MAIORIA DOS JOVENS AFRICANOS QUER MIGRAR

Metade dos africanos inquiridos já ponderou emigrar, sobretudo jovens instruídos, revelou hoje um relatório do Afrobarometer, assinalando também forte apoio dos países ao comércio global e ao papel da China no continente.

Os cidadãos dos países da África Ocidental (34%), Central (24%) e Austral (23%) têm uma maior probabilidade de migrarem, sendo que a Gâmbia (53%) e a Libéria (51%) são os dois países onde os cidadãos são os mais propensos, segundo o relatório “Beyond Borders: Citizen Perspectives on a Shifting Global Order” (Além das Fronteiras: Perspetivas dos Cidadãos sobre uma Ordem Global em Transformação), tornado público em Acra, Gana, e que se baseia em dados de inquéritos representativos a nível nacional de 38 países africanos.   

A migração, causada por razões climáticas, conflitos ou alterações climáticas, tem tido “aumentos significativos”.

Em contrapartida, o Togo (de 30% para 23%), São Tomé e Príncipe (de 35% para 31%) e o Maláui (de 28% para 25%) são os únicos países que registaram declínios significativos na proporção de pessoas que disseram ter pensado em sair do seu país.

Segundo o documento, os cidadãos que emigram são na sua maioria homens, que estão na casa dos 18 e 35 anos, e são mais instruídos. Também se revela que o desejo de migrar é mais popular nas áreas urbanas do que rurais.

Os dados revelam que menos pessoas querem ficar no continente africano, que desceu cerca de nove pontos percentuais, e mais pessoas olham além do continente, sendo o primeiro destino a Europa (29%), seguida da América do Norte (28%).

Quase metade dos inquiridos expressou que ter pessoas a mudarem-se para o seu país para trabalhar durante muito tempo é bom para a economia, à excepção de alguns países, como o Gabão (74%), África do Sul (69%) e República Popular do Congo (63%).

“Em África, ao contrário do resto do mundo, são, na verdade, os mais instruídos, os mais qualificados e os mais ricos que expressam a resistência mais forte aos imigrantes”, declarou a directora de comunicação do Afrobarometer, Josephine Sanny, na divulgação do documento.

A maioria dos entrevistados defendeu a abertura das economias ao comércio e favoreceu conexões globais, mas o conhecimento sobre o Acordo de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA, na sigla inglesa) permanece residual.

Segundo dados do inquérito, 62% dos inquiridos consideram que os governos devem facilitar o comércio internacional, uma preferência maioritária em 32 das nações analisadas, embora países como Angola, Gâmbia, Madagáscar e Mauritânia ainda prefiram trocas limitadas.

Além disso, 66% apoiam a expansão das relações comerciais a nível global, sendo o Maláui e o Mali as únicas excepções que priorizam esta abertura mundial.

Em relação às potências globais, mais de 60% dos inquiridos vêem a China como uma influência positiva.

Já os Estado Unidos continuam a ser vistos como uma influência positiva, mas desceu seis pontos percentuais e aumentou outros sete na influência negativa.

Além destas potências globais, a União Europeia é a terceira a ter uma influência positiva, seguida das antigas potências coloniais, da Índia e da Rússia.

A influência a nível de organismos, como a União Africana e outras organizações económicas regionais, é vista pelos entrevistados como favorável.

A opinião na maioria dos inquiridos face a organismos internacionais, como a ONU e o seu Conselho de Segurança, regista 71% a afirmarem que o seu país deveria ter uma maior influência no poder de decisão, à exceção de Angola, segundo Josephine Sanny.

“Cada vez mais africanos dizem que os países ricos e desenvolvidos são os principais responsáveis pela ação climática”, concluiu a directora de comunicação.

No relatório apresentam-se as opiniões dos cidadãos relativamente ao comércio transfronteiriço e à integração económica, à migração, ao papel e à influência de África na governação global e às perceções sobre a influência das principais potências globais no continente.

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