A petrolífera italiana ENI vai prestar assistência técnica e financeira de 220 milhões de dólares (186,9 milhões de euros) à refinaria de Luanda, para aumentar a produção de gasolina, das 280 toneladas para as 1.200 toneladas diárias.

O acordo de cooperação foi hoje assinado pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), Carlos Saturnino, e pelo responsável pela área de produção da ENI, António Vella.

Na cerimónia, o PCA da Sonangol referiu que o acordo visa que a ENI dê assistência técnica à petrolífera angolana, a nível de planeamento e gestão para algumas actividades profundas de manutenção da Refinaria de Luanda, além do financiamento.

Segundo Carlos Saturnino, o acordo prevê dois módulos, o primeiro, no valor de 60 milhões de dólares (50,9 milhões de euros), para o planeamento e organização da paragem, entre 40 a 60 dias, para manutenção geral da Refinaria de Luanda, além da elaboração e desenvolvimento de um modelo económico e operacional, com vista a melhorar toda a parte operacional e sustentabilidade da empresa, incluindo ainda a formação de quadros.

Para o segundo módulo, estão envolvidos montantes até 120 milhões de dólares (101,9 milhões de euros), para a instalação de uma unidade nova, que vai permitir o aumento substancial da produção de gasolina.

Actualmente, a Refinaria de Luanda produz cerca de 330 metros cúbicos diários do produto, para uma procura diária de cerca de 5.000 metros cúbicos.

“O acordo prevê que podemos chegar a um total de 220 milhões de dólares, financiados pela ENI, que a Sonangol reembolsará em condições vantajosas para a Sonangol, porque o acordo prevê que o reembolso passe a ser feito somente 12 meses após a realização do que está a ser previsto neste acordo”, referiu.

Carlos Saturnino acrescentou que o acordo tem vantagens mútuas, reforçando que entre parceiros “há sempre criação de uma série sinergias”.

“O dinheiro tem um valor e a ENI não é uma ONG (Organização Não-Governamental), faz o seu trabalho e deve ser remunerada, agora, nós podemos é assegurar que os acordos que fizemos com a ENI tem muitas vantagens para a Sonangol e para Angola”, disse.

O responsável d Sonangol frisou que com a execução deste acordo a Refinaria de Luanda passa a ter maior sustentabilidade, com o aumento da produção de gasolina, que permitirá igualmente elevar a lucratividade da refinaria.

“Ou seja, quando esse trabalho acabar, a refinaria deverá ter melhores condições de trabalho, um visual diferente, ou seja, o aspecto geral também deverá ser melhor, não só as instalações de processamento a par dos equipamentos”, disse Carlos Saturnino.

No fim deste trabalho, salientou o PCA da Sonangol, Angola prevê estar em condições de diminuir substancialmente a importação de alguns produtos, essencialmente de gasolina, gastar menos dinheiro com a exportação de capitais, perspectivando já a exportação, em pequenas quantidades desse derivado de petróleo para alguns países africanos, “caso tudo corra bem”.

Os trabalhos de execução do projecto tiveram início no princípio deste ano e deverão estar concluídos entre os próximos 30 a 36 meses.

A Refinaria de Luanda teve a sua última paragem para manutenção em 2010, devendo a seguinte ser realizada em 2015, o que, entretanto, não se verificou.

De acordo com Carlos Saturnino, para o período de paragem da refinaria estão acauteladas todas as condições para que estejam disponíveis os produtos refinados.

“Daqui até ao início da paragem, a Sonangol vai tomar as providências para que os produtos sejam armazenados e/ou importados para que não haja sobressaltos”, informou.

Carlos Saturnino realçou que “a Sonangol não entregou a Refinaria de Luanda à ENI nem para ser gerida, nem para fazer a manutenção”, clarificando que o acordo prevê que a petrolífera italiana vai apenas prestar assistência técnica e financeira, “vai ajudar a planear, a organizar e vai financiar toda esta operação”.

Portas abertas à Itália

Recorde-se que o Presidente João Lourenço, elogiou no dia 27 de Novembro de 201 as históricas relações com a Itália, apontando a necessidade de alargar a cooperação, já existente na área do petróleo e da defesa, a outros sectores económicos.

O chefe de Estado falava no palácio presidencial, em Luanda, em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, que se tornou no primeiro chefe de governo de um país ocidental a ser recebido por João Lourenço, após a sua investidura como Presidente da República, em 26 de Setembro.

“Nós pretendemos aprofundar a cooperação económica entre Angola e Itália, em vários domínios, uma vez que de momento conhecemos algum avanço nos domínios energético, por causa dos petróleos, e também da defesa. E pretendemos corrigir essa situação, estender a cooperação a outros sectores importantes da nossa economia”, afirmou João Lourenço.

O Presidente recordou o apoio que organizações não-governamentais italianas prestaram aos então movimentos nacionalistas, durante o período da guerra colonial, e da própria sociedade italiana, que permitiu a Agostinho Neto (MPLA), Amílcar Cabral (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) e Marcelino dos Santos (FRELIMO) serem recebidos, em audiência, em 1970, pelo papa Paulo VI.

“Em 1975, quando o nosso país se tornou independente, a Itália foi o primeiro país europeu que reconheceu a independência de Angola. E, talvez por isso, não seja por acaso que também é o chefe do Governo italiano que efectua a primeira visita a Angola após a minha investidura”, enfatizou João Lourenço.

Na mesma intervenção, Paolo Gentiloni afirmou que a visita a Angola serviu nomeadamente para “confirmar o apoio” do Governo italiano ao novo executivo angolano e ao “programa muito importante” em curso, de reconversão económica do país, ainda essencialmente dependente das exportações de petróleo.

O primeiro-ministro Paolo Gentiloni transmitiu a disponibilidade de Itália para alargar a cooperação a outros níveis, tendo assistido à assinatura de acordos de cooperação entre as petrolíferas ENI e Sonangol, ao nível de produção de petróleo e gás, bem como de refinação.

Na área da defesa, a cooperação baseia-se essencialmente na aquisição a Itália de helicópteros e embarcações para as Forças Armadas Angolanas.

Folha 8 com Lusa

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