As crianças do bairro Bandim Bilá, em Bissau, poderão voltar a ter aulas graças a um grupo de jovens guineenses que pretende angariar três milhões de francos CFA (4.500 euros) para recuperar uma escola danificada.

A escola de Bandim Bilá deixou de ser utilizada há quatro anos por se encontrar em avançado estado de degradação e o local serve agora de lixeira do bairro, situação que o Movimento Luz Ku Yagu (Luz e Água) quer reverter.

Lucete Injami, de 16 anos e Ailton Viriato, de 17, são membros do Movimento Luz e Água, uma organização de jovens guineenses que reclama do Governo “realizações concretas”, a começar pelo fornecimento regular de energia eléctrica e água potável.

Lucete e Ailton são os porta-vozes da revolta juvenil com a situação da escola.

Defendem que o Estado guineense, por não ser capaz de atender às demandas da população, devia passar ao povo algumas das suas responsabilidades naquilo que chamam de “democracia directa”.

Lucete Injami dá o exemplo da “ausência do Estado” na resolução do problema da escola do bairro de Bandim Bilá.
Ailton Viriato conta que a arrecadação de fundos “já está a andar”, notando que em pouco mais de dois meses de campanha a associação já conseguiu juntar mais de um milhão de francos CFA (1500 euros) através de pessoas que gostaram da ideia.

“Mas são pessoas que estão fora da Guiné-Bissau. Estão em Portugal, Itália e no Brasil”, notou Lucete Injami, explicando que ficaram sensibilizadas com a iniciativa que viram num sítio na internet criado para divulgar a campanha de recolha de fundos.

Os jovens do Movimento Luz e Água dizem-se tristes com a realidade das crianças do bairro de Bandim Bilá com muitas a ficarem em casa, sem puderem ir à escola, e com outras a terem que andar mais de dois quilómetros todos os dias para ter aulas.

Crianças até aos seis anos a andarem nas ruas de Bissau correm “um risco enorme” de se perderem ou de serem atropeladas, observou Ailton Viriato.

Lucente Injami frisou que a “principal preocupação” dos adultos devia ser a recuperação da escola, pelas consequências que a falta de aulas trará para as crianças e toda a população do bairro.

“Uma mão que pegue num livro, não terá como pegar numa arma”, concluiu.

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