – Jornalistas Pelo Ambiente e Desenvolvimento, Movimento Poetas Del Mundo “Movimento (Chile)”, Miradas de Artistas Plásticas (Equador) e Membro da Academia Estudantil de Arte Contemporânea (AEAC) Rio de Janeiro.

Foi galardoada com a Medalha Língua Portuguesa pela Academia Estudantil de Arte Contemporânea (AEAC) e com a Medalha de Ordem do Vulcão de Primeiro Grau pela República de Cabo Verde. Tem uma vasta obra de poesia e prosa publicada.

J.A.S. LOPITO FEIJÓO K., de seu nome próprio, João André da Silva Feijó, nasceu em Malange em 1963. Licenciou-se em Direito na Universidade Agostinho Neto. Foi deputado da Assembleia Nacional. É poeta e crítico literário. Foi membro Fundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e do Colectivo de Trabalhos literários (OHANDANJI). É membro da União dos Escritores Angolanos, onde foi Secretário para as Relações Internacionais. Actualmente, é Presidente da Sociedade Angolana de Direito de Autor (SADIA) e dirige a gazeta de Autores, órgão de divulgação da instituição. É um dos Membros Fundadores da Academia Angolana de Letras.

Foi Fundador da ALPAS 21 – Academia de Artes, Letras e Ciências do Estado Brasileiro do Rio Grande do Sul, onde ocupa a cadeira número 1 para estrangeiros.

É membro correspondente da Academia Brasileira de Poesia Casa Real de Leoni e membro da International Poetry dos EUA e da Maison International de la Poesie, sediada em Bruxelas. O seu nome consta da 10ª edição do International Directory of Distinguished Leadership (2004-2005), do American Biographical Institute, bem como no Dicionário de Autores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (1997).

Tem obras traduzidas para o francês, inglês e italiano e colaboração em publicações em Angola, Portugal, Espanha, Brasil, EUA, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Nigéria e Itália, entre outros países.

António Gonçalves. Nasceu em Luanda em 1960. Concluiu o Curso Pré-Universitário de Ciências Físicas. Frequentou as faculdades de Ciências e Engenharia. Com apenas 20 anos, foi mobilizado para o serviço militar, onde permaneceu durante cinco anos. Integrou a Brigada Jovem de Literatura em 1980. É membro da União dos Escritores Angolanos, da qual foi Secretário Geral. Durante dez anos, foi Conselheiro Cultural da Embaixada de Angola em Cuba. É membro da União de Escritores e Artistas de Cuba, da Organização Poetas do Mundo e do Movimento Poético Mundial. É Director Adjunto do Instituto Nacional das indústrias Culturais, sob Tutela do Ministério da Cultura.

Tem obras publicadas em Angola, Cuba, Nicarágua, Venezuela, Costa Rica, Colômbia, Suécia, Espanha, Alemanha e Portugal.

Em 2008, recebeu a Medalha de Reconhecimento “José Maria Herédia y Herédia”, outorgada pela Direcção Provincial da Cultura de Santiago de Cuba.

Cristóvão Neto. Nasceu em 1964 em Malange. Licenciou-se em Engenharia na ex-URSS. Iniciou-se desde muito cedo na escrita e publicou textos nas revistas Terceiro Mundo e Ngangula. Na ex-URSS, colaborou activamente com o Núcleo local da Brigada Jovem de Literatura de Angola. Publicou várias obras de poesia, designadamente “Sinos D’Alma”, “Pausa”, “Anoiteço”, Cartase”, “Delirium” e “Marcha Lenta”.

Recebeu várias Menções Honrosas, designadamente do Prémio Sonangol, em 1994 e 1998, e do Prémio Cidade de Luanda, em 1997. Tem participado em várias antologias nacionais e estrangeiras. Nos últimos anos, tem-se dedicado à critica crítica literária. É Membro da União dos Escritores Angolanos.

Conceição Luís Cristóvão. Nasceu em Malanje, em 1962, onde iniciou os seus estudos, que concluiu no Huambo.

Nos anos 80, fixou-se em Luanda, frequentando a Brigada Jovem de Literatura, da qual foi Secretário-Geral. Formado em Engenharia, é consultor e docente na Universidade Agostinho Neto. É membro da União dos Escritores Angolanos. Entre as obras publicadas, inclui-se “A voz dos Passos Silenciosos” e “Amores Elípticos”.

Poetas convidados

Bona SKA. Músico e slammer, nasceu em Benguela, há 31 anos. Talentoso e multifacetado, continua a procurar a sua identidade artística. Com preocupações de intervenção social, compõe, canta, toca instrumentos musicais, desenha, escreve poesia e prosa.

Elizângela Rita. Nasceu em Luanda, em 1998. Licenciou-se em Direito na África do Sul e concluiu o Mestrado em Direito comercial nos EUA. Poetisa desde a adolescência e artista spoken word, desde 2013.

José Luís Mendonça deixa uma mensagem: “Qualquer outro poeta que se queira juntar a este projecto literário humanista e interplanetário, inclusive alienígenas, é bem vindo, podendo, para o efeito, inscrever-se com um poema a enviar para sandomen@hotmail.com”.