MPLA APOSTA NA BANHA DA COBRA PARA DIZIMAR A MALÁRIA

Angola vai iniciar ainda este ano o fabrico local de mosquiteiros para reforçar o combate à malária, numa iniciativa que o Governo considera estratégica para aumentar a soberania sanitária do país e reduzir a dependência externa, anunciou hoje a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta. Recorde-se que o órgão oficial do MPLA, Jornal de Angola, em 2012 dizia na sua manchete “Malária em Angola em vias de extinção”.

Sílvia Lutucuta afirmou durante o Encontro Ministerial sobre a Malária, realizado em Genebra, à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde: “Vamos iniciar ainda este ano o processo de fabrico de mosquiteiros em Angola”.

Segundo uma nota do gabinete de Comunicação Institucional do Ministério da Saúde angolano, a iniciativa conta com o apoio do Africa CDC, estando o Governo a trabalhar com aquele organismo na transferência de tecnologia para a produção local de redes mosquiteiras de nova geração com dupla acção insecticida.

Na intervenção que fez durante a reunião ministerial, Sílvia Lutucuta sublinhou que o projecto permitirá reforçar a soberania sanitária de Angola, reduzir a dependência externa e criar oportunidades para a indústria têxtil nacional.

A ministra alertou também para o agravamento dos desafios no combate à malária em África, considerando que o continente enfrenta uma “verdadeira tempestade perfeita”, marcada pela redução do financiamento internacional, alterações climáticas, resistência aos medicamentos e fragilidade dos sistemas de saúde.

“Zero malária começa comigo. Zero malária começa com todos nós”, declarou a governante, defendendo uma “mobilização continental urgente” para evitar retrocessos no combate à doença.

De acordo com a nota divulgada pelo Ministério da Saúde angolano, os parceiros internacionais presentes no encontro alertaram que África continua a concentrar cerca de 95% dos casos e mortes por malária no mundo, apesar dos progressos alcançados nas últimas duas décadas.

A reunião, subordinada ao tema “Delivering Africa’s Big Push Against Malaria”, juntou ministros africanos, representantes da União Africana, da OMS, do Banco Mundial e da Agência Africana de Medicamentos.

Durante o encontro, a OMS, a ALMA e o Banco Mundial reconheceram avanços significativos no combate à malária, incluindo mais de um milhão de mortes evitadas, expansão do acesso ao diagnóstico e tratamento, aumento da utilização de redes mosquiteiras tratadas e redução da incidência da doença em vários países africanos.

Contudo, os parceiros internacionais advertiram para o risco de retrocesso devido à diminuição do financiamento internacional, numa altura em que dois terços dos programas africanos de combate à malária continuam dependentes de ajuda externa.

A malária continua a ser a principal causa de morte e de internamentos hospitalares em Angola, mau grado a tese do Presidente João Lourenço que diz que “o MPLA fez mais em 50 anos do que os portugueses em 500.

A Comissão da União Africana apresentou no encontro o “Roteiro Africano 2030 e além”, defendendo o reforço dos cuidados de saúde primários, a cooperação transfronteiriça, sistemas de alerta precoce, planeamento adaptado às alterações climáticas, liderança africana e financiamento sustentável.

Sílvia Lutucuta salientou ainda que África importa atualmente cerca de 70% dos medicamentos, 90% dos dispositivos médicos e 99% das vacinas utilizadas no continente, defendendo que o fabrico local representa para Angola “não apenas uma questão de saúde pública, mas também uma estratégia económica e de segurança sanitária”.

A ministra defendeu igualmente o fortalecimento da Agência Africana do Medicamento, da harmonização regulatória continental e do Mecanismo Africano de Aquisição Conjunta como instrumentos essenciais para garantir acesso sustentável a produtos de saúde.

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