A comunicação social pública, a ligada ao poder e ao poder da corrupção, fez e continua a fazer com uma cobertura abjecta. Vergonhosa! Danosa e dolosa à democracia. No dia das eleições, pelo menos hoje, esperava-se uma abordagem diferente da mídia estatal e afins, mas nada.

As emissões estão a ser preenchidas como moderadores todos, absolutamente todos, do MPLA e a puxar a brasa para esta força política. Mais uma vergonha. Mais uma parcialidade. Mais um chamado à guerra.

A mídia estatal quando deveria fazer a apologia da paz, da reconciliação entre os angolanos, envereda por uma postura irresponsável e dantesca, tudo para salvaguarda de um poder, que nos últimos 42 anos nada mais fez, do que piorar a vida da maioria dos angolanos e enriquecer meia dúzia de dirigentes alcandorados nas poltronas de um poder corrupto, que teima em resistir e defraudar a democracia.

A TPA, Zimbo, TV Palanca, a RNA, a LAC, o Jornal de Angola, a ANGOP, “O País” e outros afins, durante o período da campanha eleitoral, foram perdulários na propaganda ruinosa, temerosos de o regime poder vir a perder as eleições ou a maioria qualificada, na Assembleia Nacional (Parlamento), desempenhando uma cobertura absolutamente parcial de favorecimento ao partido no poder: MPLA e ao seu candidato.

Descuraram as regras elementares de jornalismo, pois a notícia foi embrulhada em comentários, opiniões e outros géneros, tudo na lógica de os outros (oposição) serem maus e o único bom ser o partido no poder.

Por dia o MPLA tinha mais de uma a duas horas de cobertura, para além dos tempos de antena e ainda lhes sobrava tempo para a diabolização dos partidos concorrentes.

A TV Zimbo, por exemplo, num verdadeiro crime eleitoral decidiu rememorar a guerra de 1992, onde candidatos foram apanhados no meio do conflito, como Abel Chivukuvuku, alvejado na perna, à época, e apresentado a recuperar numa cama hospitalar.

Que importância tem, neste momento, passar estes programas?

Quer dizer, para o MPLA a regra é assassinar, é matar e quando não o faz, excepcionalmente, passa a vida a exaltar esse feito raro ou exige dos sobreviventes, uma bajulação eterna, como se fosse o dono da vida dos angolanos.

O último programa da TV Zimbo foi exibido no dia 22.08, à noite (precisamente no dia de reflexão, onde a Zimbo, ao invés de reflectir o sentimento de paz, reconciliação e democracia, optou por uma reflexão e sentimento guerreiro, destilando ódio). O realizador exaltava a forma como foi morto Jonas Savimbi, apresentando os alegados vencedores e derrotados.

Numa altura em que o governo do MPLA teima em não entregar o corpo à família, para um enterro condigno, a exibição para o humilhar, na morte, e aos seus milhares de seguidores, podem ser um sério apelo à guerra e em nada ajudam à pacificação, neste período eleitoral. Aliás se coisa mais organizada fez a comunicação social pública, foi a de estimular o retorno à guerra e a dizer que a haverá caso o MPLA perca as eleições.

Esses programas visaram humilhar o adversário, preparar as populações para o que poderá vir a seguir ao dia 23 de Agosto se o óbvio não acontecer para a elite da corrupção…

CNE aplaude a CNE

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A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) aplaudiu o processo de votação às eleições gerais angolanas, que considera estar a decorrer “num clima de serenidade, elevação, sentido de estado e de grande responsabilidade de todos os eleitores”.

A posição foi expressa pelo presidente da CNE, André da Silva Neto, que fazia o balanço das primeiras sete horas decorridas desde a abertura do processo.

“Estamos satisfeitos com o comportamento dos eleitores e de todos os cidadãos envolvidos directa ou indirectamente nesse processo”, disse André da Silva Neto.

Para o responsável do órgão eleitor angolano (sucursal do MPLA), o exemplo de civismo que está a ser demonstrado é um orgulho para o país e para África.

“É um exemplo de como se deve realizar eleições democráticas em qualquer parte do mundo, com civismo, elevação e respeito pela diferença. É o que está a acontecer no nosso país. Exortamos ao povo angolano a continuar a pautar-se por esse comportamento até que encerremos a votação no dia de hoje”, apelou.

Em resumo, André da Silva Neto referiu que o processo decorre com normalidade, com o povo angolano eleitor a revelar um “civismo, responsabilidade”, que merece os mais elevados elogios da CNE.

“É um gesto que, disse e repito, orgulha o povo angolano, o país e todos nós e é um exemplo para seguir para aqueles países onde, sobretudo aqui em África, constantemente verificamos que os processos eleitorais se transformam em campos de batalha, com mortes inúteis e danos desnecessários”, frisou.

Para os que até ao momento continuam indecisos, o presidente da CNE apelou ao “sentido de estado e dever cívico”, que cada angolano tem em participar neste processo, no sentido de dar o seu voto e “ajudar a decidir quem deve dirigir os destinos da nação”.

Fotos: Garcia Mayamona

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