O nosso Director, William Tonet lançou um repto, claro e inequívoco, para que fosse criada a CDM – Coligação Democrática de Mudança, visando “resgatar a esperança popular dos angolanos”.

Avançava, igualmente, coma ideia de que para consubstanciar “o amor pelo povo, amor pela liberdade, amor pela independência, amor pela terra, amor pela justiça, amor pela igualdade, amor pela democracia”, os recursos necessários deveriam ter origem em cada partido, em cada ONG, em cada democrata, em cada cidadão discriminado.

As reacções, em catadupa, não se fizeram esperar. Aqui no site do Folha 8, assim como no seu Facebook, e também em contactos directos, chegaram de todos os cantos do mundo centenas de opiniões solidárias. Aqui vamos deixando algumas, esperançados que a sociedade angolana acorde e deixe de olhar para o seu próprio umbigo.

Citamos, a este propósito, Martin Luther King: “O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem moral. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons”.

Domingos Kambunji

(Sociólogo angolano, EUA)

“Caro William Tonet. Quando se iniciou o séc. XXI, ingénuos, pensamos que começava um tempo novo, de mais justiça social, maior complementaridade e fraternidade entre as pessoas, a nível nacional e entre nações. As grandes invenções tecnológicas do Séc. XX e a maior vulgarização dos sistemas educativos, sobretudo universitários, acreditámos, seriam factores que favoreceriam uma intercepção holística, promovendo sinergias para uma melhor qualidade de vida. Enganámo-nos.

As guerras, com e sem arsenais bélicos, estão a favorecer cada vez mais os mais fortes, isto é, os que conseguem manipular mentalidades, num individualismo que protege os que se julgam donos de todos os poderes, promovendo maiores desigualdades civilizacionais, culturais e nacionais.

Angola é, infelizmente, um exemplo disso. A propaganda oficial tenta fazer passar a imagem de que o país é moderno, está a promover uma maior harmonia na sociedade e a diluir as distâncias sociais entre todos os cidadãos.

Ainda há poucos dias falava-se de cidadãos do Cunene a passarem fome e a necessitarem, urgentemente, de “caridade”, esquecendo os muitos milhões de pobres que vivem nos subúrbios das cidades, vilas e aldeias de outras províncias. Os megalómanos generais matumbos são cada vez mais donos/beneficiários de tudo o que o país deveria oferecer a todos os cidadãos nacionais. A Santa Casa da Misericórdia, sediada no Palácio Presidencial, continua a dar muitas esmolas bilionárias a quem tiver ADN dos Santos. As instituições oficiais, especialmente as judiciais, são governadas por eunucos mentais, amestrados para obedecer aos caprichos do Grande Senhor da Guerra, o comandante-chefe, com lucros muito elevados, gestor, em proveito próprio, de todos os conflitos, nos tempos de paz ou não.

Enquanto isso vai acontecendo, a grande maioria dos angolanos e das organizações políticas vive atemorizada, acobardada, acomodada ou domesticada, sob o efeito da cultura da repressão. O reigime agradece esses comportamentos e essas atitudes e está convicto de que nas próximas eleições poderá continuar a manipular os resultados, para demonstrar que tem uma aprovação muito superior a cem por cento.

A desistência é a vitória dos fracassados. Espero, por isso, que a ideia da CDM – Coligação Democrática de Mudança avence e consiga, enquanto é tempo, salvar a Paz e garantir o progresso”.
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Eugénio Costa Almeida

(Mestre em Assuntos Africanos – Portugal)

“Compreendo o repto de William Tonet quando no seu recente artigo nos autodenominou “de vobardes” face ao imobilismo sócio-político dos angolanos perante as situações políticas, sociais e económicas que grassam, presentemente, no País.

Penso que, mais do que criar uma organização sócio-política, como Tonet denomina de Coligação Democrática de Mudança (CDM), há uma necessidade premente dos políticos – repito, políticos e não carnavalescos trasvestidos de políticos –, todos, em geral e sem excepção, das elites sociais, académicas e económicas de ajudar a reeducar as pessoas no sentido e amarem convenientemente o País, tendo por base, não o oportunismo político e económico que alguns abraçam, mas a vontade de, efectivamente, lançar as bases convenientes para uma sã convivências entre todos os Angolanos.

Tonet, num interessante e certeiro artigo apresenta nomes, que pela sua posição política, se enquadram no chamado leque oposicionista ao actual status quo. São-no, de facto. Mas devemos considerar que entre o partido maioritário, o MPLA, há elementos que também não concordam com algumas – talvez muitas – das actuais políticas vigentes. Recordo, por exemplo, Marcolino Moco, entre outros.

Tentemos juntar toadas as vozes num congresso aglutinador de boas vontades, desenvolver vontades, dialogantes entre os que quiserem falar com o coração, alinhar posições sociais, políticas, económicas, e depois criar, então, um amplo movimento para a mudança.

Quem não tentar isto poderá estar a condicionar a sua participação no seio da comunidade angolana e ficar para trás.

Para mim, não basta falar e escrever algo tão belo como um incentivo à mudança se as partes não souberem trabalhar em conjunto em nome e por Angola!”.

Anacleto katchiungo

(Estudante, Reino Unido)

“A ideia lançada por William Tonet de juntar todos os angolanos que não acreditam na inevitabilidade de Angola ser o MPLA e o MPLA ser Angola, embora no partido maioritário existam também pessoas que não alinham com a ditadura, numa Coligação Democrática de Mudança é de aplaudir.

Estou, aliás, em crer que uma formação desse tipo, congregando os partidos da oposição e as organizações da sociedade civil faria o MPLA arrepiar caminho, podendo mesmo levar a que o nosso país se torne mesmo num Estado de Direito Democrático.

Entendo, inclusive, que poderia contar com o apoio (mesmo que resguardado, numa primeira fase) de algumas importantes figuras do MPLA que, certamente, não concordam com o actual estado do país.

Assim sendo, felicito William Tonet e o Folha 8 por esta ideia, esperando que tenha sucesso. Os angolanos na diáspora, sobretudo estudantes, co quem tenha conversado sobre o assunto estão entusiasmados. Força.”

Mário Motta

(Jornalista e Editor – Portugal)

“Na óptica de um não angolano mas de um assumido oriundo de África, berço da humanidade, não tive como ficar indiferente ao que William Tonet, director do Folha 8, escreveu sob o título “Somos todos cobardes, somos covardes”. É facto que assim somos. Todos os povos são cobardes, até um dia.

Os angolanos não são excepção. A coragem, a revolta, só surge quando o peso da canga é demasiado e não permite que temamos o desconhecido, o futuro, o que está para vir. Até que não se atinja esse limite questionamo-nos se após a revolta não ficaremos em pior situação do que a daquela actualidade. É por aí que a falta de coragem se alimenta e mantém nos poderes regimes déspotas.

No caso de Angola, é mais que evidente que existem no regime eminências mais ou menos pardas que roubam descaradamente os angolanos e os votam à condição de cidadãos de segunda, terceira e quarta classe. Não há outro modo de entender e justificar a pobreza que abunda no país. Antagónico a este quadro de pobreza, em muitos casos extrema, vimos uns quantos das elites a esbanjar, a adquirir riqueza que jamais poderão explicar transparentemente. Nem o fazem. Nem o tentam fazer. Limitam-se simplesmente a dar tempo e espaço ao seu vício, à ganância… E crescem, e crescem. Crescem, enquanto imensos angolanos definham. E não é exactamente isso que acontece por todo o mundo? Nuns países mais que noutros?

Em países onde se realizam eleições (sempre condicionadas a determinados parâmetros) os povos ainda conseguem ter alguma força na palavra, naquilo que expressam nas urnas de voto eleitoral. Conseguindo uma folga e novas esperanças. Mas não por muito tempo. Mais cedo que tarde regressa a desilusão e as carências aumentam. É o que acontece no chamado mundo ocidental, o chamado mundo livre. Qual quê? É livre para os que exploram. É livre para as elites instaladas e que se vierem a instalar.

Como diz William Tonet no já referido artigo: “Os da oposição, de Angola, neste momento, não se distinguem daqueles que têm enveredado por uma política de DITADURA, pese a “constituição jessiana”, textualizar o termo democracia, que, na prática, não passa disso mesmo, um sofisma, ou como diria o político português, Almeida Santos, um pedaço de papel, referindo-se aos Acordos de Alvor. Um vazio. Um nada, quanto a sua aplicabilidade, na vida do cidadão.”

As oposições têm por costume fazerem de conta que o são. O que não os impede de falarem, falarem, mas nada fazerem na prática. Limitam-se a esperar que o destino marque a hora em que ascendam aos poderes, em que os que detêm os poderes dos regimes caiam em desgraça. Em Angola, nas eleições (apesar de fraudulentas) não é visível que o MPLA tenha ainda caído em completa desgraça. Isso acontece por responsabilidades da oposição ou das oposições, em grande parte. Por aquiescerem, por se acomodarem, por cobardia. Isso também acontece devido aos que detêm os poderes do regime implantado fazerem o que é legal e ilegal para conterem o avanço das oposições. É aquilo que está a acontecer em Angola, e em muitos outros países do mundo. Incluindo na África. Talvez sobretudo em África.

Já escrevi e digo amiúde que o mal de Angola não é só o MPLA, nem o regime de José Eduardo dos Santos. É da oposição ou das oposições por não ganharem a confiança bastante dos angolanos. Não o fazem só por cobardia, fazem-no por temerem dias piores, ainda uma pior Angola. Quem lhes garante que depois de uma revolta, depois da queda (mesmo pacífica) do regime do MPLA, que não aconteça ainda pior que na actualidade? Que não aconteça o que está a acontecer nos países da chamada Primavera Árabe? São exactamente esses medos que despoletam a cobardia e o que mais está adjacente.

É evidente que o actual MPLA não é flor que se cheire. Mas qual é a alternativa para uma verdadeira democracia, justiça social, verdadeira democracia, progresso? Infelizmente creio que não se vislumbra. Que o MPLA precisa de se depurar dos corruptos, dos antidemocracia, dos anti-justiça, sem dúvida. E as oposições angolanas, não? Os angolanos, como todos os povos nas mesmas circunstâncias, precisam de uma garantia: que quem substitua o MPLA nos poderes não venha a fazer acontecer pior que ele. Como canta Sérgio Godinho: “Para melhor está bem, está bem. Para pior já basta assim”.

Todos os povos são cobardes, até um dia. Que avancem os honestos, os puros, os do povo pelo povo, em defesa da democracia efectiva, os que dêem provas disso e que saibam defender a soberania de Angola e dos angolanos.

Todos os povos são cobardes até um dia, esse dia surgirá. É certo.”
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Alguns dos comentários no site do Folha 8 e Facebook

Johny Sivi: “Caro William Tonet. Estou completamente acordo com a sua consideração para com os angolanos tratando-nos de cobardes. Estou de igual modo também de acordo com as tuas proposta pela criação de uma plataforma dos opositores ao regime de Dos Santos. Mas duvido que esses últimos tenham tripas para isso. Preferem participar na confusão e desunião. Mas se inverterem o pensamento, acredito que 90% dos angolanos os seguirão.”

“Grande Cobarde”: “Por fim, um grande artigo, caro William Tonet e Folha 8! Isto mostra o quão comprometidos sois com a causa do marginalizado povo angolano e, a vossa reflexão, traduz na íntegra o estado caótico em que se o país que vendeu o seu sonho ao diabo, e a troco de quê? Cobardia eterna!!! Bem Haja Folha 8! Bem Haja WILLIAM TONET!”

Aguinaldo Alves do Nascimento (Veto): “Sempre tive uma grande simpatia por si, pela ousadia, pela coragem e força, é notório que pessoas como o William Tonet dão alguma esperança a este país subjugado ao regime ditador e corrupto. A ideia da coligação é fantástica, os municípios mas pobres do país são os maiores e facilmente este povo sofrido a tantos anos abraçaria de muito agrado essa coligação. Quero muito e desejo que o William viva o suficiente para ver o seu esforço reconhecido por esta luta e veja o país mudar, o tempo não para, a vida passa, a força anímica esgota-se e tudo acaba com a idade. Wiliam Tonet um abraço forte deste angolano que está contigo.”

Israel V.D.: “Muito bem dito sr. William. O culpado disto tudo é o próprio povo que continua a votar no Zédu. Resultado, ele com isso vai se aproveitando para roubar junto com a sua família o dinheiro que é do povo.”

Ferreira Manuel: “Também eu me considero cobarde, porque apenas olho para o meu umbigo. Mas, diria eu: quem sou para reivindicar este tão nobre papel de ser alguém? Uma gota de água no conjunto de gotas fazem o todo, “o rio, o mar, o oceano”, e esse todo derrubaria este ditatorial governo, desgovernado. Isso mesmo, porque este país, é-o com governo, sem governo.

Razão tem o Sr. William Tonet. Pois a oposição e o povo no seu todo, dever-se-ia unir para a tal CDM. É necessária uma FFGEP “Frente de Fiscalização do Governo Extra Parlamento”.

Sabe-se que o MPLA ganhará as eleições de 2017 porque a fiscalização das assembleias de votos é feita pelos militantes desse partido e oposição não se fará presente nelas. Os boletins de votos com a cruzinha no quadradinho com o símbolo da oposição serão seleccionados e jogados na primeira ribanceira ou rio que aparecer, como no Huambo, onde os boletins de votantes da oposição apareceram jogados no Lufefena, logo não foram contados, e nas aldeias distantes onde as urnas com os boletins de votos são levados a cabeça, por não há via de acesso para viaturas, depois de separados os boletins, os da oposição são lançados no primeiro buraco encontrado ou cavado de propósito. E o que faz a oposição que sabe disto, e o próprio povo votante o que faz? Acobarda-se!

Também eu, me acobardo. Mas quem sou eu? Um grão de areia fora da praia!”

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