As investigações revelaram, nos Estados Unidos da América, que a empresa Misse Universo de Donald Trump recebeu 12 milhões de dólares para realizar o concurso das jovens mais “belas” em Moscovo, em 2013. Essa iniciativa tinha ainda como objectivo a tentativa, falhada, de Trump conseguir a necessária autorização de Putin para construir um arranha-céus em Moscovo.

Por Domingos Kambunji

As investigações em Angola são o que todos nós sabemos, uma enorme (des)graça. Até para investigar a dívida do Estado angolano o MPLA opõe-se a que tal aconteça. Há poucos dias o Procurador-Geral da República, fiel servidor do MPLA, acusava o facto de o sistema judicial não ter quadros capacitados para poder investigar a rebaldaria da Sonangol e do Fundo Soberano. Todos nós sabemos que a Procuradoria-Geral da República tem sido um apêndice cúmplice do sistema cleptocrático de Angola.

A Procuradoria-Geral da República não tem quadros qualificados para investigar a Sonangol e o Fundo Soberano e teve quadros para investigar e condenar os Revus?

Uma das grandes anedotas a que assistimos recentemente foi a “ruminação” do actual Ministro da Propaganda, João “Gobells Melo, quando defendeu que Angola tem competência para investigar e julgar o caso Manuel Vicente. Outra grande palhaçada!

A investigação/julgamento dos casos Cassule e Camulingue foi uma encenação, bem desmascarada pelo William Tonet. A investigação do 27 de Maio está proibida pelos principais beneficiários desse crime contra a humanidade, os dirigentes do MPLA.

A investigação da “acumulação primária de riqueza”, roubalheira, usando palavras mais objectivas, por parte de generais e “altos” dirigentes do MPLA, incluindo o actual presidente de Angola, nunca se fará.

Enfim, a vigarice e o desrespeito pela Justiça e pelos direitos humanos compensam e compensaram em Angola porque alguém, José Eduardo dos Santos, foi capaz de reunir e proteger-se num grupo de comensais, incluindo o actual presidente, com muitíssima cumplicidade.

A pergunta que pretendemos fazer hoje é a seguinte: quantas mortes custou, por falta de medicamentos e alimentação, e quantas escolas para as crianças e hospitais não foram construídas para que se pudesse realizar o Concurso da Misse Universo em Luanda, em 2011? Nunca ninguém investigou. Fica assim por saber quanto é que Donald Trump beneficiou com a realização do concurso de misse universo em Luanda.

Agora sabe-se que o resultado do concurso de Misse Universo era (é) tendencioso, viciado, porque era Donald Trump que escolhia quem deveria ser eleita Misse, não um júri imparcial. Também se sabe que Trump era um forte opositor a que mulheres de raça negra fossem “eleitas” misses, por “revelarem demasiada etnicidade”.

Quais terão sido as contrapartidas financeiras oferecidas pelo governo para alimentar a vaidade do MPLA, com o objectivo de que o concurso de Misse Universo em Luanda tivesse como vencedora, não uma loira da Eslovénia, da Rússia, da Noruega ou da Austrália, uma africana de Angola? Qual o retorno, em termos de benefício, conseguido por Angola, com a realização desse concurso em Luanda, com resultados, sabe-se agora, totalmente manipulados?

A madrinha destes concursos em Angola, Ana Paula Santos, pelos sinais exteriores de riqueza demonstrados, está bem na vida. A Procuradoria-Geral da República não tem meios para investigar como é que a esta senhora, esposa do “Grande Senhor”, enriqueceu fazendo nada.

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