O vice-presidente do MPLA, João Lourenço, refutou hoje a ideia de que existe divisão no seio do partido no poder em Angola desde a independência entre “supostos eduardistas e lourencistas”, garantindo que existem apenas militantes do MPLA. Enquanto isso, uns e outros contam as armas e preparam estratégias.

João Lourenço, igualmente chefe de Estado de Angola por obra e graça (para além de muita batota) de José Eduardo dos Santos, discursava na abertura hoje da II reunião Metodológica Nacional sobre a Organização do Trabalho do Partido.

O dirigente do MPLA referia-se à “ideia criada e difundida”, nos últimos tempos, em alguns círculos da sociedade angolana, que têm o objectivo de “dividir” os militantes do partido. Por outras palavras, João Lourenço continua também a pensar (tal como acontecia com Eduardo dos Santos) que somos todos matumbos.

Nesta matéria da sucessão na Presidência do MPLA, é claro que João Lourenço mente às segundas, quartas e sextas, e que José Eduardo dos Santos aldraba às terças, quintas e sábados. Ao domingo é justo que ambos descansem.

“Isso não existe no nosso seio, só há emepelistas, porque defendemos todos o MPLA e as suas causas, só há patriotas angolanos, porque todos defendemos a causa de Angola e dos angolanos”, disse João Lourenço. Está-se mesmo a ver, não está? Os dirigentes do partido são todos uns santos. Tal como eram no 27 de Maio de 1977.

João Lourenço lembrou que “ao longo da sua história, o MPLA enfrentou e ultrapassou momentos difíceis, onde nalguns casos teve cisões que o enfraqueceram, mas soube sempre evitar consequências piores”. É verdade. Não fossem terem sido assassinadas, e milhares e milhares de testemunhas poderiam confirmar a tese de João Lourenço que, nesta matéria, é cópia da de Eduardo dos Santos que, por sua vez, a copiou de Agostinho Neto, que por sua vez copiou… Adolf Hitler.

João Lourenço defendeu ainda que “sempre que possível” se trabalhe com antecipação para que seja preservada a união do partido. Ora aí está. Sempre que possível. Quando não for possível, os jacarés do Bengo darão uma ajuda.

“E isto é uma preocupação que deve ser permanente, porque dentro e fora do partido, acredito, que sempre houve quem estivesse interessado em corroer o partido, para que não cumpra com a sua missão histórica”, disse João Lourenço.

“Devemos continuar cada vez mais unidos e coesos em torno dos ideais do MPLA, para que com a força do passado, do presente e do futuro, construamos um futuro melhor”, exortou.

O MPLA tem reforçado nos últimos tempos os apelos de união, isto numa altura em que vários círculos da sociedade angolana, incluindo militantes do MPLA, têm criticado abertamente uma alegada bicefalia entre João Lourenço e José Eduardo dos Santos, líder da organização política desde 1979.

Na reunião ordinária do Comité Central (CC) realizada, na sexta-feira, José Eduardo dos Santos, que em 2016 tinha anunciado que este ano deixaria a vida política activa, propôs a realização de um congresso extraordinário para Dezembro de 2018 ou Abril de 2019.

Sobre a proposta apresentada, os participantes ao encontro decidiram que vão ser realizadas duas reuniões, a primeira em Abril próximo pelo Bureau Político, e a segunda em Maio pelo Comité Central, para reflectirem sobre a realização do congresso extraordinário e a transição política da presidência do MPLA.

Discurso de João Lourenço

“Q uero, em nome da Direcção do Partido e, em particular, do Camarada José Eduardo dos Santos – Presidente do MPLA, saudar os camaradas que nos brindam com a sua presença nesta II Reunião Metodológica Nacional sobre a Organização do Trabalho do Partido, que me coube a tarefa de a presidir.

São passados cerca de sete meses desde a realização das Eleições Gerais de 23 de Agosto de 2017, em que o MPLA e o seu então Candidato a Presidente da República venceram com maioria qualificada dos votos válidos, conferindo-lhe legitimidade para continuar a dirigir os destinos do povo angolano.

O Comité Central na sua V Sessão Ordinária realizada ontem, de entre as várias matérias, apreciou o Relatório Final sobre as Eleições Gerais, tendo constatado, com satisfação, a forma como os militantes se empenharam no processo que conduziu a vitória do MPLA e, traçado pertinentes orientações para a correcção das insuficiências no futuro, o aperfeiçoamento e reforço das nossas estruturas intermédias e de base no momento actual, com destaque para a vida interna e uma maior inserção do Partido na sociedade.

Esta vitalidade demonstrada, deve ser factor catalisador para a mobilização da massa militante, simpatizantes, amigos e a sociedade em torno da preparação e participação do Partido nas eleições autárquicas.

É com este propósito, que se realiza este evento, o qual vem efectivamente dar respostas a essas e outras inquietações e colher contribuições dos dirigentes, responsáveis e quadros do Partido sobre a organização e o funcionamento do MPLA na fase actual, com vista a sua preparação para os próximos desafios.

Esta reunião prossegue objectivos de grande importância para a vida interna do Partido, que visam imprimir maior dinamismo e aperfeiçoamento do trabalho político-partidário e revitalizar as estruturas a todos os níveis, conferindo desse modo, maior protagonismo no seio da sociedade angolana.

Os temas agendados, pelo seu significado e importância, devem merecer um rigoroso e metódico tratamento por parte dos presentes, pois constituem a base da construção e afirmação do nosso Partido no momento político actual, caracterizado pela difícil situação económica e social, exigindo uma atitude cada vez mais consciente e proactiva dos dirigentes, dos responsáveis, dos quadros e dos militantes do MPLA.

O MPLA tem responsabilidades acrescidas na direcção e na condução dos destinos da sociedade angolana. Mais do que reflectir, precisamos ser pró-activos na tomada de decisões referentes ao papel das Estruturas do Partido a todos os níveis na actual conjuntura nacional e internacional.

É imperioso reforçar o combate às más condutas, ao desrespeito aos princípios e valores do MPLA, bem como promover o fortalecimento das estruturas do Partido, actualmente caracterizadas por insuficiências na organização e gestão nas distintas áreas da sua especialização; na excessiva burocratização do aparelho central e auxiliar; na distorção da base de dados, na gestão dos quadros do Partido; no asseguramento de uma maior proximidade dos dirigentes às comunidades e, na maior inserção do Partido na sociedade, por estarmos comprometidos com o povo angolano.

Actualmente, o mundo, de entre outras tendências, se caracteriza pela globalização, liberalismo e sociedade do conhecimento, impondo-nos, por isso, uma gestão prudente e responsável da informação, particularmente do Partido.

A esse respeito, o Partido tem vindo a implementar um sistema de modernização tecnológica com o objectivo de criar uma base de militantes e de quadros a nível nacional, optimizando os serviços e os sistemas integrados de comunicação para assegurar, uma melhor fluidez e interacção da informação entre as nossas estruturas nos diferentes escalões, cuja experiência piloto foi ensaiada com sucesso nas últimas eleições.

Reitero, que os titulares de cargos de responsabilidade política, devem ser os primeiros detentores de atitudes que dignificam o bom nome do Partido e, com o seu comportamento e exemplo, influenciar positivamente os militantes e os cidadãos em geral, sobretudo os jovens.

O militante do MPLA, deve ser o primeiro a combater efectivamente, não apenas com o discurso, mas de facto, a corrupção, o nepotismo, a impunidade, a delapidação do património público, o absentismo no trabalho e outras práticas nefastas que prejudicam seriamente a vida dos cidadãos e a boa governação da nossa sociedade.

É hora de o Partido começar a se preparar trabalhando na educação dos seus quadros para o grande desafio que temos pela frente, o da implantação do poder autárquico no nosso país.

Para vencermos o maior número possível de câmaras, precisamos de começar já a trabalhar, mas sobretudo, ter a humildade de aprender como gerir um município uma vez eleito, se tivermos em conta que nunca vivemos essa realidade.

Por essa razão, o planeamento estratégico é vital para o desenvolvimento e fortalecimento do Partido.

Somente com quadros competentes política e ideologicamente preparados, venceremos os desafios que se colocam ao Partido. Para assegurar o êxito e o pleno funcionamento dos Órgãos e Organismos Nacional e Intermédios do Partido, há igualmente, necessidade de se continuar a trabalhar para a melhoria das condições sociais e de trabalho dos quadros que garantem no dia- a- dia da actividade partidária.

Ao longo da sua história, o MPLA enfrentou e ultrapassou momentos difíceis onde, nalguns casos, teve cisões que o enfraqueceram mas soube sempre evitar consequências piores.

Sempre que possível, devemos trabalhar com antecipação no sentido da sua prevenção e isto é uma preocupação que deve ser permanente, porque dentro e fora do Partido acredito que sempre houve quem estivesse interessado em corroer o Partido, para que não cumpra com a sua missão histórica.

Exorto pois a todos os militantes, simpatizantes e amigos do nosso Partido, a não nos deixarmos levar nessa pretensa divisão entre supostos eduardistas e lourencistas.

Refutemos energicamente esta ideia criada e difundida em alguns círculos da nossa sociedade, com o objectivo de nos dividir.

Isto não existe. No nosso seio só há emepelistas porque defendemos todos, o MPLA e suas causas. Só há patriotas angolanos porque todos defendemos a causa de Angola e dos angolanos.

Devemos continuar vez mais unidos e coesos em torno dos ideais do MPLA, para que com a Força do Passado, do Presente e do Futuro, construamos um futuro melhor.”

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