A malária provocou quase 400 mortos entre os 180 mil casos registados no primeiro trimestre de 2015 na capital angolana, informou a directora provincial de Saúde de Luanda, Rosa Bessa. Em 2014 mais de 900 mil casos de malária foram registados na província de Luanda.

S egundo Rosa Bessa, os números registados nos primeiros três meses do ano em curso constituem uma preocupação para as autoridades de saúde. Rosa Bessa falava à margem de uma feira realizada no município de Cacuaco onde 60 técnicos de saúde promoveram assistência à comunidade com serviços de medicina geral, obstetrícia, vacinação de crianças e mulheres em idade fértil, medição da glicemia, da tensão arterial, testes rápidos e VIH/SIDA e malária. A malária continua a ser a principal causa de morte em Angola, com mais de 16 óbitos por dia, sendo considerado pelas autoridades de saúde angolanas como um caso de saúde pública. De acordo com números do coordenador do Programa Nacional de Controlo da Malária, Filomeno Fortes, o país apresenta um registo anual de três milhões de casos clínicos e 6.000 óbitos. Em 2013 foram registadas 6.916 mortes entre os 2.592.742 casos de malária confirmados em Angola, afectando sobretudo crianças e mulheres. “Apesar de todos os esforços e de todos os avanços conseguidos”, referiu Filomeno Fortes, a malária “continua a ser o maior flagelo” do país, com a aposta de prevenção a recair sobre a distribuição e utilização de redes mosquiteiras, para evitar a transmissão, pela picada do mosquito, prevenindo também a transmissão do dengue. Apesar destes números, o Ministério da Saúde, que considera a malária um caso de “saúde pública”, estabeleceu este ano o objectivo de avançar com uma redução de 20% na mortalidade pela doença no país. Para 2015, o Programa Nacional de Controlo da Malária tem como objectivo a cobertura de diagnósticos com testes rápidos, de redes mosquiteiras, melhorar o sistema de informação, pesquisa e vigilância epidemiológica. Em Angola, a malária, doença endémica que continua a ser a principal causa de internamentos e de mortes no país, é hiper-endémica em Cabinda, Uíge, Malange, Lundas Norte e Sul e Cuanza Norte. Enquanto isso, especialistas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe sustentam que são menos as mortes causadas pela malária, embora reconheçam que há ainda um longo caminho a percorrer até à erradicação da doença. Os investigadores falavam no passado dia 20 numa mesa-redonda sobre a “Pré-eliminação da malária na CPLP” do 1º Congresso Lusófono de Doenças Transmitidas por Vectores, que decorreu no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa. Em Angola, segundo o coordenador do Programa de Controlo das Epidemias, Filomeno Fortes, embora a mortalidade tenha caído para metade, de 10.505 casos em 2009 para 5714 em 2014, continua a haver três milhões de casos por ano, de que resultam seis mil óbitos anuais. E estes são os casos de que há registo, sublinhou o mesmo responsável, recordando que cerca de 40% dos angolanos não tem acesso ao serviço nacional de saúde e que “todo o país é endémico”, tendo mostrado um mapa entomológico de Angola a indicar que cerca de 20 espécies de mosquitos transmitem a doença e que esta continua a ser a principal causa de morte no país, não havendo para este ano financiamento do Governo.

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