Aproximam-se as eleições previstas para Agosto de 2017 e, como é normal em momentos de pré-campanha, os Partidos Políticos afinam as suas estratégias para convencerem o eleitorado e conquistarem o seu voto.

O MPLA, na vã tentativa de ganhar as eleições a todo custo, mesmo com erros de governação, abusos de poder, violações sistemáticas e escandalosas dos direitos humanos e a corrupção galopante de que não consegue desenraizar-se, está desesperadamente empenhado em engendrar estratagemas com o propósito de viciar o processo, tal como foi o pacote legislativo eleitoral e, particularmente, a forma como tem decorrido o Registo Eleitoral Presencial.

Fruto de más memórias das eleições passadas, os Partidos políticos genuínos, na oposição, têm estado empenhados em concertar posições nos mais variados níveis de intervenção, sobretudo na Assembleia Nacional, com vista a conter os vícios acima referidos, dando primazia às premissas de um Estado Democrático de Direito.

Os pactos ou coligações de Partidos, em tempos eleitorais, podem ser considerados normais quando firmados nos termos da Constituição e da Lei. Acontece que, na realidade angolana, vamos assistindo o contrário, com a constituição de parcerias estratégicas eleitorais obscuras em que o Partido no poder cauciona a criação de novos Partidos, sob o olhar silencioso e cúmplice do Tribunal Constitucional, sem que se questione o cumprimento dos requisitos estabelecidos por Lei.

Tal é o caso do Partido “Aliança Patriótica Nacional”, com a sigla APN, de Quintino Moreira, cuja bandeira apresenta similitudes evidentes com a bandeira da UNITA, com o propósito claro de confundir e induzir em erro o eleitorado. Na sequência disso, os angolanos vão assistindo, com estranheza, nos últimos tempos, à cumplicidade entre o MPLA/José Eduardo dos Santos e a CASA-CE/Abel Epalanga Chivukuvuku, o que configura uma parceria estratégica eleitoral com fins inconfessos.

Para fundamentar o que se afirma sobre tal parceria, bastará olhar para os últimos factos como sendo a cobertura total, pelos órgãos de comunicação social públicos, do II Congresso da CASA-CE, bem como os pronunciamentos do líder daquela coligação ao afirmar peremptoriamente: “A CASA-CE vai ser governo ou parte do governo, em 2017”.

A confirmar tal parceria estratégica eleitoral, assistimos a um pomposo brinde entre José Eduardo dos Santos e Abel Epalanga Chivukuvuku, por ocasião dos festejos do 74º aniversário natalício do Presidente do MPLA. A isso se associam pronunciamentos de responsáveis do MPLA como é o caso de Bento dos Santos Kangamba, que, qual kimbanda, “adivinha” já que, no pleito eleitoral de 2017, “a CASA-CE vai tirar eleitorado à UNITA”.

Como todos se lembrarão, a afirmação é sua (Bento Kangamba). Para acompanhar o passo, o Governador do Namibe, Rui Falcão Pinto de Andrade, dizia, há alguns dias, que, na sua província, a CASA-CE seria segunda força mais votada, em 2017.

Todos “adivinhos”, ou todos a fugir-lhes a boca para a verdade sobre as manobras em curso por debaixo da mesa?

É por demais evidente que todo este teatro visa, nada mais nada menos, do que criar a falsa percepção de um protagonismo político do aliado, em detrimento da UNITA, a alternativa em que a maioria dos angolanos espera apostar, nas urnas, para uma mudança necessária, responsável e inclusiva.

Vistas as coisas deste modo, importa chamar a atenção dos angolanos, em geral, e em particular os filiados na CASA-CE, para tomarem consciência dos perigos que essas simulações representam, e até onde vai a obsessão do poder e a ganância pelo dinheiro por parte de certos actores políticos.

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