O MPLA é honesto, pois nunca disse a nenhum jornalista que a democracia era para ser uma prática com a mesma força do texto. Daí não ser honesto, estarem agora os jornalistas (alguns) a reclamar a exclusão na cobertura do VI Congresso do MPLA. Como é histórico, os filhos são uma coisa e os enteados nem coisa são.

Em respeito ao que está escrito na Constituição sobre liberdade de imprensa e multipartidarismo, já foi um assinalável progresso ser permitido a esses bandoleiros do Jornalismo estarem no perímetro do evento. Por isso, é claro, é grande a nossa gratidão.

Ademais, os órgãos partidocratas, por ausência de públicos, qual encarnação de Goebbels, são os únicos e fiéis representantes informativos do MPLA, com alojamento, no art.23. da CRA (Constituição da República de Angola), porque os outros, são párias. E ser pária, neste contexto, é um privilégio concedido por quem comprou o país há quase 43 anos.

E nisso que temos de dar razão e reconhecer, o velho Malheiro, Jonas, bem que avisou: “Estes tipos não mudam”. Nem todos entenderam, nem todos entendemos, que quem nos avisava nosso amigo era. E, claro, quando não se entende… o leão come.

Assim, para os que tinham dúvidas, sobre as nossas impressões iniciais, de que nada mudaria, se não a vontade de nada mudar. Esta transição barroca de liderança é a demonstração do MPLA ser fiel aos seus desígnios de substituir seis (6) por meia dúzia. E se não der certo, voltará a emendar a mão e a substituir meia dúzia por seis.

Marcolino Moco, espelhando em a diferença entre seis e meia dúzia, dá um no cravo e outra na ferradura e fala de abertura na comunicação social por parte de JLo, esquecendo-se da proibição da imprensa privada na cobertura deste evento. Essa coisa de falar da “girafa” quando se quer falar da “gira fã” é esclarecedora. Por outro lado, apontou o culto de personalidade ao novo senhor, e já como um grande estratega, Moco critica essa apetência, muitas vezes capitaneada pelos próprios. Coisas.

Um outro delegado disse, para não variar, que José Eduardo dos Santos, merece respeito porque tirou o povo da escravidão e os levou até a terra prometida. Qual prometida, não disse, mas talvez não seja difícil de saber, ser a dos corruptos e ladrões do erário público, porque a outra, os 20 milhões de pobres não têm mais do que exclusão.

Entretanto, sabe-se que o presidente cessante do MPLA, José Eduardo dos Santos, despediu-se hoje, em Luanda, das funções, assumindo que cometeu erros ao longo dos quase 40 anos no poder em Angola, mas garantindo que sai de “cabeça erguida”.

“Não existe, naturalmente, qualquer actividade humana isenta de erros e assumo que também os cometi, pois só deste modo os podemos ultrapassar”, disse o também ex-chefe de Estado angolano (1979-2017), no discurso de abertura do sexto congresso extraordinário do MPLA, convocado para eleger o já eleito João Lourenço como novo líder do partido.

“Esta é a minha última intervenção na qualidade de presidente do MPLA”, começou por afirmar, recordando que assumiu aquele cargo em 21 Setembro de 1979, após a morte do então presidente e chefe de Estado, António Agostinho Neto.

“É de cabeça erguida que estou neste grande conclave do nosso partido”, disse ainda, ao dirigir-se aos mais de 2.000 delegados, ao mesmo tempo que se assumiu “pronto para passar a liderança do partido ao próximo presidente”, mas sem referir o nome de João Lourenço, vice-presidente e chefe de Estado, que será eleito hoje líder do MPLA.

“Deixo-vos o meu modesto legado, para que continuem a trilhar os caminhos das nossas figuras”, afirmou, por entre vários momentos de palmas dos delegados.

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