Como o Folha 8 revelou no passado dia 12, domingo, alguns jovens foram detidos na véspera, em Cabinda. Entre os detidos estavam elementos do Corpo Directivo do Movimento Independentista de Cabinda (MIC).

Sobre esta situação, o Grupo de Reflexão (GR) da sociedade civil de Cabinda emitiu o comunicado que a seguir se transcreve na íntegra:

«O Grupo da Reflexão da sociedade civil de Cabinda (GR) seguiu e continua a seguir com atenção, apreensão e preocupação os acontecimentos do passado dia 11 de Agosto, sábado, que levaram a detenção de 9 (nove) jovens do denominado MIC− Movimento Independentista de Cabinda.

1− Condena a postura enérgica, excessiva e repressiva do governo em face duma situação que devia antes ser encarada (tratada) com medidas pedagógicas e de apaziguamento, em vez do recurso a uma força desproporcionada e a tomada de medidas violentas e ofensivas da liberdade e dignidade dos cidadãos. A situação é tanto mais grave e inaceitável quanto mais os jovens teriam dado a conhecer a sua intenção de realização do acto cívico, o que teria dado às entidades competentes a ocasião de os convocar para abordar com eles as questões por eles suscitadas, encaminhando-os para «fora» (forums), mecanismos e estruturas mais adequados e consentâneos à discussão e ao tratamento de tais problemas. Deixá-los preparar a sua actividade e atraí-los para uma espécie de cilada e preparar as condições para intervenção musculada e uma violenta repreensão foi a pior estratégia, a todos os títulos condenável e inaceitável.

2− Apela os jovens a se manterem calmos e a adoptarem uma atitude mais dialogante e a defenderem, divulgarem e promoverem as suas ideias de maneira pacífica, sem se deixarem dominar pelas emoções e paixões.

3− Interpela o governo da República de Angola a cumprir o seu compromisso de resolver o problema de Cabinda pela via do dialogo, mais com sinceridade, responsabilidade e transparência, no respeito de direito e da justiça e encarando a verdade e o reconhecimento da especificidade histórica, geográfica e cultural de Cabinda e tirando todas as elações politicas e jurídicas que decorrem desse reconhecimento.

4−Lembra que uma politica de permanente repressão e intimidação, de escamoteamento da verdade e de esvaziamento da realidade (assente na já reconhecida especificidade histórica, cultural e geográfica de Cabinda) só conduz a um endurecimento das vítimas dessa politica injusta e degradante e a uma espécie de radicalização que facilmente poderá ser sustentada no tempo e será cada vez mais contestada e combatida pelo povo em geral e pelos jovens em particular, que não aceitarão nem tolerarão a manutenção do actual status quo (relativamente ao estatuto e aos grandes problemas que Cabinda vive).

5− O povo de Cabinda e o GR em particular reclamam e exigem que o governo da República de Angola passe das meras palavras aos actos concretos e de pleno significado, que inicie um debate livre, publico e aberto sobre o problema de Cabinda, e que a especificidade histórica, geográfica e cultural de Cabinda, já formalmente reconhecida pelo mesmo se traduza na aceitação do estatuto politico e jurídico adequado a tal especificidade, corrigindo-se assim, de maneira radical, apropriada (correcta) e definitiva, uma situação que, manifestamente, esta muito mal.»

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