Coitado do Jaime Azulay. Deve ser muito triste ser Jaime Azulay. Comparamo-lo com o nosso colega de escola, o Miguel, que baptizámos com a alcunha o “Coitos Abortados”. O Jaime quando puxa dos galões dourados de jornalista todos conseguem ver que esses galões não são de ouro, são de latão demasiado manchados de verdete.

Por Domingos Kambunji

O Jaime ficou muito satisfeito porque o presidente da Re(i)pública da Angola do MPLA, em Cuba, deu-lhe um aperto de mão e reparou que ele padecia do síndroma da obesidade. (As 164 pessoas que morreram de fome no Bié, no primeiro trimestre do corrente ano, não sofriam desse mal.) Em Cuba, país onde a Liberdade de Imprensa se encontra num patamar semelhante ao do lixo espalhado pelas ruas de Luanda?!… Se esse encontro se tivesse realizado na Noruega, Nova Zelândia, Suíça, Dinamarca, Suécia, Reino Unido… países com elevada qualidade de vida e sem kapangas cangaceiros e patrulheiros a impedirem a Liberdade de Expressão e de Manifestação!…

O Jaime contenta-se com pouco. Ficou satisfeito por ter sido cumprimentado por um presidente de um país com poucos muitíssimo ricos (incluindo o próprio presidente) e muitíssimos milhões de cidadão pobres, que se tem destacada a pedir esmola para o combate a epidemias e a pedir fiado para as negociatas do Estado? Esperemos que no futuro possam voltar a aparecer líderes mundiais que se destaquem pela inteligência e altruísmo no desenvolvimento de sinergias para o bem-estar geral, para fazerem esquecer os actuais demagogos do Kafiados e das kaesmolas

O Jaime Azulay põe-se nos bicos-dos-pés, no alto da Serra da Leba, para lembrar ao mundo inteiro de que foi repórter do MPLA na Guerra Civil iniciada e continuada pelo MPLA, vencida pelo MPLA, porque conseguiu matar mais angolanos, com a ajuda fundamental dos mercenários cubanos, para tentarem impor na Re(i)pública da Angola do MPLA uma ideologia que fracassou? Os vinte milhões de pobres residentes na Re(i)pública da Angola do MPLA são um retrato fiel dessa megalomania matumba fracassada.

Até é de admirar ainda não terem homenageado o Jaime com o prémio Maboque ou nomeá-lo figura do ano do jornal da Angola do MPLA. Os “laboratórios farmacêuticos do Sambizanga ou dos Gambos” ainda não conseguiram inventar um medicamento para tratar estes casos de híper-narcisismo oco ou de hipertensão cerebral disparatada?

Recentemente o Jaime Azulay apareceu para enviar uma mukanda a explicar o sonho cultural, abortado, do cantor do Duo Ouro Negro, Raul Indipwo, uma não notícia. Os “sonhos abortados” já se tornaram demasiado vulgares na Re(i)pública da Angola do MPLA, uma consequência das quatro décadas de contradições e incompetência governativas do MPLA. O Jaime designa essa ambição do Raul Indipwo, pessoa muito simpática com quem convivemos no Estoril, por o Sonho de Benguela.

O Sonho Benguela consistiria na fundação de um centro cultural para “integrar várias artes, nomeadamente uma galeria para a pintura e escultura e um auditório para música. Seria uma casa de cultura aberta para todos os artistas”.

Porque é que classificamos a mukanda do Jaime Azulai de não notícia? Uma grande notícia seria o Jaime Azulay tomar as rédeas desse sonho e levar avante o projecto de construir um Centro Cultural, aberto a todos os artistas, em Benguela. O grande problema é que o Jaime apenas consegue ser repórter do MPLA para elogiar as guerras iniciadas e alimentadas pelo MPLA.

Esta é a grande semelhança que encontramos entre o Jaime Azulay e o nosso colega Miguel, que alcunhámos de “Coitos Abortados”.

As aventuras do Miguel, quando saía com mulheres, fracassavam sempre, nunca se concretizavam “nos fundamentais”… “Eu estava com ela quase a… quase a… quase a… mas”… Aparecia sempre uma pessoa a frustrar a “coisa”, um irmãozito, uma tia dela, uma prima dela, uma vizinha dela, a mãe dela, a avó e o avô dela, o pai dela…

O sonho que o Raul Indipwo teve para Benguela abortou porque o Jaime Azulay não teve capacidade para dar continuidade ao quase… quase… quase…

Na Re(i)pública da Angola do MPLA, infelizmente, é muito elevada a densidade populacional dos que se disponibilizam para “Repórteres de Guerra”, obedecendo às ordens superiores e alimentando os egos de ditadores. O número de “Repórteres de Paz” é muitíssimo raro.

Partilhe este artigo