Tudo normal no planeamento da competição eleitoral. O Poder já escolheu a equipa, a que chama lista, e o árbitro (vigarista). O terreno, relvado, em que se vai efectuar a competição, também é totalmente normal, está muito bem preparado. Tem um declive mínimo, inclinado quase totalmente na vertical.

Por António Kaquarta

O Poder, para esse efeito, contratou arquitectos, jardineiros, engenheiros civis, engenheiros dos petróleos, uma engenheira electrotécnica e topógrafos das Universidades do Catambor, Bá Cu, Cú Ba e de Moestorvo.

A equipa do Poder jogará a descer e já conseguiu garantir que a equipa da Oposição estará impossibilitada de subir.

O árbitro foi treinado para punir a Oposição se esta sofrer caneladas, murros, bastonadas ou um simples empurrão por parte dos jogadores do seu Patrão.

O resultado já foi decidido antes do jogo ter iniciado. Serão vencedores, com grande vantagem, as equipas do Poder e da Arbitragem.

Os jogadores da Equipa do Poder, do número 1 até ao número 9, terão as chuteiras equipadas com metralhadoras Kalashnikov. Os restantes, o 10 e o 11, terão as chuteiras equipadas com canhões e mísseis de bronze, decoradas com diamantes.

As balizas da Oposição devem movimentar-se para o lugar em que a equipa do Poder chutar. Se o guarda-redes da Oposição defender com a mão estará sujeito a sofrer uma grande penalidade, por prejudicar a intencionalidade para vencer por parte da equipa do Poder.

O árbitro já avisou os treinadores da equipa da Oposição de que se falarem ou protestarem irão para a prisão. Os únicos que poderão falar serão as equipas do Poder e a que estará a arbitrar.

Se a equipa da Oposição converter algum golo, este contará no placard a favor da equipa do Poder, porque esta é a empresária proprietária do campo, da bola, da arbitragem e da Organização do festival onde se desenrolará a competição eleitoral.

Os órgãos de informação e propaganda oficiais já têm prontas, para publicar, crónicas bestiais sobre a competição em que o Poder irá mais uma vez derrotar a Oposição. Dizem que a competição foi honesta, imparcial, e o resultado, surpreendente, foi de acordo com o esperado. Se a equipa da Oposição vencesse iria para a prisão, condenada por tentativa de Golpe de Estado e por os seus jogadores pertencerem a uma Organização de Malfeitores.

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