O Distrito Urbano do Kilamba Kiaxi tem vindo a apresentar, nos últimos dias, um quadro péssimo no que tange ao saneamento básico, ante o olhar impávido do administrador local, Domingos João Lourenço, no cargo desde Abril de 2015, que pouco ou mesmo nada fez até à data para resolver a situação, “deitando por terra” as expectativas da população geradas em torno da sua indicação para substituir o anterior gestor daquela circunscrição, José Correia, que teve uma gestão muito danosa, deixando a zona num péssimo estado.

Por Dionísio Halata

À luz do que se vive um pouco por toda a província de Luanda, neste distrito urbano, o lixo já começa a tornar-se um elemento comum na vida dos moradores, facto que, entretanto, dificilmente era visto nos anos anteriores, afirmaram os habitantes da região ao Folha 8.

“Com a nomeação deste administrador em 2015, por sinal o décimo que passa por cá, pensávamos que ele seria o “salvador” há muito almejado, enganamo-nos, porque este está a repetir erros idênticos aos do anterior, começando com o nepotismo e embora o lixo já existisse antes, só começou a ganhar os primeiros sinais de visibilidade apenas após a tomada de posse deste novo administrador”, disse um munícipe, residente próximo à Administração Distrital, situada no Golfe 1.

Se o anterior administrador havia cometido a gafe de trazer para o seu pelouro parentes muito próximos, o actual, Domingos João Lourenço, pecou por designar indivíduos que, além de alguns serem familiares, têm pouca experiencia administrativa, pois diariamente cometem inúmeros erros dignos de palmatória, acrescendo a isso também a nomeação de pessoas há muito contestadas pelos moradores da zona, como são os casos de Filomena Freitas, administradora do Golfe (anteriormente colocada na Vila Estoril), Pascoal Fortunato Paulo, administrador do Palanca (anteriormente no Havemos de Voltar), António Casal, director da Unidade Técnica e Francisca da Costa, chefe dos Serviços Comunitários, trabalhadores que já durante o elenco de José Correia haviam dado provas de falta de dinamismo para a resolução dos principais problemas que afligem as comunidades locais.

Na opinião dos habitantes locais, Filomena Freitas, por exemplo, já devia estar na reforma face à idade e às responsabilidades que cumulativamente ostenta no distrito, nomeadamente directora de uma escola e líder da Organização da Mulher Angolana (OMA), pertencente ao MPLA, factos que a levam a permanecer ausente da Administração Comunal do Golfe por longos períodos, limitando assim a possibilidade de acompanhar e dar respostas concretas e eficazes aos males da sua área de jurisdição territorial.

Quanto a Pascoal Fortunato Paulo, é descrito, pelos moradores, como “amigo das maratonas” pela apetência que tem demonstrado na promoção de eventos desta natureza, algumas vezes com o único propósito de arrecadar valores das feirantes em benefício próprio; durante ao ano 2015 promoveu inúmeras no Palanca. É ainda descrito como não tendo capacidades científicas e técnicas sobre gestão de administrações, levando-o, por isso, a aplicar na sua área de jurisdição a repugnante lei da gasosa, em troca de protecção dos interesses dos habitantes da zona.

Por seu turno, António Casal, o responsável pela Unidade Técnica do Distrito Urbano do Kilamba Kiaxi, é apontado como um cidadão sem perfil para o cargo que ostenta, desempenhando-o apenas por ser parente próximo do administrador distrital, razão por que tem gerido os meios e materiais postos à disposição ao seu bel-prazer, alugando-os nalguns casos para terceiros quando deviam servir apenas para dar resposta a péssima situação vivenciada no distrito, pois tais meios foram adquiridos com dinheiro do Estado para servirem a comunidade ali residente e jamais para engordar contas bancárias de particulares, ainda mais numa altura de crise como esta que presenciamos, em que os órgãos públicos necessitam cada vez mais de arrecadar receitas.

O Distrito Urbano do Kilamba Kiaxi enfrenta presentemente problemas de vária índole, tais como a ausência de uma rede de abastecimento de água potável, energia eléctrica, saneamento básico e aumento considerável da delinquência que se vem registando nos últimos tempos por aquelas paragens. Assassinatos, assaltos armados e violações sexuais ganham corpo à luz do dia, a Polícia Nacional existente na circunscrição apenas olha serenamente os relatos diários das populações, nada faz; alega não dispor de meios materiais e humanos suficientes para dar cobro ao cenário, facto que os meliantes aplaudem com entusiasmo.

Para os interlocutores, o administrador do distrito precisa, em coordenação com o comandante de divisão, superintendente Alberto da Silva Paulo “Bala”, definir urgentemente uma estratégia viável para atacar a criminalidade crescente na zona, até porque essa já é uma das recomendações que havia sido feita aquando da realização dos últimos Conselhos Consultivos de Concertação Social, onde, dentre outros assuntos, foi também analisado o retorno da região a categoria de município da província de Luanda, ficando apenas por se esclarecer como ficará a designação oficial da mesma, cenário que obrigou a deslocação do ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa Baltazar Diogo, coadjuvado por um batalhão de técnicos do Executivo Central, ao referido distrito urbano.

O Kilamba Kiaxi possui zonas que são consideradas autênticos bastiões de estrangeiros ilegais, oriundos sobretudo da República Democrática do Congo, ficando impunes à fiscalização por serem, nalguns casos, adeptos do tão afamado Kabuscorp Sport Club do Palanca, agremiação pertencente a Bento Kangamba. Os mais vivos conseguem por meios, ilegais, adquirir o bilhete de identidade, exclusivo dos angolanos, nos estabelecimentos que possuem um pouco por quase todo a região dos bairros Palanca, Golfe, Camama e Popular, por exemplo, tocam música muito alta, em desrespeito das normas de convivência característica dos cidadãos autóctones.

“Eles não respeitam a lei, muito menos o próprio cidadão nacional; as mulheres em muitas ocasiões sobrevivem da prostituição, espalhando ai adentro inúmeras doenças; os gajos criam igrejas, onde não raras vezes os pastores envolvem-se sexualmente com as crentes e até chegam a engravidá-las”, disse um dos munícipes, bastante agastado com os factos presenciados.

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