Os resultados das últimas eleições em Angola para eleger um “novo” Presidente da República e deputados, no passado dia 23 de Agosto, deixaram um gosto amargo nas hostes do MPLA, partido que desgoverna o país há 42 anos. O caso não é para menos.

Por Paulo Queirós Carapinha

Durante a campanha eleitoral, líderes e simpatizantes do MPLA apregoaram, até à exaustão, a “presumível” transparência eleitoral em favor dos concorrente que, apesar da fraude, mostraram que os angolanos começam, embora lentamente, a pensar pela própria cabeça.

Até agora, para além dos sipaios e seus chefes, só os observadores internacionais, escolhidos à medida por medida, em representação de instituições cada vez menos credíveis como a União Africana, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e diplomatas acreditados em Angola, disseram que os resultados das eleições foram imparciais.

Se ilustres personalidades da vida política angolana estão enganados, então o que dizer da vitória eleitoral do actual Presidente dos Estados Unidos da América e de um seu antecessor, que venceu por “alegada” – e sublinhamos “alegada” – batota?

Pelos vistos, o que é bom para uns, é mau para outros, como certos “comentadores” daqui e de além-mar que descobriram manipulação dos resultados eleitorais, onde, obviamente, só existem os números exactos do escrutínio aos quais só o partido vencedor teve acesso, podendo por isso pôr e dispor.

Não contentes com isso, líderes do MPLA que almejavam a maior vitória de sempre e acabam por ter a mais curta vitória de sempre, sabendo que seriam derrotados à partida por incapacidade de governar demonstrada durante 42 anos, vieram a terreiro dizer que não houve fraude eleitoral. E porquê? Pasme-se! A Comissão Nacional Eleitoral – dizem eles – não é uma “correia de transmissão” do partido vencedor, mas apenas uma sua sucursal.

Mas antes do início da campanha eleitoral, os “arautos da desgraça” já vaticinavam que se o MPLA não ganhasse seria o fim do mundo, tentando assim incutir no eleitorado o medo e avisando que vitória de oposição significaria aquilo que nenhum angolano quer – o regresso à guerra.

Depois, perante a reacção dos eleitores, trataram de camuflar todos os sinais de fraude que, mais uma vez, mostraram que a batota está no ADN do MPLA.

Assim, os acólitos do MPLA, que estão de mãos dadas com estrangeiros ressabiados, para quem a Independência de Angola só faz sentido se o país voltar ao sistema de partido único ou ao multipartidarismo tipo Coreia do Norte ou Guiné Equatorial, não conseguiram “digerir” as sucessivas e estrondosas quedas eleitorais que, é claro, legitimam a nova máxima do MPLA: A luta continua, a derrota é certa.

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