As pessoas com deficiência física dizem-se esquecidas pelas políticas públicas do Executivo para as classes sociais mais vulneráveis no país (des)governado pelo MPLA há 50 anos. Em declarações ao Folha 8, os cidadãos em situação de vulnerabilidade social e económica defendem que Angola deve adoptar a um plano urbanístico e de construção das estradas mais inclusivos.
Por Geraldo José Letras
Os cidadãos portadores de deficiência física dizem que enfrentam várias dificuldades de mobilidade na província de Luanda devido à não existência de faixas de circulação nas estradas para pessoas com capacidade de mobilidade reduzida por deficiência física e ou visual. “A situação”, fazem saber ao Folha 8, coloca-os em posição de desvantagem na movimentação e acesso às instituições e meios de transporte públicos e privados.
“Ser deficiente na capital do país é um desafio enorme. As pessoas não se importam com a nossa condição física e desafiam connosco no momento de subir nos autocarros públicos e particulares”, lamentou-se Paulo Eduardo que por falta de cadeira de rodas sempre teve que engatinhar com o auxílio dos braços.
Actualmente, uma cadeira de rodas está a custar cerca de 300.000.00 (trezentos mil) Kwanzas. A falta de possibilidade financeira para a sua aquisição tem levado muitas pessoas com deficiência física a arrastarem-se com os próprios pés ou braços para se locomoverem.
“Uma cadeira de rodas está a custar 300.000.00 (trezentos mil) Kwanzas ou mais. Esse valor é muito alto para aquilo que são as nossas possibilidades. Então, sofremos como sofremos para sair de casa para a escola, universidade ou local de trabalho”, acrescentou Paulo Eduardo.
“Peço ao governo que olhe por nós. Precisamos de políticas públicas que protejam os mais necessitados”, apelou um cidadão igualmente com dificuldade de mobilidade que não quis identificar-se à nossa reportagem.
Atenta às dificuldades socioeconómicas vividas pelos cidadãos portadores de deficiência física no município do Camama, a Direcção do Instituto Médio Técnico Privado de Saúde Vinária procedeu hoje à realização de uma acção solidária no âmbito dos 10 anos de existência da instituição escolar que permitiu doar mais de 10 cadeiras de rodas a jovens com mobilidade reduzida por falta de meios rolantes para suporte.
“Nós temos observado as dificuldades porque passam os cidadãos com deficiência física. Por esta razão, por ocasião do 10º aniversário da nossa instituição decidimos contemplar os mesmos com as cadeiras de rodas disponíveis que igualmente nos foram doadas por uma entidade parceira”, disse a Directora do Instituto Médio Técnico Privado de Saúde Vinária, Ema da Cunha.
Uma outra integrante de direcção do instituto de ensino técnico médio de saúde fez saber que a acção solidária ora realizada vai continuar nos próximos anos.
“A iniciativa que tem o acompanhamento da Administração Municipal do Camama vai continuar a apoiar mais pessoas necessitadas”, garantiu.
De acordo com dados do Censo de 2024, publicados, recentemente, em Angola existem 333.004 pessoas com deficiência, que enfrentam desafios significativos de acessibilidade, especialmente em transportes públicos e infra-estruturas.
As causas dessas deficiências incluem o conflito armado, doenças como a poliomielite, sinistros rodoviários e falta de acesso à saúde preventiva.


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