O balanço dos primeiros meses do Presidente Emmanuel Nzita na liderança da FLEC, pode resumir-se hoje, principalmente pela visibilidade e pelo novo dinamismo que está a ser imprimido na reorganização e reestruturação das instâncias do movimento.

Por Osvaldo Franque Buela (*)

No plano político podemos considerar-nos desde já optimistas, pois é notável que desde a sua tomada de posse, o grande golpe de mestre do Presidente Emmanuel Nzita foi a integração dentro da sua equipa de gestão de uma simbiose de perfis intelectuais, jovens com conhecimento e experiência em posições estratégicas e de destaque, tendo em conta o equilíbrio regional e geopolítico do território de Cabinda.

É óbvio que o caderno de encargo adoptado foi muito bem definido em relação ao sentido a dar na continuidade da luta de libertação do povo de Cabinda, fazendo passar antes de tudo e sem equívoco nenhum, a autodeterminação como o seu cavalo de batalha. O respeito pelos direitos humanos para a busca de uma solução pacífica baseada num diálogo inclusivo com o governo angolano sintetiza perfeitamente um dos aspectos mais relevante que o falecido presidente Henrique Nzita Tiago exigiu de nós.

Nesta óptica, ao nível político-diplomático, a nossa primeira acção foi a de recolocar Cabinda na praça diplomática Europeu através da abertura do processo de reintegração da FLEC dentro da UNPO, onde ele tinha sido afastado anos atras. Consideramos isso como um sinal de despertar diplomático dentro dum mundo em movimento perpétua.

Essa prerrogativa, agora é missão incumbida na responsabilidade do jovem e novo representante diplomático da FLEC na Bélgica, Arsiene Bivouma auxiliado pelo porta-voz da organização Jean Claude Nzita, enquanto se aguarda a designação de um novo secretário para as Relações Exteriores, cuja nomeação será anunciada brevemente no fim do período de reestruturação.

Em termo de organização interna, um novo secretário-geral foi nomeado no seio dos quadros da diáspora, com uma das tarefas principais, mais uma vez, foi de levar a cabo e com máxima urgência a missão de representar a FLEC em Nova Iorque (Estados Unidos da América), à margem dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas, e em simultâneo encetar os contactos necessários junto do Secretariado de Estado dos EUA e com as outras instituições como é o caso da NED e outras personalidades independentes etc..

Essa missão que consideramos capital, justificou-se pela necessidade de marcar a presença de Cabinda nesta fase de término do último mandato do primeiro presidente negro dos EUA. Missão que foi preparada sem sobressalto. O silêncio é sua marca de liderança caracterizada pela discrição, que é também um traço de carácter própria ao novo Presidente: poucas palavras nas mídias, mais eficácia na coordenação das missões em estreita colaboração com a sua equipa e o alto comando militar das FAC.

Os resultados dessas duas missões diplomáticas são aguardados com bastante expectativa pelo povo de Cabinda que continua a questionar-se sobre a posição dos Estados Unidos perante as inúmeras dificuldades que enfrentam o povo Africano e principalmente o da sub-região da África Central, partindo da região dos grandes lagos até ao Golfo da Guiné.

O povo africano em geral, e particularmente o de Cabinda, preocupa-se bastante em saber do tratamento que o presidente Obama deu aos processos e expedientes, relativamente as questões africanas, encontrados sobre a sua mesa há oito anos? Será que as autoridades norte-americanas se tornaram juízes imparciais ou partes subjacentes envolvidas na desgraça e conflitos não resolvidos em África, como a ocupação neocolonialista de Cabinda por Angola há quase um meio século?

Em resposta a todas estas perguntas, reiteramos a nossa determinação exortando a população de Cabinda em geral e a sua juventude em particular, dando uma única resposta ou seja uma mensagem: poucas conversas inúteis e menos distracções desnecessárias. Mas, diante da dor e sofrimento, é preciso mais trabalho e muita coragem na luta pela defesa dos nossos direitos com intuito de recuperar a nossa soberania confiscada pelos ocupantes oportunistas. Pois, os Estados Unidos não têm amigos nem inimigos, mas apenas interesses a defender.

Nesta perspectiva de conquista da nossa liberdade, do nosso direito de afirmação e de escolha do nosso destino, devemos permanecer unidos como um bloco, solidário como um só homem, para conduzir adequadamente e sabiamente a missão de preparar o congresso do nosso movimento, desmarcando-nos definitivamente dos velhos métodos e estratégias do passado que perverteram a nossa resistência durante muitos anos com lutas desnecessárias de liderança, com falta de patriotismo que levou muitos dos nossos compatriotas a virar as costas e trair a causa sagrada por interesses pessoais.

É preciso remetermos em causa, in loco e com muita veemência o memorando de Namibe que sem dúvida trouxe ainda mais guerra e infelicidade em vez da paz esperada, mais pobreza e mais injustiça jamais vivida durante todo o percurso da história do nosso território.

Como já referenciado anteriormente, a porta da FLEC está aberta a todos os Cabindas de ingressarem as fileiras da resistência onde quer que estejam. Aproveitarmos esta oportunidade para vos anunciar a chegada de mais de três centenas de jovens que se juntaram as Forças Armadas de Cabinda dentro as quais muitas meninas, elogiar calorosamente o seu compromisso, e comprometermo-nos a alimentar a chama do seu engajamento patriótico.

O renascimento desta motivação é o resultado do cumprimento das directrizes transmitidas aos diferentes chefes operacionais para privilegiar a inteligência como força de reacção contra as provocações e ataques bárbaros das Forças Armadas Angolanas. Nesta fase decisiva, é preciso nos concentrarmos perante os nossos objectivos para que a nossa luta não seja mais esquecida, e todos vós sois testemunhas dos acontecimentos destes últimos meses, em como o governo do MPLA, desesperado com a situação, perdeu o controlo e a capacidade de esconder ao mundo, a guerra e outros crimes hediondos que diariamente são cometidos dentro do nosso território, multiplicando assim e cada vez mais declarações contraditórias de desmentidas, propalando falsas propagandas por meio da imprensa não independente ao seu mercê.

O rapto do nosso irmão “Sem Família”, e de Tchimbumba cujo ficamos sem notícias, prova mais uma vez que o MPLA começou descaradamente a falhar na sua estratégia de mentira concernente o caso Cabinda. Devemos continuar a reforçar a nossa capacidade de defesa contra a crueldade do regime do MPLA que sempre apoiou e protagonizou o diálogo para as crises noutros países africanos, mas incapaz de dialogar e resolver o conflito de Cabinda através dum diálogo franca e sincero para uma saída que nos honra a todos.

Por outro lado, a mediatização e tentativa de recuperação com fins políticos por aqueles que tencionavam distraírem-nos sobre a sucessão do presidente Nzita Tiago, que queriam convidar-nos no Congo Brazzaville, num pais vassalo de Angola onde os elementos infiltrados da SINSE e do SIM de Angola raptam e assassinam os operativos da FLEC com toda impunidade. Os mesmos, com financiamento duvidoso tentaram organizar um suposto Congresso da FLEC em Ponta negra, foram totalmente desmascarados pelos nossos serviços de inteligência que descobriram a tempo e hora a plano maquiavélico preparado para decapitar a nova equipa da organização liderada por Emmanuel Nzita.

A contribuição de todos os Cabindas na luta é o principal objectivo face aos desafios do momento. Hoje em dia, em todas as chancelarias do mundo, já é do conhecimento de todos, e ninguém pode alegar agora que não há guerra em Cabinda. Embora o reconhecimento não formal e não nítida de Portugal, que apenas faça-o com o coração pesado e os olhos postos na carteira de Angola, donde cai todas as receitas provenientes do petróleo e madeira de Cabinda. Para estabelecer a verdade sobre a situação de instabilidade política e militar em Cabinda, a FLEC, continua convidar oficialmente o Sr. João Caetano da Silva, Embaixador de Portugal em Angola, para vir também visitar as nossas bases..

Após uma sucessão dolorosa, podemos constatar com orgulho que os primeiros passos foram bem forjados. A máquina foi lançada e esperamos que cada filha e filho de Cabinda possa trazer a sua contribuição material, moral e espiritual para a edificação da nossa obra comum, afim de que possamos prover a nós mesmo o esforço necessário e, levar assim o mundo inteiro a simpatizar com a nossa causa para que se cumpre enfim o direito internacional que cabe para a afirmação da nossa condição inalienável como povo.

A questão de Cabinda não será resolvida por si só, também não pode ser deixada ao acaso. Como o passado claramente demonstrou-nos, nem as intimidações, nem as coerções exercidas arbitrariamente contra o povo de Cabinda irão forçar uma solução imposta como é o caso do dito Estatuto Especial que nada tem de especial, apenas sofrimento. Cedo ou tarde, o governo do MPLA terá de enfrentar a situação. Um acordo devidamente negociado teria ainda mais um impacto forte e positivo sobre a visibilidade de Angola no mundo de hoje como um parceiro fiável na criação dos valores democráticos em África Austral e não só.

Desejamos sinceramente que o Governo do MPLA ache a coragem e sabedoria suficiente para escolher a via do diálogo para resolver a questão de Cabinda. Isso seria uma oportunidade política que permitisse a Angola fazer transição suave para uma nova era de verdadeira democracia, mas também para dar uma imagem dela crescida consideravelmente no mundo.

Não podemos nos esquecer daquelas nossas figuras importantes nesta trajectória promissora: os nossos mártires, que desde o dia em que começaram a tombar pela nossa causa, até hoje as suas memórias sempre foram as nossas maiores incentivadores nos momentos de desespero, e nos auxiliam para chegarmos onde queremos chegar amanha.

Para terminar, gostaríamos de agradecer em nome da direcção da FLEC e do povo de Cabinda, às nossas Forças Armadas e aos nossos Serviços de Inteligência pelo sacrifício, dedicação e empenho, embora as dificuldades vividas diariamente na realização do desejo da nossa auto-realização como Povo. Aos novos efectivos, como soldados cheios de sonhos e expectativas por um Cabinda livre, dissemos que a saída far-se-á pela porta da frente nos corações dos cabindenses, como soldados do povo, capacitados, levando convosco ferramentas imprescindíveis para o exercício da nobre missão que escolheram. E esperamos que este momento de aprendizagem, onde cada um de vós vai cumprir o seu dever com a mente aberta, seja a oportunidade que demos ao destino para que ele possa nos reunir todos nós dentro do nosso território querido.

(*) Chefe do Gabinete da Presidência da FLEC

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