Anualmente, pelo menos 16 mil crianças moçambicanas, de 10 a 15 anos de idade, ficam infectadas pelo VIH/SIDA em todo o território nacional devido à violação sexual, ao inicio precoce de relações sexuais, à vulnerabilidade deste grupo por causa de problemas relacionados com a pobreza e os hábitos culturais.

Ainformação consta de um relatório sobre “Situação das Crianças em Moçambique 2014”, lançado em Maputo. O estudo indica que ainda prevalecem as altas taxas de propagação de VIH/SIDA nesta faixa etária. Concorrerem para esta situação a violação sistemática do direitos dos petizes e a sua maior exposição ao início precoce da actividade sexual, o que resulta dos altos índices de pobreza urbana e rural.

O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique, Koenraad Vanermelingen, disse que a situação é preocupante. Crianças de 10 a 15 anos de idade praticam relações sexuais antes de estarem preparadas para o efeito com o intuito de adquirir dinheiro para satisfazer as necessidades básicas das suas famílias.

Vanermelingen explica que há necessidade de impedir, por via da legislação, algumas práticas culturais que colocam a criança em situação de risco. Deve haver maior respeito pelos direitos deste grupo cujos pais e encarregados de educação são também os protagonistas de actos que atentam contra a sua saúde.

“O nível de contaminação pelo VIH/SIDA duplicou em Moçambique, este ano, quando comparado com 2008, altura em que se registou metade do número acima referido, o que quer dizer que 12 por cento das 12 milhões de crianças [que existem em todo o país] contraem o SIDA anualmente”.

Outro aspecto apontado por Vanermelingen prende-se com a fraca rede de serviços sociais básicos, que, na sua opinião, não respondem à demanda por causa da exiguidade de infra-estruturas; por isso, o número de assistentes sociais reduziu.

Fonte: Jornal A Verdade

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