ANGOLA. A greve de controladores de tráfego aéreo angolanos, convocada para hoje, foi cancelada depois de um acordo alcançado com a entidade patronal, visando um reajuste salarial e a melhoria das condições de trabalho.

O cancelamento da greve foi confirmado pelo porta-voz do Sindicato dos Controladores de Tráfego Aéreo, Henda Pitra, adiantando que as discussões “árduas” resultaram num acordo, que pressupôs o levantamento da greve, cujo início estava marcado para as 07:00 de hoje.

“Ontem [segunda-feira] as discussões foram árduas, fomos para além da meia-noite e chegou-se a um acordo”, disse Henda Pitra, acrescentando, em declarações à rádio pública angolana, que as reivindicações “foram acolhidas por parte do patronato”.

“Não nas proporções que se pretendia, mas são satisfatórias”, afirmou.

Segundo Henda Pitra, com base no acordo alcançado será agora necessária a operacionalização dos termos do entendimento.

“O nosso caderno reivindicativo contém dois pontos, o primeiro, o reajuste salarial em função dos últimos três anos da desvalorização da moeda e, o segundo ponto, melhoria de condições sociais e laborais”, salientou.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (Enana), Manuel Ceita, explicou que o caderno reivindicativo foi apresentado à empresa em finais de Dezembro, tendo decorrido desde então as respectivas negociações.

Manuel Ceita reconheceu que os trabalhadores perderam poder de compra, devido à crise que Angola atravessa desde finais de 2014, e “acharam que era o momento necessário, no entender deles, para regularizar o salário pressionando a empresa”.

“Claro que a conjuntura do país não mudou, em termos económicos e financeiros, ligeiras melhorias, e pensamos que não houve condições por parte da empresa de fazer este reajuste”, referiu.

Acrescentou que chegar a consenso foi a parte mais crítica, das negociações, mas que se conseguiu o entendimento, “fazendo um reajuste de salário escalonado, com o tempo, e que passa necessariamente pela taxa da inflação existente”.

O responsável frisou que a empresa comprometeu-se a resolver o problema da taxa de inflação até ao final do ano.

“Penso que de ambas as partes, quer da direcção da empresa quer dos negociadores da greve, houve o bom senso e chegamos a consensos de que deveria ser assim, tentando depois acompanhar mais de perto o desenvolvimento económico e financeiro da empresa para os restantes reajustes que será necessário fazer”, destacou.

Lusa

Partilhe este Artigo