O Presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang, afirmou hoje que o Ébola não deve ser encarado como um “problema africano”, mas sim como uma questão global, pedindo acções internacionais para erradicar o vírus.

N um discurso transmitido pela televisão estatal, Teodoro Obiang defendeu que quando os países são confrontados com surtos pandémicos, como é o caso do Ébola, deve existir solidariedade e uma acção em bloco “para travar a propagação [do vírus] e a respectiva sinalização como um problema africano ou local”.

O líder da Guiné-Equatorial, que destacou que “os problemas de saúde não são africanos, não são europeus nem são americanos, mas sim problemas de toda a humanidade”, salientou na intervenção que “o Ébola é um problema de alcance mundial que não deve ser temido, mas sim confrontado, através da educação e da acção colectiva”.

Teodoro Obiang proferiu este discurso alguns dias antes da realização na Guiné-Equatorial da Taça das Nações Africanas (CAN) 2015.

Após a renúncia de Marrocos, a Confederação Africana de Futebol (CAF) escolheu a Guiné-Equatorial como anfitrião da competição, que vai decorrer entre 17 de Janeiro e 08 de Fevereiro nas cidades de Malabo, Bata, Mongomo e Ebebiyin.

Face aos receios relacionados com o actual surto de Ébola, o líder da Guiné-Equatorial afirmou que decidiu acolher a CAN “não como uma penalização para o povo, mas sim para melhorar a consciencialização do mundo sobre a doença e estimular a juventude africana para a grande paixão futebolística”.

“Acreditamos que teria sido um grave erro de princípio ver África a virar costas à sua competição desportiva mais reconhecida por temor a uma doença”, disse o chefe de Estado da Guiné-Equatorial, membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde o ano passado.

Teodoro Obiang anunciou ainda que o país tomou medidas de prevenção sanitárias e de segurança pública, de forma que a competição desportiva se realize “sem um desfecho fatal”.

De acordo com os dados divulgados na passada segunda-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de pessoas infectadas pelo vírus Ébola nos três países mais afectados da África Ocidental (Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria) ascendeu a 20.081, das quais 7.842 morreram.

O actual surto de Ébola é o mais grave e prolongado desde que o vírus foi descoberto, em 1976.

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