Para justificar esta questão, que me parece relevante e essencial quer da perspectiva de Cabinda, quer da de Angola, limitar-me-ei a oferecer ao valente povo de Cabinda uma mensagem de conforto e esperança.
Por Osvaldo Franque Buela (*)
Valente e heróico povo de Cabinda, o caminho para a autodeterminação é longo e está repleto de obstáculos, mas a história ensina-nos que a perseverança é a verdadeira moeda da liberdade. A sua luta pela dignidade e pela justiça está gravada não só no Tratado de Simulambuco, mas no coração de cada Cabinda.
Nunca deixe que o desprezo pela divisão ou o desgaste dos anos extingam a chama da sua aspiração. O inimigo mais poderoso não é aquele que nos oprime, mas aquele que nos consegue dividir.
Lembrem-se da vossa força e saiba que sua causa é justa, pois o direito de um povo à autodeterminação é inegociável.
A nossa terra é rica e deve servir o bem-estar dos seus filhos, não o de uma potência distante das nossas realidades e do sofrimento que elas nos impõem… e nossa identidade é inabalável e mais forte do que qualquer anexação.
O mundo um dia ouvirá a nossa voz, mas apenas se esta estiver unida e coesa. Que a memória dos nossos heróis, sejam eles radicais ou pragmáticos, se torne um apelo à união entre os corajosos.
Deixem de lado as vossas disputas internas e definam um terreno comum para o bem das gerações futuras.
Continuem a lutar, seja escrevendo, falando abertamente, participando em acções civis ou resistindo. Desistir não é uma opção, pois a nossa dignidade não tem preço. A esperança é uma estratégia e nunca a abandone, a Luta Continua!
Pelo bem do nosso povo, digamos aos nossos líderes que transformem as suas fraquezas e egos numa força unificada.
Caros líderes dos movimentos políticos Cabindas, estamos numa conjuntura crítica, onde devemos encarar a nossa luta com total clareza e honestidade. A nossa maior fraqueza não é o poderio militar de Luanda, não, é a nossa divisão interna, o desprezo e a fragmentação que minam a nossa causa. Devemos transformar este fardo na nossa maior força.
É impossível e insuportável que as nossas energias e forças se dispersem desta forma numa guerra incessante entre o radicalismo e o pragmatismo, quando João Lourenço acaba de encerrar definitivamente o capítulo do FCD e dos famosos acordos de Namibe, com a exoneração do mais antigo e inabalável vice-governador de toda a história do MPLA, a sacrossanta figura de Macario Lembe.
Tal como o radicalismo estéril e desunido nos levou à marginalização e à manutenção do status quo, devemos ter cuidado para que o pragmatismo complacente e sem princípios, ou o pragmatismo com princípios fracos, não nos conduza ainda mais à traição.
Esta divisão permite ao regime incompetente e vigarista de dividir para conquistar e silenciar-nos. O silêncio e o medo nascem do desespero de não ver uma frente unida.
A força de Cabinda reside e permanecera na dignidade e na riqueza da sua causa e chegou o momento de canalizar a paixão do radicalismo e o realismo do pragmatismo para um objectivo comum e alcançável.
Caros líderes, tenham a coragem de transformar o desprezo em diálogo, de deixar de se chamar traidores ou irresponsáveis. Sentem-se. Chegou o momento de respeitar todas as formas de luta, quer políticas, quer armadas, e de as coordenar.
Tenham a coragem de unificar as reivindicações do povo, forjem uma plataforma mínima unificada. Seja a independência eventual ou a autonomia fiscal e constitucional imediata e garantida, ponham de lado os vossos egos e apresentem-se ao mundo como uma só voz, porque é através desta capacidade de união que a solidariedade incondicional de outros povos nos virá apoiar.
Utilizem com força a nossa localização geográfica única e as nossas riquezas não como uma fraqueza a ser explorada por Luanda, mas como uma importante alavanca política.
O tempo da fragmentação acabou; chegou a hora da fusão de energias por que o MPLA não teme as nossas divisões; teme a nossa unidade inabalável. Transformam as vossas disputas em consensos, transformam a vossa fraqueza na única força capaz de garantir a autodeterminação e a dignidade do povo de Cabinda.
Que Deus abençoe e una os líderes políticos e cívicos de Cabinda.
Unidos venceremos!

