O Governo moçambicano condenou hoje os ataques xenófobos na África do Sul e anunciou a criação de uma equipa multidisciplinar para apoiar o regresso dos seus cidadãos do país vizinho.

S egundo o ministro dos Negócios Estrangeiros moçambicano, Oldemiro Baloi, está também prevista a abertura de centros de trânsito no sul de Moçambique para prestar assistência no repatriamento dos residentes na África do Sul que pretendam regressar, bem como apoio à reinserção nas suas terras de origem.

“Temos um modelo que funcionou em 2008 e que está pronto para funcionar outra vez”, declarou Oldemiro Baloi, à saída do Conselho de Ministros, hoje reunido em Maputo, e do qual saiu a condenação do Governo a esta nova vaga de xenofobia na África do Sul.

“Ontem mesmo [segunda-feira] voltei a falar com a ministra dos Negócios Estrangeiros da África do sul, para mostrar preocupação e exigir maior celeridade no tratamento do assunto”, disse ainda Baloi, aconselhando os moçambicanos residentes no país vizinho a manterem-se calmos e a não responderem a provocações que possam dar pretexto para mais violência.

O alto comissário de Moçambique em Pretória esteve hoje na província de Kwazulu Natal, onde se concentram os ataques a estrangeiros, e disse que, dos contactos com a comunidade moçambicana, o desejo de regressar ao seu país é unânime. “A palavra de ordem é de todos quererem ir para Moçambique”, afirmou Fernando Fazenda, citado pela Rádio Moçambique, e após uma reunião com o ministro do Interior da África do Sul e com o governador de Kwazulu Natal.

“Mais uma vez reiterámos o esforço no sentido de se restabelecer a ordem e criar condições para que todos regressem às suas zonas, mesmo que seja preciso outras zonas para reassentar as pessoas”, referiu o representante moçambicano, que se juntou na reunião com as autoridades sul-africanas a diplomatas da Nigéria, Etiópia, Zimbabué, Somália e Maláui.

Antes do Conselho de Ministros, o director de Assuntos Jurídicos e Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros já tinha avançado que cerca de 300 cidadãos moçambicanos foram instalados em centros de acomodação em Durban “Mobilizámos o Alto Comissariado em Pretória e o nosso Consulado em Durban para fazer a avaliação do terreno e começar a preparar as condições de evacuação dos nossos cidadãos”, disse Fernando Manhiça à Rádio Moçambique.

Segundo as autoridades de Moçambique na África do Sul, mais de 500 cidadãos estrangeiros, na maioria moçambicanos, perderam os seus bens devido à violência xenófoba, encontrando-se refugiados em centros de acolhimento temporário em Durban. Na sexta-feira, segundo as autoridades de Moçambique na África do Sul, dois moçambicanos foram mortos em ataques xenófobos num bairro de Durban.

Em Presidência aberta à província de Gaza, o Presidente a República, Filipe Nyusi, disse hoje que as autoridades moçambicanas estão a estudar a vaga de violência xenófoba, através de contactos diplomáticos com o Governo sul-africano.

“O Governo sul-africano tem dado sinais de consciência e, pelo que nos parece, atos como esse não são programados pelo Governo. Estamos encorajados, com base no diálogo e no contacto diplomático, e vamos encontrar as soluções para o problema”, declarou o Presidente moçambicano.

Em 2008, morreram 72 estrangeiros, vítimas de ataques xenófobos nos bairros suburbanos da África do Sul. Esta nova vaga de violência teve início poucos dias depois de o rei zulu, Goodwill Zwelithini, a mais alta autoridade tradicional de Kwazulu Natal ter desafiado os estrangeiros “a fazer as suas malas e ir embora” do país.

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