VEJA VÍDEOS DAS VOTAÇÕES. Texto em actualização permanente. Mais de 9,3 milhões de angolanos estão inscritos para escolherem hoje, entre seis candidatos, o sucessor de José Eduardo dos Santos, Presidente da República desde 1979 (nunca nominalmente eleito) e que deixa o oficialmente o poder em Angola (mantém-se como presidente do MPLA) quando completa 75 anos.

Tratam-se das quartas eleições em Angola, as segundas nos moldes actuais, com eleição directa do parlamento e indirecta do Presidente da República, que será o cabeça-de-lista do partido mais votado, com a abertura das urnas em todo às 7 horas e encerramento às 18 horas.

De acordo com dados do Ministério do Interior, estas eleições serão vigiadas por mais de 100.000 agentes de segurança, tendo sido decretado tolerância de ponto em todo o país.

Até ao dia de terça-feira estavam acreditados pela Comissão Nacional Eleitoral (sucursal do MPLA) um total de 1.440 observadores, entre nacionais e internacionais.

A estas eleições concorrem o MPLA, com João Lourenço como cabeça-de-lista, a UNITA, repetindo Isaías Samakuva como candidato, o mesmo acontecendo com a CASA-CE, em que Abel Chivukuvuku volta a liderar a lista, tal como em 2012.

Já o PRS vai a votos com o novo líder, Benedito Daniel, escolhido em Maio, enquanto pela FNLA concorre Lucas Ngonda como cabeça-de-lista. A APN estreia-se nesta votação, com a lista liderada pelo antigo deputado Quintino Moreira.

A CNE constituiu 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto, algumas instaladas em escolas e em tendas por todo o país, com o escrutínio centralizado nas capitais de província e em Luanda.

A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votado é automaticamente eleito Presidente da República e Titular do Poder Executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições gerais de 2012.

O MPLA foi proclamado vencedor nas eleições de 2012, com 71,8% dos votos e 175 deputados, seguido da UNITA, com 18,7% e 32 deputados, da CASA-CE, com 6% e oito deputados, e do PRS, com 1,7% e três deputados, enquanto a FNLA não foi além de 1,1% e dois deputados.

Apelos de Samakuva

O cabeça-de-lista da UNITA exortou hoje os angolanos a votarem, num dia em que devem sentir-se “importantes”. Isaías Samakuva votou na Universidade Óscar Ribas, município de Talatona, na zona sul de Luanda.

Em declarações à imprensa, Isaías Samakuva disse que o processo eleitoral registou “irregularidades”, muitas das quais entretanto ultrapassadas.

Contudo, voltou a criticar a posição da CNE, defendendo que existem ainda questões pertinentes por solucionar.

“Precisamos de melhorar, precisamos de mudar e a mudança só passa pelas eleições, só tem de ser feita nas eleições. Portanto, por isso mesmo, achamos que este é um momento importante e cada angolano deve se sentir-se no seu dever de ir à assembleia de voto e votar”, reiterou Isaías Samakuva.

Mensagem de Chivukuvuku

O cabeça-de-lista da CASA-CE, Abel Chivukuvuku, considerou hoje as eleições gerais podem constituir “um novo começo para o país” e que os angolanos querem mudança.

Instantes depois de ter votado na assembleia de voto n.º 1039, Abel Chivukuvuku pediu às instituições que tutelam o acto eleitoral para que “cumpram com o seu papel” de modo a que seja possível “festejar um momento que pode ser um novo começo” para Angola.

“Os angolanos querem mudança e vão decidir. E é responsabilidade da CNE corresponder a essa vontade dos angolanos que este seja um momento de paz, serenidade, alegria e de festa para todos”, afirmou o candidato da terceira força mais votada nas últimas eleições.

Apelo de Lourenço

Por sua vez o cabeça de lista do MPLA, partido que já tinha garantido a vitória antes mesmo das eleições de hoje, fez hoje um apelo ao voto de todos os angolanos “de Cabinda ao Cunene”, após ter votado cerca das 09:30 na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.

João Lourenço considerou que a votação correu bem, foi “simples e rápida” e mostrou-se confiante que assim é em todas as assembleias de voto em Angola.

O candidato do partido no poder votou na assembleia de voto 1160 rodeado de fortes medidas de segurança e acompanhado por muitos jornalistas nacionais e estrangeiros.

O Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, votou em Luanda, cerca das 08:30, nas segundas eleições gerais do país, pela última vez enquanto chefe de Estado, função que ocupa desde 1979.

Perante um forte aparato de segurança e mediático, com dezenas de jornalistas nacionais e estrangeiros, José Eduardo dos Santos, que completa este mês 75 anos, votou, juntamente com a mulher, Ana Paula dos Santos, na escola primária de São José de Clunny, centro de Luanda, onde funciona a Assembleia de Voto n.º 1047.

No final da votação, José Eduardo dos Santos cumprimentou os observadores internacionais convidados presentes no local, que estão a acompanhar (não a fiscalizar) o processo eleitoral, casos dos antigos presidentes de Timor-Leste, José Ramos Horta, e de Moçambique, Joaquim Chissano, e o ex-primeiro-ministro cabo-verdiano José Maria Neves, entre outros.

Observadores de quê?

Nas mesas de votos mais mediáticas apenas os observadores da CPLP (grupo de compadres que estão no poder, nos respectivos países), SADC, igualmente observadores de países onde a ideologia esteve na génese da organização e nunca dela evoluiu, no sentido da imparcialidade requerida em democracia, pelo que se desconfia que o seu parecer vá cair no óbvio. Na mesma senda, encontra-se a UA (União Africana), que ao não se ter conseguido modernizar, não empresta, regra geral credibilidade, nos seus relatórios.

Será que em Angola estas organizações terão um comportamento diferente? Terão a coragem de criticar quem os alojou principescamente e regala com lagostas, ante o drama da maioria dos angolanos? Vamos esperar para ver, mas para já, poucos, muito poucos, acreditam na credibilidade destas organizações observadoras, para já, apenas aplaudidas pelo MPLA…

José Eduardo dos Santos não fez declarações à imprensa, como tem acontecido, nos últimos tempos, por recomendação médica, para diminuir o esforço físico e intelectual. Saiu sem honra nem glória, era um homem amargurado, triste, distante de outros tempos. Sai com o país na mais profunda crise económica, social e política.

Dos Santos abandona a presidência não como um democrata, mas como ditador, pois foi incompetente em esboçar, no final, propostas ou programas, que ultrapassassem o seu cordão partidário. Dos Santos não deixa nada para os angolanos de todas as matizes políticas. Foi mesmo incapaz de sugerir um comportamento diferente da comunicação social pública. Ele e o seu MPLA pensam apenas no poder e na possibilidade que este lhes dá para enriquecerem ilicitamente.
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O país tem os mais altos índices de corrupção e nesta campanha, ante a pobreza geral viu-se sem pudor e humildade a ostentação do MPLA. Uma tristeza, infelizmente, feita realidade, por parte de quem não pensa no sofrimento do povo.

Espera-se, no final, com expectativa, no seio do MPLA, se João Lourenço terá ou não mais votos que Eduardo dos Santos no último pleito eleitoral.

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