O país tem estado a viver momentos difíceis, que deveriam apelar a uma maior ponderação, inteligência e o sentido patriótico da tribo político-partidária.

Por William Tonet

P articularmente, esperava mais do bureau político do MPLA, quando paira no ar o cheiro nauseabundo, da “porcaria jurídica”, de órgãos governamentais do regime, causada com o massacre do Monte Sumi, onde as forças policiais e militares, assassinaram a sangue frio, mais de 700 cidadãos cristãos desarmados, as prisões arbitrárias de Marcos Mavungo e Arão Tempo, em Cabinda, acusados de pretenderem organizar uma manifestação e dos 15+1 jovens presos políticos, em Luanda, acusados de tentativa de golpe de Estado e derrube do Presidente José Eduardo dos Santos.

Em todos casos, as provas são tão falíveis, que ninguém acredita, salvo, no delírio acusatório, porquanto o mais contundente é a presunção, a possível intenção e o famoso acto preparatório.

“MPLA não consegue enxergar a nódoa que tem no lençol”

Voltemos ao bureau político do MPLA. Porquê?

Ingenuamente, acreditei que haveria uma inversão, uma fuga em frente, ou ainda “leninisticamente” falando, “um passo em frente e dois atrás”, por parte dos dirigentes do MPLA, face à pressão e condenação da comunidade internacional e a colagem da figura de José Eduardo dos Santos à lista dos mais déspotas ditadores mundiais, das práticas do governo, pelo menos no comunicado final.

1 – “O BP do MPLA face a delicada situação que o país atravessa, com base nos últimos acontecimentos, no sector policial e judicial, geradora de várias interpretações, aguarda com serenidade, que todas as partes façam respeitar a Constituição e a lei”;
2 – “O BP do MPLA respeitando a separação de poderes, o seu papel de maior partido político de Angola, que sustenta o governo, espera que este órgão, possa tudo fazer, para que a lei, não seja extremada, não se julgue ninguém, por motivações políticas, presunções ou outras e, para além de tudo, se respeite e faça cumprir a Constituição e os direitos que ela consagra aos cidadãos, em igualdade de circunstâncias”;

3 – “O BP do MPLA tem assistido, muitas vezes, a incompreensão, por parte de alguns órgãos e individualidades internacionais, talvez por falta de uma melhor explicação da parte do governo, que se impõe, para que não pairem nuvens no ar”;

4 – “O BP do MPLA defende, finalmente, que ninguém, tal como consagra a Constituição da República de Angola, seja julgado por defender posições ideológicas, religiosas ou sindicais. São sagrados, para o MPLA, os postulados constitucionais de direitos do cidadão, tais como as liberdades de expressão, imprensa, reunião e manifestação, entre outras em conformidade com o ordenamento jurídico em vigor, afastando-se de todas as formas de condenação ou incriminação por presunção”.

Uma posição desta índole, afastando-se da borrada do governo, seria não só de prudência, como de inteligência, para não concentrar o foco do ataque nacional e internacional, em todo regime: Titular do Poder Executivo, MPLA e Presidente da República.

Mas, numa cega política de arrogância, o MPLA continua a dar tiros nos próprios pés, parindo um comunicado, onde reduz a sua visão, apenas na defesa do líder, por demais colado a todas práticas de arbitrariedade e violações das leis.

“Ser comparado a Salazar deveria levar o MPLA a pensar na baixa popularidade de Dos Santos”

Aos olhos da comunidade nacional e internacional, José Eduardo dos Santos, hoje é visto, como dos mais cruéis e insensíveis ditadores, tanto é assim, que quando um bispo português, que viveu no tempo da ditadura, o compara a Salazar deveria impelir o MPLA a um aturado estudo, para saber onde tem falhado, pois é um poço lamacento que não enobrece, quem nele se chafurda.

Na esquina de se comemorar, 40 anos de independência, o MPLA está orgulhosamente só, secundado por bajuladores e assalariados estrangeiros, da pior estirpe, únicos que conseguem descortinar algum mérito em José Eduardo dos Santos, rotulando-lhe como arquitecto de uma paz, que partilha sozinho…, como se o país fosse uma coutada privada.

Os demais cidadãos têm dele a pior imagem, daí o fácil carimbo, de discriminador, arrogante, presunçoso, injusto e apoiante de práticas de tortura, espancamento, prisões arbitrárias, assassinatos e de corrupção institucional.

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