Um grupo de oficiais superiores da Polícia Nacional foram hoje colocados na reforma por ordem do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, José Eduardo dos Santos, que amanhã se vai reconduzir como presidente do seu partido.

Acerimónia simbólica da passagem à reforma aconteceu no Comando Geral da Polícia Nacional, mas não contou com a presença do reformador. A representar o “dono disto tudo” em Angola estava o comandante-geral da PN, Ambrósio de Lemos.

São três comissário-chefes, cinco comissários e vinte subcomissários que, pela idade avançada, já não voltam a envergar a farda azul depois de exercerem “funções há mais de duas décadas”.

Talvez muitos destes recém-reformados se tenham perguntado: e José Eduardo dos Santos não se reforma porquê se está há quase 37 anos como presidente do país? A resposta que obtêm é a de que, à igualdade do ex-presidente do Congo Democrático, Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Waza Banga (32 anos no poder), José Eduardo dos Santos igualmente se declarou presidente vitalício de Angola e, logo, irreformável.

Destacamos que no acto de passagem à reforma não faltou momentos para se realçar a “camaradagem” entre militantes. Ambrósio de Lemos fez mesmo questão de frisar que a cerimónia é um “exercício para compensar os camaradas”.

“Fizemos este exercício para compensar os camaradas que ao longo de muitos anos não viram seu trabalho valorizado. Existem normas e regulamentos para cumprir com estes procedimentos”, disse o chefe da polícia, tendo em seguida acrescentado que “foram feitos alguns ajustes para compensar com maior dignidade alguns camaradas”.

Ambrósio de Lemos ainda fez uma promessa ao finalizar o seu discurso, segundo o qual “em breve a passagem à reforma será automática”. Esta intenção, ao se materializar, passará por suspender o salário do efectivo que atingiu a idade de reforma, dispensando assim todo o trabalho burocrático a que são submetidos aqueles que se encontram nessa fase.

S.C.

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