A empresária e Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, entre outras coisas, Isabel dos Santos, desmentiu hoje via Instagram as notícias que circularam esta semana sobre o agravamento do estado de saúde do pai, o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, de 74 anos.

Por Orlando Castro

Referindo-se ao Folha 8, Isabel dos Santos (aquela que é a mais emblemática multimilionária de um país com 20 milhões de pobres) escreveu: “Alguém que desce tão baixo de nível, até ao ponto de inventar notícias de morte tudo pela vontade insaciável de criar confusão, e tumulto político em Angola. Até que ponto chega o egoísmo, e ambição desmedida destas pessoas, até ao ponto de ignorar, que existem familiares e amigos… Oportunistas e criadores de falsas notícias”.

Trata-se, usando a terminologia de Isabel dos Santos (talvez aconselhada – na criação desta falsa afirmação – pelo seu sipaio Paulo Catarro, ex-delegado da RTP em Angola) de uma mentira (apenas mais uma) porque o Folha 8 NUNCA (em tempo nenhum; nenhuma vez) escreveu fosse o que fosse sobre a morte do seu pai, José Eduardo dos Santos.

Escrevemos sim que se encontra gravemente doente. E se gravemente doente é sinónimo de morte, então lá teremos de voltar à escola primeira do Huambo, não sendo necessário para o efeito frequentar o King’s College de Londres.

Hoje, no texto: “José Eduardo dos Santos em estado (muito) grave”, escrevemos: “Esperemos que tudo não passe de mera especulação e que o Presidente possa melhorar de saúde e recuperar as suas plenas faculdades para completar o seu mandato”.

Será isto, como escreveu Isabel dos Santos, sinónimo de “egoísmo, e ambição desmedida destas pessoas, até ao ponto de ignorar, que existem familiares e amigos”?

Reiteramos um conselho a Isabel dos Santos, ou aos seus “catarros” da escrita: a serenidade é a melhor conselheira. A verdade também ajuda. Compreendemos que a dor lhe tolde o raciocínio e a leve a confundir a obra-prima do Mestre com a prima do mestre-de-obras. Lamentamos igualmente que, sobretudo nos momentos difíceis, nenhum do seus assalariados a aconselhe a não misturar o desejo de vingança com a verdade.

Talvez seja sua vontade – como lhe sugerem alguns dos seus acólitos – acabar de vez com o Folha 8. Não nos parece, todavia, que seja daquele tipo de pessoas que por não gostar da mensagem mande assassinar o mensageiro. Mas se o quiser fazer, não precisa de se refugiar na mentira, atribuindo-nos afirmações que nunca fizemos. Se esse for o seu desiderato, basta usar o que efectivamente escrevemos e que, é verdade, quase sempre lhe desagrada. Esteja, por isso à vontade.

Isabel dos Santos usou o Instagram para, através do seu vasto séquito de bajuladores, aliviar a dor imensa que certamente sente. Também poderia, no caso da reacção ao que o Folha 8 escreveu, usar o mais do que legítimo direito de resposta. Inteligentemente, espirrou e ficou à espera que outros (a Lusa, por exemplo) fosse célere na transmissão acelerada e massiva do vírus.

Assim aconteceu. Com a vantagem de que as agências de notícias podem escrever as barbaridades que muito bem entenderem, na certeza de que elas serão replicadas em tudo quanto é sítio, sem qualquer tipo de edição. Isabel dos Santos sabe que o “copy paste” é um dos principais instrumentos de “trabalho” dos supostos jornalistas, pelo que ninguém cuida em saber se – por exemplo – António Mangueira tinha razão quando disse que, “para quem conhece um pouco da história de Angola”, nos tempos dos portugueses “o Lubango era chamado de Nova Lisboa”…

Será que Isabel dos Santos prefere, tal como seu pai, ser assassinada pelo elogio do que salva pela crítica? Ficaria mais feliz se o Folha 8 dissesse que o seu pai tem a mesma saúde que tinha quando, há 38 anos, assumiu os comandos de Angola?

Será que Isabel dos Santos se lembra de ter lido o que se segue: “O respeito é muito bonito e todos gostamos. No que ao presidente do MPLA e de Angola respeita, é público que o consideramos um ditador e o principal responsável, entre muitas outras coisas, pela fome que atinge milhões de angolanos. Isso não nos dá direito de ofender José Eduardo dos Santos, esquecendo a educação e entrando pelo insulto soez, torpe e ordinário”?

Isabel dos Santos sabe que, por exemplo, no nosso site não é, nem nunca foi, publicado nenhum comentário ofensivo para com o seu pai. Também sabe que no nosso Facebook, embora nesta rede social o controlo seja mais difícil, apagamos – sempre que detectados – quaisquer comentários ofensivos, indo mesmo a ponto de banir a presença dos que teimam em desrespeitar as mais elementares regras de civismo.

Por fim, seria bom que Isabel dos Santos entendesse que a se a nossa liberdade termina onde começa a sua, a sua termina onde começa a nossa.

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