Um verdadeiro tsunami, com mais de um milhão e meio de populares, invade as principais e emblemáticas ruas de Paris, desde às 14h00, deste domingo, 11 de Janeiro, depois dos bárbaros ataques assassinos, protagonizados por três fundamentalistas islâmicos, na semana que finda.

Por Folha 8
em Paris

E ncabeçada pelo Presidente francês, vários chefes de Estado e de Governo aderiram à marcha, para dizer: Basta!

O terrorismo não pode continuar a intimidar a Liberdade, matar a Solidariedade e perturbar a Fraternidade, por esta razão, num curto espaço de tempo o mundo cobriu a França de um verdadeiro gesto de solidariedade, com a presença de mais de 50 chefes de Estado e de Governo.

Nem o frio, retraiu o calor e o grito de liberdade que pulsa no coração de cada manifestante em direcção aos radicais fundamentalistas, que têm medo da liberdade de imprensa e expressão, como o diabo da cruz, daí a população gritar: “Eu sou Charlie”, “Viva a França”, e numa clara demonstração de convicção e desafio aos cobardes assassinos o mais forte grito é; “Eu sou Charlie, judeu, policial”.

Facto relevante é a linha da frente onde se pode destacar a chanceler alemã, mas em lados opostos o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, com uma forte segurança pessoal, (quatro guarda-costas, ladeando-o) e do outro o líder palestino Mahmud Abbas.

Dada a envergadura e a importância dos presentes foram mobilizados cerca de 5.500 homens, entre agentes policiais e soldados de elite do exército, inclusive 2.200 agentes encarregados directamente do cordão da manifestação, para além de militares da Guarnição de Paris encarregues de proteger os locais emblemáticos da capital, no âmbito do plano antiterrorista denominado Vigipirate.

“Foram adoptadas todas as medidas para que esta manifestação possa decorrer num clima de recolhimento, respeito e segurança. Todos os dispositivos estão adoptados para garantir a segurança” da manifestação convocada pelo Presidente da França, após o massacre no jornal Charlie Hebdo, afirmou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

Este sinal de engajamento governamental e de segurança, fez com que mais de 800 mil franceses, noutras partes do país se mobilizassem e saíssem às ruas, como Toulouse (sul), em Lille (norte), em Pau (sudoeste) para prestar uma justa e solene homenagem aos 12 mortos no ataque armado ao semanário satírico Charlie Hebdo.

Um pormenor de destaque foi o facto de em Orleans, Rouen e Marselha, os manifestantes terem saído com lápis e capas do semanário atacado, que perdeu cinco dos seus mais emblemáticos cartoonistas, com frases como, “não tenho medo” e “contra o obscurantismo”.

De realçar ainda o enorme respeito demonstrado pelos cidadãos aos agente policiais, por ter perdido a sua jovem colega, abatida de forma cruel e cobarde a tiros e as quatro pessoas mortas, quando foram feitas refém num mercado de comida kasher parisiense.

Facto relevante foi de o F8, em Paris, não ter constatado a presença de dirigentes do governo angolano que, diz-se, foram representados pelo embaixador em Paris.

Personalidades internacionais

A África fez-se presente, entre outros, pelo presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, o gabonês, Ali Bongo e pelo nigeriano, Mahamadou Issoufou.

A Europa integrou a mais longa comitiva, com a chanceler alemã, Angela Merkel, à cabeça, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, a presidente da Confederação suíça, Simonetta Sommarugale, o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, húngaro, Viktor Orban, turco, Ahmet Davutoglu, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, os chefes de governo espanhol, Mariano Rajoy, italiano, Matteo Renzi, português Passos Coelho, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Do Médio Oriente, estão presentes, o presidente palestino, Mahmud Abbas e o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu e o rei da Jordânia, Abdullah II e sua mulher, a rainha Rania.

Estão também presentes, os ministros das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, israelita, Avigdor Lieberman, dos Emirados Árabes Unidos, Abdallah ben Zayed al-Nahyan, o ministro de Segurança Pública, do Canadá Steven Blaney e o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg.

Os EUA fez-se representar pelo procurador-geral de Justiça, Eric Holder.

Registe-se estar o governo francês em peso, liderado pelo primeiro-ministro Manuel Valls, destacando-se inda a presença do ex-presidente Nicolas Sarkozy, vários ex-primeiros-ministros e dirigentes de partidos de quase todo o espectro político francês, com excepção do partido de extrema-direita Frente Nacional.

Participam também a maioria das ONG’s nacionais e internacionais, presentes em Paris, destacando-se a Repórteres sem Fronteiras, o Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFMC), órgão que representa o Islão na França, assim como o UOIF, próximo à Irmandade Muçulmana, a organização Inter-LGBT, de defesa dos direitos dos homossexuais, o presidente do Festival de Cannes, Pierre Lescure, o director da Ópera de Paris, Stéphane Lissner, o administrador da Comédie-Française, Eric Ruf e o escritor franco-marroquino Tahar Ben Jelloun.

Naturalmente, e porque o F8 que sabe o que é essa política assassina de intolerância, quantas vezes a DNIC e os órgãos de Segurança de Eduardo dos Santos invadiram a nossa redacção, roubaram computadores e ou destruíram equipamentos e material de trabalho, também marchou em prol da liberdade de Imprensa e expressão, pelas ruas de Paris.

Foto: ERIC FEFERBERG/AFP/Getty Images

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