O chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, general Geraldo Sachipengo Nunda, garantiu no Dundo, província da Lunda Norte, que as Forças Armadas estão preparadas para situações de vírus Ébola caso venha a registar-se no país.

Não restam dúvidas. As FAA estão preparadas para tudo, seja para acções militares propriamente ditas, interna e externamente, para fazer a educação patriótica dos cidadãos, para ter uma imprensa militar ao melhor nível e até, como agora foi reiterado, para combater o Ébola.

O general Nunda, que falava à imprensa no termo da sua visita ao Quartel da 32ª Brigada, cerca de 20 quilómetros do Dundo, afirmou que os órgãos de saúde das FAA em coordenação com o Ministério da Saúde levam a cabo acções viradas para prevenção e combate a possíveis casos de surgimento de doenças.

Explicou que os serviços de saúde militar das unidades a todos os níveis foram equipados com material de biossegurança e os especialistas receberam a formação para lidar com a situação.

“Foram adquiridos os equipamentos para a prevenção de casos de ébola, e já foi feita a formação ao nível central, com todos os chefes das unidades que se subordinam a divisão. Portanto, as FAA estão preparadas nos seus diversos níveis desde a direcção da saúde, centros de saúde ao nível das Regiões Militares, Divisões e Brigadas para podermos fazer face as situações de ébola se porventura acontecerem,” concluiu.

O chefe do Estado Maior General das FAA, acompanhado pelo comandante do Exército, general Lúcio Amaral, no âmbito do seu programa de visitas de constatação e auscultação às unidades militares, esteve igualmente no município do Cuango onde se inteirou – o que é sempre vital em situações de paz – do estado de ânimo das tropas.

O regime de Eduardo dos Santos deve, por isso, estar orgulhoso das suas Forças Armadas, no caso muito bem representadas pelo general Geraldo Sachipengo Nunda.

Há muito que Geraldo Sachipengo Nunda mostra a Presidente da República que lhe está grato. Uma das provas disso foi dada quando, no mais elevado respeito pelas regras basilares de um Estado de Direito, o Chefe do Estado Maior das FAA afirmou em plena campanha eleitoral, que um dos candidatos – no caso Eduardo dos Santos – marcou a sua postura “por momentos de sacrifício e glória”, permitindo “a Angola preservar a independência e soberania nacionais, a consolidação da paz, o aprofundamento da democracia, a unidade e reconciliação entre os angolanos, a reconstrução do país, bem como a estabilidade em África e em particular nas regiões Austral e Central do continente”.

E assim, ou não fosse Angola um Estado de Direito, o general Geraldo Sachipengo Nunda resolveu fazer campanha em prol de um dos candidatos. Esta é a diferença que faz Angola ser um paradigma da mais avançada democracia do mundo.

É, aliás, admirável a forma como os militares angolanos estão sempre a falar da necessidade da preservação da paz (já cimentada há 12 anos), da Constituição e do culto a José Eduardo dos Santos.

“A reconstrução nacional tem permitido a normalização da vida em todo o território nacional”, diz Geraldo Sachipengo Nunda, acrescentando que existem sinais visíveis de um país que renasce após longos anos de guerra.

Que a guerra em Angola, como qualquer outra, deu cabo do país é uma verdade incontestável. Também é verdade que o país está a crescer, embora esse crescimento só esteja a ser feito para um dos lados (para aquele que está com o regime).

Mas será que Geraldo Sachipengo Nunda se esqueceu da Angola profunda, daquela onde o povo, o seu povo, é gerado com fome, nasce com fome e morre pouco depois com fome?

Será que Geraldo Sachipengo Nunda se esqueceu que o seu actual presidente (Eduardo dos Santos), a sua Constituição, o seu regime, considera um crime contra o Estado ter opiniões diferentes das oficiais?

Não será altura de Geraldo Sachipengo Nunda se interrogar das razões que levam a que em Angola uns poucos tenham muitos milhões, e muitos milhões não tenham nada?

Não deixa de ser curioso ver Geraldo Sachipengo Nunda a dizer que são prioridades das FAA a preparação operativa, combativa e de educação patriótica, transmitindo a vontade e a determinação do Exército de vencer os obstáculos e constrangimentos para que os efectivos disponham de melhores condições e o processo da sua gradual renovação.

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