A seca que tem vindo a afectar o sul de Angola está a obrigar à realização de centenas de furos para captação de água, como solução de “emergência”, revelou hoje o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.

Em causa está a estiagem vivida sobretudo nas províncias do Kunene, Kuando Kubango, Huíla e Benguela, desde 2012, que está a obrigar à intervenção do Executivo em colaboração com os governos provinciais.

“São soluções de emergência. Neste momento mais de 200 furos estão a ser feitos em cada uma dessas províncias”, disse o ministro João Baptista Borges, citado pela rádio pública angolana.

O governante acrescentou que, em termos de medidas estruturais, está em curso a construção de empreendimentos para assegurar a retenção de água nas províncias a sul.

A situação de seca em Angola levou o Governo do Japão a disponibilizar, já este ano, 1,2 milhões de dólares (928 mil euros) para apoiar o plano do Executivo nacional de resposta à seca, que afecta 1,8 milhões de pessoas no sul de Angola.

O apoio está a ser prestado pela embaixada do Japão em Luanda, através da UNICEF, permitindo “implementar acções de intervenção na área da nutrição, saúde, protecção da criança, acesso à água tratada e melhoria das condições de higiene e saneamento”, segundo aquela organização internacional.

Só nas províncias de Kunene e da Huíla, mais de 1,1 milhões de pessoas ainda são afectadas pela seca, que causou a perda de colheitas de cereais e leguminosas e consequente com escassez de alimentos.

Conforme reconheceu em Setembro a UNICEF, a situação tem vindo a provocar problemas de saúde e de nutrição na população. Além disso, a água da superfície foi-se evaporando e os poços construídos ou reabilitados através de programas nacionais secaram devido à redução da precipitação, levando a população a consumir água imprópria.

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