O jornal do MPLA, conhecido também como Jornal de Angola, Pravda, Boletim Oficial, é o mais acabado exemplo da “democracia” do seu chefe. É o espelho de quem está no poder há 36 anos sem nunca ter sido nominalmente eleito.

Por Orlando Castro

O pasquim junta diariamente todo o seu arsenal propagandístico para agradar ao “querido líder” e, dessa forma, continuar a garantir que enquanto José Eduardo dos Santos for bestial, eles estão safos. Quando passar a besta, eles vão juntar-se aos novos donos.

Segundo o órgão oficial do regime, activistas da CASA-CE andaram em Cabinda a “vender” um referendo que consiste em saber se a população da “província” quer a independência.

Acrescentaram que “o padre Congo é o primeiro propagandista deste crime grave contra a soberania nacional”. De facto, para o órgão oficial do MPLA, bem como para os dirigentes do partido que governa angola desde 1975, Cabinda continua a ser aquela espinha que entope a garganta putrefacta dos neo-colonizadores.

Por muito que tentem, e já utilizaram todos os meios ao seu dispor, não conseguem tirar a espinha e pôr os cabindas de joelhos. Ao contrário do que fez em Angola, em Cabinda o Povo só aceita ficar de joelhos perante Deus.

Sabemos que o Jornal de Angola considera (embora alguns comecem a dar sinal de cepticismo) José Eduardo dos Santos um deus. Considera por enquanto. Quando ele, tal como Salazar e outros ditadores, alguns bem amigos do dono de Angola, cair, vamos ver este pasquim a dizer que, afinal, Eduardo dos Santos não era bestial mas, isso sim, uma besta. É, aliás, o processo natural de autómatos acéfalos e invertebrados.

Para o jornal do MPLA, quem defender o direito de o Povo de Cabinda escolher o seu destino está a cometer um crime. Pudera! Se até ler um livro sobre as regras para derrubar pacificamente um ditador é crime… É, aliás, o mesmo crime que – à luz das leis de então – o MPLA cometia quando lutava pela independência de Angola. Recordam-se?

Além disso, desde 1975 que a lei é alterada de acordo com a conveniência dos donos do reino, nem que para isso tenham de fazer vários 27 de Maio e matar milhares de pessoas. Depois de dizerem que é crime passível de pena de morte seguir os ideais de Nito Alves, descobriram a mesma moldura penal para Marcos Mavungo e, mais recentemente, para Luaty Beirão.

Recordemos que o órgão oficial do regime disse que “William Tonet, Casimiro Congo e companhia assinaram um “acordo” para o referendo. Se fosse só irresponsabilidade estávamos bem. Mas é muito pior. Chivukuvuku imita Savimbi e grita empolgado aos seus apoiantes: “a direcção da Comissão Nacional Eleitoral não são patriotas”.

De uma só vez o pasquim dirigido por Eduardo dos Santos através dos sipaios José Ribeiro e Filomeno Manaças mete todos os seus inimigos no mesmo suposto crime: William Tonet, Jorge Congo, Abel Chivukuvuku e Jonas Savimbi.

É tamanha a dor e a certeza da derrota que o MPLA sente que os sipaios tiveram mesmo de escrever o nome destes inimigos.

Em relação a William Tonet é compreensível. José Ribeiro e Filomeno Manaças gostariam um dia de ser como ele, Jornalistas, patriotas e íntegros. Como não conseguem lá chegar por mérito próprio, que não têm, tentam denegrir a sua imagem.

Em relação a Jorge Congo, tentam beliscar a honorabilidade que tem. Não chegam lá. Aliás, se a sua valia moral e intelectual se medisse pelo nível dos seus inimigos, José Ribeiro, Filomeno Manaças, Artur Queirós amesquinhavam-no em todos os sentidos.

Quanto a Abel Chivukuvuku, o jornal do MPLA ainda procura saber quem foram os responsáveis do partido que o não assassinaram, como era esperado e correspondia ao plano que, em 1992, o MPLA pôs em marcha e que visou o genocídio politico-tribal das gentes da UNITA.

Quanto a Jonas Savimbi, José Ribeiro e Filomeno Manaças deveriam pôr-se em sentido (eu sei que é uma posição impossível para quem não tem coluna vertebral) quando falam dele. Se calhar acreditam que os documentos encontrados no bunker de Savimbi, no Andulo, desapareceram definitivamente… Mas não desapareceram.

Como eruditos escribas, os sipaios do jornal de MPLA dizem que Chivukuvuku faz ameaças à Savimbi: “com um governo da CASA-CE enfermeiro que pede gasosa vai no Tribunal!” Os apoiantes entram em delírio. Ele dispara: “no prazo máximo de um ano acabamos com a gasosa”. E também promete acabar com a pobreza numa legislatura! Quem fala assim não é gago mas também não pode ser levado a sério. Até a demagogia tem que ter limites para fazer algum efeito.”

“Os insultos mais rasteiros chegam de Chivukuvuku que já se julga um Savimbi apontando os canhões da calúnia contra os “crioulos” e os “caudilhos”. No último comício disparou: ”lá em cima roubam, os ministros roubam, as províncias roubam, os administradores roubam”, conta o jornal do MPLA.

A resposta a esta enciclopédia de imbecilidades do Jornal de Angola é dada todos os dias pelos visados que – embora não seja por vontade do MPLA – ainda estão vivos.

Também não tenho nenhuma procuração para defender Jonas Savimbi. Mesmo assim, e não tendo a certeza que José Ribeiro e companhia sabem ler, aqui vão algumas notas de esclarecimento.

Jonas Malheiro Savimbi foi o único dirigente dos movimentos de libertação nacional que se encontrava no interior do país por ocasião do 25 de Abril de 1974.

Durante 16 anos, Savimbi dirigiu a Resistência contra o expansionismo russo-cubano e o monopartidarismo, tendo angariado apoios e simpatias interna e externamente. Foi classificado como estratega politico-militar de craveira internacional; combatente pela liberdade; esperança de Angola pelos países amantes da liberdade e democracia. Foi Jonas Savimbi quem obrigou à saída dos cubanos de Angola e ao fim do monopartidarismo.

A carreira de Jonas Savimbi foi fundamentalmente de um cidadão sensível aos problemas do seu Povo; de um empenho total às causas profundas e legítimas dos angolanos de um condutor de homens cujo pensamento e acção determinaram a evolução do processo de Libertação do Povo de Angola e de África Austral, tornando-lhe num dos patriotas mais vibrantes e empreendedores do fim do Século XX.

Savimbi foi o único dirigente nacionalista angolano que circunscreveu nos ideais do seu Movimento, aquando da sua fundação em 1966, a democracia assegurada pelo voto do Povo através de vários Partidos Políticos.

Mesmo contra a vontade do MPLA e, neste caso, dos sipaios que tem em serviço no Jornal de Angola, com a morte de Savimbi, África perdeu um dos seus mais insignes filhos, cuja vida e obra o situam na senda dos arautos da História Africana como N’Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny e Hassan II.

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