Angola vai partilhar experiências com o Sudão do Sul nos sectores da indústria mineira e do petróleo, foi hoje divulgado, no âmbito da visita oficial que o ministro das Minas daquele país inicia na segunda-feira a Angola. Venha a nós o vosso reino, pensa o regime de Luanda.

De acordo com fonte do executivo angolano, a visita do ministro Gabriel Thokuj Deng prolonga-se por quatro dias e visa “trocar experiências” no sector da geologia e minas, do plano em curso de levantamento das potencialidades mineiras angolanas (Planageo) e legislação do sector em Angola.

“Outro objectivo desta visita do governante do Sudão do Sul é tomar contacto com o modelo angolano de gestão de recursos naturais, em particular, dos diamantes e do petróleo e gás”, informou o Ministério da Geologia e Minas.

O programa da visita de Gabriel Thokuj Deng a Luanda prevê reuniões, na terça-feira, com os ministros angolanos da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, e dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos.

Angola é actualmente o segundo maior produtor de petróleo em África, com cerca de 1,7 milhões de barris de crude por dia e opera, no interior norte do país, a mina de Catoca, a quarta maior mina de diamantes do mundo a céu aberto, cujo funcionamento é do interesse do Governo do Sudão do Sul.

Que “país” é este?

O Sudão do Sul é uma espécie de “país” que este ano “festejou” cinco anos de independência e três de uma guerra civil que parece estar longe do fim. É, portanto, um terreno fértil para o regime de sua majestade José Eduardo dos Santos estender as suas garras.

Várias dezenas de milhares de pessoas foram mortas desde Dezembro de 2013 e o início da guerra civil que destruiu o mais novo país do mundo e a sua economia. Nunca a população passou tanta fome e privações.

O International Crisis Group (ICG) apelou aos Estados que garantem o acordo de paz a agir “com toda a urgência” para o salvar e assim “impedir o país de voltar a cair num conflito em larga escala”.

No Sudão do Sul ou se morre na guerra ou pela fome. Mas há petróleo. Pois. Esse é o problema.

No Sudão do Sul ou se morre na guerra ou pela fome. Mas há petróleo. Pois. Esse é o problema.

Confrontos violentos eclodem regularmente na capital, Juba, entre ex-rebeldes da facção de Riek Machar e soldados leais ao Presidente, Salva Kiir, confirmando a fragilidade do acordo de paz assinado a 26 de Agosto de 2015. A troca de tiros de armas automáticas e de artilharia pesada fazem parte do dia-a-dia do Sudão do Sul.

“As condições de vida nunca foram assim tão más no Sudão do Sul”, resume David Deng, advogado especialista em direitos humanos, enumerando uma inflação galopante, combates diários, a fome e o grau de desconfiança entre as partes em conflito.

“Se não se resolver rapidamente a situação, receio que venhamos a ser confrontados com um conflito tão duro como os 22 anos de guerra dos quais o país saiu recentemente”, alertou, referindo-se à guerra da independência contra o Sudão.

“O próprio facto de o Governo não ter dinheiro para celebrar o aniversário [da independência] demonstrou a magnitude das dificuldades económicas”, sublinha James Alic Garang, economista do think-tank Ebony Center com sede em Juba.

Depois de uma guerra civil que durou entre 1983 e 2005, o actual Sudão do Sul conquistou a sua independência de Cartum a 9 de Julho de 2011, na sequência de um referendo. De forma rápida, em Dezembro de 2013, o país mergulhou numa nova guerra civil.

O conflito surgiu no seio do exército nacional, minado por clivagens político-étnicas alimentadas pelo Presidente, Salva Kiir, e pelo seu vice-presidente, Riek Machar.

Em Abril, Riek Machar regressou a Juba no quadro do acordo de paz assinado em Agosto de 2015 e formou com Salva Kiir um Governo de salvação nacional. Mas, no terreno, as hostilidades continuaram.

Babikr Yawa, 31 anos e mãe de três crianças, fugiu dos combates na província de Kajo, perto da fronteira com o Uganda. “Nós sofremos aqui, não há comida, nem um verdadeiro abrigo. O que queremos é que o Presidente, Salva Kiir, e Riek Machar ponham fim à guerra”, disse à AFP.

Em Junho, na cidade de Wau – que se tornou na segunda do país depois de Malakal, Bor e Bentiu terem sido parcialmente destruídas durante a guerra – os combates forçaram cerca de 88 mil habitantes a fugir de suas casas, dos quais 20 mil procuraram refúgio nas imediações da base das Nações Unidas.

O acordo de paz é simplesmente ignorado, denuncia o ICG, e “as antigas partes do conflito (…) preparam-se cada vez mais para um conflito em larga escala”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou recentemente “o orgulho, o estado de espírito de esperança” que animavam o país há cinco anos.

Mas durante a sua última visita ao país, em Fevereiro, BanKi-moon apenas constatou “uma esperança traída por aqueles que colocaram o poder e o lucro à frente [dos interesses] do seu povo”, denunciando “as violações massivas dos direitos humanos e a corrupção monumental”.

Fome, fome e… fome

Fugir, fugir sempre. Para onde? Esse é problema de milhões de africanos.

Fugir, fugir sempre. Para onde? Esse é problema de milhões de africanos.

No Sudão de Sul, mais de quatro milhões de pessoas estão a morrer de fome. A inflação gira hoje em torno de 700%, um número realmente alarmante. Os activistas cristãos estão a orar a todos os deuses pelo país e pelo povo. Recentemente, a ONU declarou que a região está em risco de guerra civil e genocídio.

A líder cristã Liz Hughes tem convocado os cristãos para voltarem sua atenção para o povo do Sudão do Sul. Ela trabalha para a Igreja Presbiteriana, no conselho de missão global da Irlanda.

Liz falou pela segunda vez, depois que os trabalhadores humanitários no Sudão do Sul relatam tensões económicas crescentes e conflitos entre os grupos étnicos Dinka e Nuer. A ONU advertiu que a região está “em risco de guerra étnica absoluta e de genocídio”.

Liz diz: “Estima-se que 4,3 milhões de pessoas precisam agora de ajuda alimentar já que as colheitas foram prejudicadas e por isso serão adiadas por mais um ano. Além disso, a crise económica no país continua, com a inflação agora em 700%”.

“Quero mais uma vez encorajar as pessoas a orarem pela paz no Sudão do Sul e a lembrarem-se das pessoas que vivem lá, especialmente aqueles que precisam de ajuda humanitária e ajuda alimentar”, diz Liz Hughes.

A igreja irlandesa tem laços estreitos com cristãos na região através da Igreja Presbiteriana do Sudão do Sul.

“É importante que também apoiemos o trabalho da Igreja Presbiteriana do Sudão do Sul, através de nossas orações, enquanto eles continuam a encorajar a paz e boas relações entre as comunidades e para o papel-chave nas negociações de paz que estão a realizar-se pelo Sudão do Sul”, afirmou Liz Hughes.

Folha 8 com Agências

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