General na reserva, Manuel Mendes de Carvalho popularmente conhecido por “General Paka”, crítico assumido do regime do MPLA está a ser procurado vivo ou morto pelas autoridades angolanas devido a pronunciamentos contra o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na TV 8 e Rádio Ouvinte em Dezembro de 2025.
Por Geraldo José Letras
As forças de segurança do Estado estão desde o dia 23 de Dezembro de 2025 a realizar rondas à residência do general na reserva “General Paka” e do seu filho, Claúdio Carvalho, na centralidade do Kilamba. O objectivo é dar cumprimento a uma notificação telefónica da Procuradoria-Geral da República (PGR) para interrogatório contra o visado por críticas contra liderança de João Lourenço no partido MPLA e na Presidência da República do país, nas suas últimas declarações públicas à TV 8 e Rádio Ouvinte.
O General Manuel Mendes de Carvalho nega-se a comparecer na DNAP (Direcção Nacional de Administração Pública) por ter havido violação de normas e procedimentos ao ser notificado. “Eu recebi por acaso um telefonema de uns pirralhos da PGR. Ligaram para mim a dizer que segunda-feira (15 de Dezembro de 2025) estava notificado para me apresentar no DNAP, e eu, de imediato avisei os pirralhos que eu não poria lá os pés, eu não vou. E não vou porquê? Eu sou soberano, eu sou general, não há aqui ninguém da primeira guerra, da segunda guerra que seja superior a mim. Ninguém! Nem mulatos, nem pretos, nem cafuzos. Eu sou uma entidade. Como é que a PGR usa o telefone para me notificar? Eu chamei-os de buçais. Eu tenho que ir ao Ministério da Defesa, o Estado Maior-General tem que accionar pessoal quadro, e é a partir de uma requisição que eu me desloco para poder responder, mas como estou num país de malfeitores, gatunos, ladrões, bandidos, pulhas, ligaram para mim. Eu não sou um assustado desses gentios que quando vê a polícia foge. Não! Eu paro. O país tem leis e as leis de Angola são para serem respeitadas. Mesmo com algumas insuficiências, devem ser respeitadas em cada uma das suas cláusulas. Porque aqui em Angola ninguém está acima da lei, todos nós”.
O visado, que questiona a ética e moral política do Presidente da República e do MPLA, denunciou que João Lourenço fez de Angola a sua propriedade onde viola a seu prazer a Constituição e a independência das instituições do Estado para ver realizada as suas vontades.
“O Presidente da República às vezes quer comparar a Europa com essa espelunca que é Angola. Isso é uma espelunca. Aqui não há democracia. Aqui tem um indivíduo que se chama João Lourenço, que é um tudólogo, ele é que sabe tudo, manda em tudo, mas não sabe nada. Nem sei onde é que ele foi fazer formação para saber tudo. Você meu pai só te vou respeitar se você viver dentro da ética e da moral. Se você for um ‘kazukuteiro’ eu mando-te lixar. A governação num país que tem lei, você que é um servidor público tem que viver dentro da ética e da moral. Você não pode ser um palhaço de carnaval, porque quando em época de carnaval tu te armas em palhaço nós não te respeitamos”, disse.
O General Paka lembrou em entrevista nos dois órgãos que a sua detenção poderá resultar numa onda de contestação nacional e internacional: “Eu sou uma força de influência, se tu me matares vais me transformar num mártir, se tu me prenderes, eu vou ser um líder a ser resgatado.”
Ainda sobre as perseguições que tem sofrido, o militar na reserva prometeu reagir no tempo certo: “Mas eu vou reagir, o meu orgulho é tão grande que eu reajo, eu já não tenho medo da morte. Eu já morri, já me comeram a porcaria da minha juventude. Perdi a minha juventude com esses canalhas”.


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