Angola realiza, entre 22 e 24 deste mês, a segunda fase da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, que prevê vacinar 9,2 milhões de crianças, anunciou hoje o Ministério da Saúde do MPLA. O reino de João Lourenço até parece, em teoria, aquilo que não é, aquilo que nunca foi – um Estado de Direito.
Num comunicado de imprensa, o Ministério avançou que a campanha se realiza em conjunto com a República Democrática do Congo (RDCongo).
Esta ação, conforme a nota, decorre no âmbito dos esforços regionais para controlar o surto de poliovírus derivado da vacina Tipo 2, visando interromper rapidamente a circulação do vírus nos dois países vizinhos e reduzir o risco de propagação entre as fronteiras.
O objectivo é “aumentar a imunidade da população através da administração de duas gotas da vacina nVPO2 às crianças menores de cinco anos de idade”.
O grupo alvo da campanha nacional é de 9.249.195, estimando-se o número máximo de crianças menores de 5 anos vacinadas nas campanhas de 2025.
Segundo o comunicado, a campanha visa reforçar os programas de vacinação, através da intensificação de acções que fortaleçam a vacinação ao longo do ciclo de vida, sensibilizar para melhorar o conhecimento da sociedade sobre a importância da vacinação, “como uma das intervenções de saúde pública, para salvar vidas e reduzir o fardo de doenças”.
“O Ministério da Saúde (Minsa) está fortemente comprometido em continuar a mobilizar mais recursos, para promover iniciativas cruciais e assertivas para acesso equitativo às vacinas no controlo de surtos epidémicos, garantindo que os serviços de vacinação de rotina estejam cada vez mais próximos das comunidades, reforçando a participação e engajamento comunitário, tirando partido do conhecimento local para adaptar os esforços de resposta no sentido de obter o máximo impacto”, lê-se na nota.
A campanha, com o lema “Vamos Todos a Caminho da Vacina”, pretende também sensibilizar as pessoas sobre o perigo desta doença, “que pode provocar paralisia das pernas e braços para toda a vida”.
“Para prevenir essa doença a criança deve tomar a vacina contra a pólio logo ao nascer, na rotina e nas campanhas”, é a mensagem a ser transmitida, informando ainda que “os vacinadores vão passar de casa a casa, porta a porta, nas igrejas e nos locais de concentração das pessoas”, para vacinar as crianças até aos cinco anos.
Caso durante os cinco dias da campanha, não passem os vacinadores, as pessoas são orientadas a levarem as crianças a uma unidade sanitária mais próxima de casa para a vacinação, alertando que a vacina é gratuita.
Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que a epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) pode prolongar-se, anunciando que está a analisar quais as vacinas e tratamentos a ser utilizados.
“Não creio que esta epidemia termine dentro de dois meses. A dimensão da epidemia dependerá da rapidez da nossa resposta, da nossa capacidade de travar rapidamente a transmissão. Não dispomos de vacina e, por isso, temos de contar com a cooperação da população”, declarou a representante da OMS, Anne Ancia.
Segundo Anne Ancia, a organização está a analisar quais são as vacinas ou tratamentos disponíveis a utilizar, num momento em que se registam mais de 100 mortes suspeitas de terem sido causadas pelo Ébola.
A OMS declarou que este surto da febre hemorrágica altamente contagiosa constitui uma emergência de saúde pública internacional e convocou um comité de emergência.
Este comité deverá formular recomendações para fazer face à epidemia, relativamente à qual o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, se mostrou “profundamente preocupado” com a sua amplitude e rapidez.
Não existe qualquer vacina nem tratamento contra a nova estirpe Bundibugyo do vírus do Ébola, responsável pela última epidemia da doença que matou mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos.
As vacinas só estão disponíveis para a estirpe Zaire, identificada em 1976.
Ancia afirmou que, por enquanto, os especialistas internacionais consideram que as vacinas para a estirpe Zaire “não podem ser utilizadas no âmbito da resposta actual”.
“É claro que é necessário realizar muito mais estudos a este nível e penso que iremos, de facto, discutir muito em breve as possibilidades de realizar ensaios clínicos”, acrescentou a representante.
O Presidente congolês, Félix Tshisekedi, apelou à população para que “mantenha a calma” face à propagação do vírus e instruiu o “Governo a aplicar imediatamente todas as medidas necessárias para reforçar a resposta sanitária”.
O Ébola na RDCongo, país vizinho de Angola, já causou 131 mortos e 513 casos suspeitos, segundo os dados mais recentes das autoridades congolesas.
Uma morte foi reportada no vizinho Uganda e um caso foi confirmado no Sudão do Sul, que também faz fronteira com a RDCongo.
A RDCongo é regularmente afectada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

