Há quem, oriundo de Angola, residindo no estrangeiro, se manifeste contra a boçalidade de alguns deputados e deputadas brasileiros, durante a votação para o derrube de Dilma Russeff.

Por Domingos Kambunji

Estamos quase totalmente de acordo, depois de assistirmos, na televisão, aos breves discursos dos votantes, de ambas as partes. Todavia, quem tem telhados de vidro…

Ao ler um texto crítico, demorado, de uma angolana a residir no Brasil, defendendo apenas uma das partes, vieram-nos à memória os comportamentos e atitudes de muitos políticos angolanos, que continuam a estar nas luzes da ribalta, os megafones salvadores da pátria dos corruptos.

As memórias, antigas e recentes, oferecem-nos muitos personagens angolanos que atirariam para o esquecimentos os vários deputados brasileiros especialistas na técnica do disparate. Temos que reconhecer que Angola é um solo muito fértil para a germinação, crescimento e floração de intelectuais do MPLA, sanzaleiros e muito matumbos.

Ninguém consegue retirar a primeira posição ao kapanga Kangamba, o inventor da electricidade potável. Este porta-voz do Reigime de Angola consegue produzir um facto inédito, a nível mundial: por cada palavra que profere é capaz de manifestar trezentos milhões de disparates intelectuais. Todavia, apesar do absurdo, ninguém consegue destronar do topo do “jet set” angolano o General sobrinho do José Eduardo dos Santos, o milionário com “muítos dólas”.

O que dizer do Doutor Atum, o senhor Multitítulos, de quem nós sentiríamos muito nojo se ele tivesse sido nosso professor numa das universidades onde estudámos? Os deputados brasileiros menos civilizados não teriam qualquer hipótese de saírem vencedores numa competição de disparates contra o Doutor Atum, também conhecido por João Galináceo Infantil.

O que dizer do Ministro do Interror de Angola, o que afirma que o Governo gasta $20 dólares por dia na alimentação de cada presidiário e em serviços de saúde, ensino e formação profissional?

(Nós pensávamos que a formação profissional era ensino mas, pelo visto, estávamos errados, depois de lermos as palavras do Ministro do Interror.)

Que ensino, nas cadeias, se os jovens angolanos licenciados pelas universidades públicas são acusados de serem mal formados, subvalorizados, desempregados ou sub-empregados e discriminados negativamente em relação a cidadãos formados em universidades dos países de onde emigraram?

Nos países por onde passámos, mesmo os que apresentam um custo de vida mais elevado, necessitávamos de muito menos do que esse valor, em média, para alimentar toda a família. O que o homem diz é que cada preso custa ao Estado, em alimentação e formatação (leia-se Educação Patriótica), mais do que seis ou sete ordenados mínimos nacionais, de Angola?

Não sabemos se o Ministro do Interror estará disponível para permitir que uma televisão independente mostre a sua despensa, possivelmente recheada de produtos alimentares que deveriam ser utilizados nas cozinhas dos serviços prisionais. Não sabemos de o Ministro do Interror confunde contas de sumir com as de somar. Sabemos, isso sim, que ele é especialista nas actividades de sub-tramar.

O Kangamba conseguiu inventar a electricidade potável para Luanda. O Ministro do Interror parece que ainda não conseguiu descobrir água potável para os que vivem em cadeias. Isto é o que muitos designam de Pena de Morte Lenta. Será que as Isabéis Françonys e os Januários Domingos, do MPLA, vão ser obrigados a mandarem prender, julgarem e condenarem mais inocentes indefesos, afim de aumentarem a eficiência, em economias de escala, dos investimentos do Ministro do Interror de Angola? O aumento da população em prisões contribuirá, obrigatoriamente, para a diminuição dos custos, per capita.

Nós fartámo-nos de rir quando o actual Governador de Luanda apareceu nas televisões a anunciar o planeamento e implementação de indústrias da madeira, numa província do sul de Angola, onde ele era o soba do Reigime (em Angola designam esse cargo por Governador Provincial). Essas indústrias resumiam-se ao abate de árvores de madeiras valiosas. Estas situações são por nós definidas como: Medidas Estruturais para Promoverem a Diversificação Ecómica.

Haverá ainda tempo para rir, às gargalhadas, com as afirmações do Georges, o chicote, o Ministro dos Negócios dos Estrangeiros, quando ele diz que “Angola nega a violação dos Direitos Humanos, apontada pelos EUA”? Porque lhe chamamos Ministro dos Negócios dos Estrangeiros? Porque os queridos líderes angolanos necessitam de estrangeiros para tudo, até para escreverem os discursos do Presidente da Reipública.

Eles, os queridos líderes, parece, nada conseguem inventar para além do cabritismo, de juízes matumbos, de Procuradoras da Reipública que nada vêem, por possuírem cortinas capilares na frente dos olhos, e a famosa electricidade potável, criação do Einstein do Sambizanga e arredores, o Gene Kangamba. O Gene Kangamba conseguiu atirar para o lixo, definitivamente, todas as Teorias do Evolucionismo, de Darwim e Pós-Darwin, reafirmando e verdade absoluta da Geração Espontânea: “as ipidêmia acontece porquê Angola istá a chuverê”.

Esta lamentação do chicote, o Georges, o Ministro dos Negócios dos Estrangeiros, ocupa destaque de primeira página na Informação, numa semana em que três jovens foram baleados, em Angola, em Caluquembe, na província da Huíla, só porque participavam numa manifestação pacífica contra a imposição de propinas escolares, por parte de um diGerente do MPLA.

Agora que, na Europa, retiraram a idoneidade à empresária da indústria aviária, é necessário que o Governo de Angola promova e publicite, beatifique, e, finalmente, canonize os Aristóteles, os Shakespeares, os Edisons, os Einsteins, os Galileu Galileis do Sambizanga e arredores, os Genes Kangamba, os Chicotes, os Carneiros, os Doutores Atum, os Directores dos Órgãos Oficiais de Informação e Propaganda e muitos outros seus clones. Assim a comédia não será interrompida e os deputados brasileiros não terão qualquer possibilidade de saírem vencedores numa competição contra os “Grandes Inteléquetuais” angolanos.

Por favor, não enviem o Gene Kangamba para o Brasil porque, dizem, ele é por lá procurado pela justiça, por actividades criminais. Necessitamos desse comediante em Angola.

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