A escolha da “Palavra do Ano”, uma iniciativa do grupo Porto Editora, através da Plural Editores Angola, acontece pela primeira vez em Angola, desde hoje, até ao dia 31, pelo endereço www.palavradoano.co.ao, anunciou fonte editorial.

Aconcurso estão as dez palavras consideradas mais em uso em Angola, escolhidas num “trabalho permanente de observação e acompanhamento da realidade da língua portuguesa”, do grupo de linguistas e lexicólogos da Plural Editores, em Angola, “através da análise de frequência e distribuição de uso das palavras e do relevo que elas alcançam, tanto nos meios de comunicação e redes sociais, como no registo de consultas ‘online’ e ‘mobile’ dos dicionários da Porto Editora”, tendo ainda em conta sugestões dos internautas.

A palavra vencedora será conhecida em meados de Janeiro próximo, segundo a mesma fonte.

“Candando”, é uma das dez palavras a concurso. “Este termo, com origem no quimbundo kandandu, significa abraço e foi recentemente adoptado como marca por uma nova cadeia de hipermercados”, da filha de Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, depois de gorada a parceria com a Sonae para lançar no país os hipermercados Continente.

A crise económica e financeira que Angola atravessa, agravada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, foi um tema inevitável ao longo do ano, e daí a escolha da palavra ‘crise”.

“Diversificação” foi um termo escolhido também a partir da área económica: “A diversificação da economia, muito dependente dos dividendos do petróleo, tem sido apontada como a principal medida para superar a queda nas receitas e ultrapassar a crise”.

“Num contexto de crise social e económica, a ‘esperança’ é o sentimento por trás da coragem e optimismo com que os angolanos encaram o futuro, o que justifica a escolha do termo”.

“Kamba”, um “termo [que] ganhou relevância num contexto social em que o espírito de entreajuda faz a diferença”, é “usado para designar aquele que é amigo, companheiro”.

“Kandengue”, palavra da língua quimbundo, que significa “criança”. “Por elas [as crianças] se enfrentam as dificuldades e é nelas, nos mais novos, que se deposita a esperança da nação”, escreve a editora no comunicado.

“Kínguila” é como “são denominadas as mulheres que transaccionam divisas ao preço do momento, sem taxas ou perguntas, nas ruas das cidades, fruto da acentuada desvalorização do kwanza”.

“Kixiquila” é um termo proveniente do quimbundo “kixikila”, que significa “assentar”, numa alusão ao registo dos valores.

Com “os grandes desafios económicos com que se debatem as pessoas, popularizou-se esta prática informal de poupança partilhada, em que o acumulado de cada mês é rotativamente entregue a cada um dos participantes”, explicou fonte da organização.

“A ‘liberdade’, em especial a de expressão, foi dos valores mais demandados em diferentes manifestações e incidentes ao longo deste ano”, naquele país, e daí a sua escolha para a lista das dez finalistas à primeira edição de “A Palavra do Ano de Angola”.

“Catorze anos depois da assinatura do Memorando do Luena e dos acordos de paz e de reconciliação nacional, o desejo de paz continua bem presente na mente dos angolanos, e daí a selecção desta palavra”, “paz”, rematou a mesma fonte.

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