No passado dia 23 de Dezembro faleceu, na África do Sul, José Pedro Tonet, Tio do nosso Director. Por questões burocráticas o funeral só teve lugar, em Angola, no dia 31 de Dezembro. À família do falecido o Folha 8 apresenta os seus mais sentidos pêsames.

E m homenagem a José Pedro Tonet, aqui reproduzimos o elogio fúnebre feito por William Tonet:

“Hoje estamos aqui reunidos carregados de um misto de tristeza, dor, saudade e alegria, pelo passamento de um grande homem, quer para a família, como para os amigos e colegas.

Obrigado ENANA, por não o terem abandonado!

José Pedro Tonet, o pai, o marido, o avó, o bisavó, o tio, o cunhado, o amigo, o colega, o vizinho, deixa-nos no esplendor de uma vida, vivida intensamente, cujas marcas indeléveis ficarão para todo o sempre, na história das nossas memórias.

Perdemo-lo no pedestal e esplendor dos juvenis 64 anos de idade, marcados pelo perfume do cordão umbilical em Kambulo/Lunda, seu húmus identitário, com passagens por Luanda, África e o mundo, paragens onde cresceu, fez-se homem, cunhando aqui e ali a sua personalidade, como respeitável apaixonado da ciência, da física, da mecânica e aeronáutica.

– “Tio quem foi o maior físico da história: Niels Bohr ou Albert Einstein?

– Ambos e cada um à sua dimensão: Niels Bohr é o pai da mecânica quântica e Albert Einstein o pai da física convencional”, respondia orgulhoso face à sua enorme biblioteca…

Nesta vertente muitos aqui nunca chegaram a conhecer esse nosso Pedro Tonet… antes de se transformar no vosso Engenheiro Pedro, personagem pública, no Pedro audacioso, empreendedor, famoso, que a muitos de nós inspirou.

OBRIGADO ENANA POR NÃO O TEREM ABANDONADO!

Sabem… Nós, família, sabemos o seu apurado sentido de humor… que nos levava, às tertúlias e ao delírio do povo maravilhoso, nas vezes, dos muitos anos, precisamente, em dias como este: 31 de Dezembro, que se reunia, lá no quintal de tua casa, onde partiremos, juntos, todos juntos, para rasgar a noite da virada do ano, com o nosso hino Gonzaguinha:

“Eu fico com a pureza das respostas das crianças:

É a vida! É bonita e é bonita!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar,
A beleza de ser um eterno aprendiz
Aí meu Deus, Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!
E a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Mas e a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo,
É uma gota, no tempo
Que nem dá um segundo,
Há quem fale que é um divino mistério profundo,
É o sopro do Criador numa atitude repleta de amor.
Você diz que é luta e prazer,
Ele diz que a vida é viver,
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é, e o verbo é sofrer.
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé,
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser,
Sempre desejada por mais que esteja errada,
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte,
E a pergunta roda, e a cabeça agita.
Fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
É a vida! É bonita e é bonita!”

Esta era a sua música preferida, o seu hino. Era assim nesta alegria contagiante, este nosso Pedro ou Peter só para ficarem com uma ideia…

Noutro contexto e já dominando a ciência, lançou âncora, na construção da família, educando e formando os filhos; Cláudia, Cardinal, Andreia, Sara, Ricardo e Braúlio, nas mais variadas áreas do saber, no seu jeito peculiar de ser pai, marido de Yote Tonet, irmão de Mariana, Julieta, Celine e Leão, cunhado de Tavares, Guerra e Zeca, um tio, na dimensão do calor que nutria pelos sobrinhos, que são muitos, muitos e nele nos revemos afectuosamente.

O nosso ente querido, Pedro é pois um autóctone angolano que orgulha, o chão identitário familiar. Ele conseguiu, vencer rios, obstáculos e quando incompreendido, chamava a humildade, que o caracterizava nas relações humanas, com um “porra, tens de mudar”!
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O nosso parente uniu, muitas vezes, o mapa familiar, quando destroçado, pelas divisões e desavenças, conseguindo que nos sentíssemos seguros, que nos esquecêssemos da palavra medo e nos unissemos todos, como membros da mesma família…

Não sabemos se algum dia pensou que os seus feitos, a sua memória perduraria, para além do corpo, para além desta vida terrena, mas assim será, assim faremos, eternamente…

Quem conheceu tão bem, Pedro Tonet sabe do quão abominava a fama e que todos os seus gestos não carregavam a ambição pessoal, mas objectivos sublimes.

Caros familiares, nesta hora de luto e dor, o Pedro Tonet deixou-nos uma família que precisa de unidade, que precisa de todos… para se perpetuar harmoniosamente, na graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por esta razão, temos ciência de este acto não ser um eterno ADEUS, mas apenas, um ATÉ BREVE, pois ele irá desbravar o caminho, para nos acolher, amanhã, na ceia do Senhor.

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