O jornalista Rafael Marques foi hoje “retido” pela polícia, em Luanda, durante a “marcha pacífica” de familiares de 15 activistas em prisão preventiva desde Junho, o mesmo acontecendo, como o F8 já noticiou, com o correspondente da VOA em Luanda, Coque Mukuta.

“D etiveram-me, tiraram-me a máquina fotográfica e obrigaram-me a entrar no carro deles. Disseram-me que tinham todo o poder para tomar as medidas coercivas e que se fosse necessário davam-me uma sova ali”, relatou o jornalista e activista, entretanto libertado.

“Ficaram-me com uma máquina fotográfica e um cabo. Não me agrediram, mas estive retido cerca de três horas, até que me abandonaram nas ruas de Luanda”, disse Rafael Marques.

A “marcha pacífica” de hoje, promovida pelos familiares dos 15 activistas detidos desde Junho, acusados de estarem a preparar um golpe de Estado, não foi autorizada pelo Governo Provincial de Luanda, alegando este que iria passar próximo de vários edifícios de órgãos de soberania.

Os dois jornalistas foram abordados na envolvente do Largo da Independência, em Luanda, onde esta marcha deveria iniciar-se, pelas 13 horas.

No local, para além de um forte dispositivo policial estava também a decorrer uma iniciativa afecta ao MPLA.

Algumas dezenas de familiares, nomeadamente várias mães dos activistas detidos, concentraram-se cerca das 14:30 nas imediações, empunhando cartazes e pedindo “libertação já” para estes jovens, tendo sido travados com uma carga policial, com intervenção da brigada canina.

“Foi vergonhoso ver a polícia bater em senhoras. São animais, é uma polícia animalesca, só sabem dar porrada”, acusou Rafael Marques, acrescentando que a mãe de Benedito Jeremias, um dos 15 jovens detidos desde 20 de Junho, foi “barbaramente agredida” pela polícia.

“É uma senhora pequena, com uma estrutura frágil, que tinha uma mão a sangrar. Estava a gemer de dores, foi mordida pelo cão e tinha levado vários porretes da polícia, mas que não deixavam que fosse assistida. Ela é a prova que soltaram os cães contra as mães”, acusou o jornalista.

“Foi uma vergonha. Estava um general a comandar as forças no terreno, mas até para mandar bater em mulheres é preciso um general”, atirou, visivelmente emocionado, Rafael Marques.

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