Auditores do governo chinês estão a investigar investimentos avaliados em US $10 biliões efectuados pela empresa estatal China Petroleum & Chemical Corp. (Sinopec) em projectos de exploração petrolífera no offshore Angola, de acordo com o portal informativo Caixin.

O governo chines não vê qualquer retorno nos investimentos e quer saber como se gastou tanto dinheiro em projectos mal avaliados.

É o mito do sucesso da China em Angola a desfazer-se.

Segundo o referido portal, o Gabinete Nacional de Auditoria terminou em Julho passado a sua investigação à Sinopec, sobre os investimentos feitos em Angola em cinco blocos de petróleo, no espaço de sete anos.

A Sinopec, através da Sinopec Sonangol International (SSI), tem quotas nos blocos 15 (25%), 17 (27.5%), 18 (40%), 31 (15%), e 32 (20%).

No entanto, os auditores prorrogaram o seu trabalho e estenderam o âmbito das investigações para apurar a probidade das ligações da Sinopec ao obscuro empresário chinês Sam Pa. O cidadão António Famtosonghiu Sampo Menezes, de 57 anos, aliás Sam Pa, tem também a nacionalidade angolana e já foi conhecido como “vice-presidente de Angola”, pela sua extraordinária influência junto da presidência da República.

A notícia da Caixin indica que os auditores manifestaram-se alarmados com os investimentos realizados em cinco blocos offshore, de 2008 a Junho passado. Constataram a falta de produção significante de petróleo nos referidos blocos e que os mesmos não têm gerado receitas para a Sinopec.

Os auditores calculam que a prospecção infrutífera para se encontrar petróleo nos blocos já custou um mínimo de US$ 1.6 biliões à Sinopec. Esses investimentos têm sido feitos com base em estimativas exageradas sobre as reservas de petróleo angolano, reporta a investigação.

Um estudo de viabilidade, ainda de acordo com a notícia da Caixin, estimou que os três blocos adquiridos em 2008, continham um potencial de reserva de 2.6 biliões de barris de petróleo. Os cálculos do auditores revelam menos de metade da reserva estimada, com apenas 1.1 bilião de barris.

Outro dado apurado é o pagamento pela Sinopec, em 2008, de US$1.87 biliões por uma quota, em três dos cinco blocos, que valia apenas US $ 933 milhões.

Basicamente, estima-se que a Sinopec tenha pago quase um US $1 bilião a mais para financiar a quota que Sam Pa, através da China Sonangol International, adquiriu nos referidos blocos. Esse dado despertou a atenção das autoridades.

Um sucesso para cinco fracassos

A relação entre a Sinopec e Sam Pa tornou-se bem sucedida para a estatal chinesa, aquando da venda de 50% da quota detida pela Shell no Bloco 18. Apesar de um consórcio indiano-japonês ter ganho o concurso público para a aquisição da mesma, de acordo com a notícia, Sam Pa engendrou, com o então director da Sonangol e actual vice-presidente da República, Manuel Vicente, a venda forçada da quota da Shell à Sonangol. Por sua vez, a Sonangol vendeu-a à Sinopec.

A Shell vendeu a sua quota por US$ 864 milhões à Sonangol Sinopec International (SSI) e à China Sonangol Holding (CSH). A Sinopec pagou por 55% das acções que detém no consórcio SSI com a China Sonangol Internation (CSI) bem como para a aquisição de quota da CSH. Tanto a CSI como a CSH são detidas em 70% por Sam Pa, e os restantes 30% pela Sonangol.

A Sinopec acordou a realização de um investimento adicional de US$ 2 biliões no Bloco 18. Ou seja, o tráfico de influência de Sam Pa junto do poder angolano permitiu-lhe, segundo a notícia, “controlar metade das quotas”, enquanto a Sinopec realizava todos os investimentos e a cobertura dos custos operacionais.

Em 2011, a Sinopec recuperou os seus investimentos e no final de 2014, obteve lucros de US $ 2.6 biliões. Entusiasmada com o sucesso do Bloco 18, a Sinopec pagou avultadas comissões a Sam Pa, para realizar negócios em Angola, ora sob suspeita de corrupção. Entre os benefícios concedidos, a Sinopec atribuiu a Sam Pa um cartão de crédito, em 2008, para os seus gastos e de outros gestores da China Sonangol International, no valor de um milhão de dólares de Hong-Kong. Esse cartão foi cancelado apenas no princípio deste ano, após gastos avaliados em HK$ 58 milhões (US $7.5 million).

Para os serviços de proximidade com o poder angolano e a obtenção de licenças e aprovações burocráticas para o negócio de participação nos cinco blocos, a Sinopec pagou à China Sonangol International (CSI) o montante de U S$ 51 milhões de dólares, descritos como trabalhos de consultoria.

Especulador extraordinário, em 2009 Sam Pa também conseguiu fazer o mesmo com 15% da quota detida pela Total no Bloco 15/06, em offshore a 350 quilómetros a nordeste de Luanda. A Sonangol negociou a compra directa da quota da Total e repassou-as para a CSI, de Sam Pa. Esta, por sua vez, vendeu-as à Sinopec por US$ 786 milhões, con. A Total anunciara no seu website um preço de venda de US $750 milhões. A material refere que auditoria avalia as acções da Total em US$ 393 milhões.

Actualmente, a Sinopec está a tentar livrar-se dos investimentos nos cinco blocos adicionais, pelos enormes prejuízos que lhe tem causado, mas está amarrada a obrigações contratuais com Sam Pa e a Sonangol, segundo o portal Caixin. Sem especificar, fonte da Sinopec refere que três dos blocos continuarão a causar prejuízos porque a prospecção actual contraria as reservas inicialmente estimadas. Os outros dois blocos, que não especificou, estão a produzir, mas também a causar prejuízos devido à baixa de actual dos preços de petróleo.

Quem é Sam Pa?

Eis o perfil de Sam Pa. “Em círculos restritos da nomenklatura, Sam Pa também é conhecido como o “vice-presidente angolano”, pela forma como dispõe do poder em Angola, sobretudo o do presidente da República, José Eduardo dos Santos, que lhe concedeu a cidadania angolana e com quem mantém uma relação de amizade.

O ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do PR, general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, bem como o vice-presidente Manuel Vicente sujeitam-se à sua influência.

Sam Pa tem ainda como seus associados duas figuras distintas dos grandes esquemas de corrupção que envolvem a nomenklatura angolana: trata-se de Pierre Falcone, o mercador de armas franco-brasileiro, e de Hélder Bataglia, presidente da Espírito Santo Commerce (Escom)”.

Em meados de 2014, os Estados Unidos da América incluíram Sam Pa na lista de alvo de sanções económicas sob suspeita de ter praticado actos de sabotagem do processo democrático no Zimbabwe, para além de actos de corrupção.

Fonte: MakaAngola

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