MOÇAMBIQUE. A líder parlamentar da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, alertou hoje que a amizade com Portugal pode estragar-se se Lisboa ajudar apenas o partido no governo (Frelimo), o que teria “resultados imprevisíveis”.

Em resposta escrita a perguntas da Lusa a propósito da sua visita a Portugal, que termina hoje, Ivone Soares disse querer deixar a mensagem de que Moçambique “precisa da ajuda de Portugal e dos portugueses”, incluindo a dos portugueses em Moçambique e a dos moçambicanos em Portugal.

“As nossas relações entre povos e Estados estão demasiado entrelaçadas e desenvolvidas para as deixarmos de lado na solução dos problemas que temos”, escreveu.

No entanto, lembrou que a crise em Moçambique “é de conflito entre irmãos”, a Frelimo, partido no poder há mais de 40 anos, e a Renamo, na oposição. Por isso, disse que Portugal pode ajudar, “mas com cuidado, para não ser parcial”.

“Quando se torna aparente que um ‘amigo’ vem socorrer um dos irmãos em detrimento do outro, a amizade estraga-se. Os resultados são imprevisíveis”, alertou a dirigente partidária.

Manifestando confiança de que “o Estado e os cidadãos portugueses de boa-fé” saberão ajudar a encontrar soluções para o conflito “com espírito aberto às razões de cada lado” Ivone Soares avisou: “Não é bom ouvirmos os nossos amigos perguntar-nos porque razão atacamos civis. Isso é sinal que estão contra nós”.

“Os portugueses, em particular os políticos portugueses, devem tentar compreender mais profundamente as razões deste conflito e transmitir-nos as suas experiências e o seu saber para que os moçambicanos encontrem os caminhos da confiança mútua e da paz”.

Em Lisboa, Ivone Soares reuniu-se com os líderes do CDS-PP, PS e PSD, de quem recebeu mensagens “de solidariedade e de muita sede de saber o que se passa em Moçambique, para além do que diz a comunicação social oficial”; interveio no Fórum sobre Justiça Económica, a convite da Casa de Moçambique; e foi recebida pela Embaixadora de Moçambique em Portugal, entre outros.

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